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Torção testicular em meninos: emergência urológica pode levar à perda do órgão e comprometer a fertilidade
Uma dor súbita e intensa nos testículos pode ser sinal de uma emergência urológica com consequências que vão além da infância e da adolescência. A torção testicular, que tem incidência estimada de um caso para cada quatro mil homens, interrompe a circulação sanguínea no órgão e pode levar à sua perda. Mesmo quando o testículo é preservado por cirurgia, o problema pode deixar alterações que comprometem a fertilidade no futuro.
Diante desse cenário, o Hospital Pequeno Príncipe, maior e mais completo hospital pediátrico do país, alerta para a importância de reconhecer os sinais da torção testicular e buscar atendimento médico imediato. “É uma emergência urológica importante, porque, quando o testículo fica sem receber sangue, começa a sofrer. Com o passar do tempo, pode ficar necrótico, e a criança perder o órgão”, explica Karin Schultz, cirurgiã pediátrica urológica da instituição.
A torção testicular é mais frequente na adolescência, especialmente entre os 12 e 18 anos, com pico de incidência entre os 13 e 14 anos. Mas, em casos raros, pode acontecer no período neonatal. A condição ocorre quando o testículo gira em torno do cordão espermático, estrutura que o conecta ao corpo e por onde passam os vasos sanguíneos.
O alerta ganha relevância durante o Novembrinho Azul, movimento instituído pela Lei n.º 14.694/2023, que ampliou as campanhas de conscientização sobre a saúde masculina para meninos de até 15 anos. A iniciativa busca chamar atenção para os cuidados com a saúde sexual e reprodutiva desde a infância.
Dor repentina é o principal sinal de alerta
Em aproximadamente 99% dos casos, a torção testicular começa com uma dor súbita. O menino geralmente consegue identificar o momento exato em que o desconforto começou, mesmo que esteja parado ou realizando uma atividade cotidiana.
A dor costuma ser intensa e pode vir acompanhada de outros sinais de alerta:
inchaço e vermelhidão na região;
sensibilidade ao toque;
alteração na posição do testículo;
náuseas e vômitos.
As primeiras seis horas fazem a diferença
O tempo entre o início da dor e a intervenção cirúrgica é determinante para preservar o testículo. A possibilidade de salvar o órgão pode chegar a 98% quando a cirurgia é realizada nas primeiras seis horas após o início do quadro. Quando esse período chega a 24 horas, a chance cai para menos de 60%. Depois de 24 a 48 horas, a possibilidade de preservação é praticamente nula.
“É uma emergência vascular. Quanto mais tempo passar, maior será o período em que o sangue deixa de chegar adequadamente ao testículo e maior a chance de perdê-lo”, realça Karin Schultz.
A interrupção prolongada do fluxo sanguíneo pode provocar uma isquemia irreversível, levando à perda do testículo. Contudo, as consequências não se limitam a esses casos. De acordo com a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), mesmo jovens que conseguem preservar o órgão após a cirurgia podem apresentar alterações no espermograma e dificuldades reprodutivas no futuro. Também pode ocorrer infecção local.
Não é preciso esperar a dor passar
O diagnóstico é realizado a partir da avaliação médica e do exame físico. Quando há dúvidas, pode ser solicitada uma ultrassonografia com doppler, que permite verificar a presença de fluxo sanguíneo no testículo. O tratamento é cirúrgico e busca desfazer a torção e restabelecer a circulação sanguínea, na tentativa de preservar o órgão.
Diante de uma dor testicular aguda, especialmente em adolescentes, a orientação é procurar um serviço de saúde imediatamente. “A família não deve esperar até o dia seguinte nem tentar resolver o problema com automedicação. É preciso procurar atendimento o mais rápido possível, porque cada hora faz diferença na possibilidade de salvar o testículo”, reforça a cirurgiã pediátrica urológica do Pequeno Príncipe.
Sobre o Pequeno Príncipe
Com sede em Curitiba (PR), o Hospital Pequeno Príncipe é o maior e mais completo hospital pediátrico do Brasil. Há mais de cem anos, a instituição filantrópica e sem fins lucrativos oferece assistência hospitalar humanizada e de alta qualidade a crianças e adolescentes de todo o país. Referência nacional em tratamentos de média e alta complexidade, realiza transplantes de rim, fígado, coração, ossos e medula óssea, além de atuar em 47 especialidades e áreas de assistência em pediatria, com equipes multiprofissionais.
Com 369 leitos, sendo 76 de UTI, o Hospital promove 76% dos atendimentos via Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2025, realizou 258 mil atendimentos ambulatoriais, 20 mil procedimentos cirúrgicos e 308 transplantes. Reconhecido como hospital de ensino desde a década de 1970, já formou mais de dois mil especialistas em diferentes áreas da pediatria.
Junto com a Faculdades Pequeno Príncipe e com o Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, compõe o Complexo Pequeno Príncipe. Essa atuação em assistência, ensino e pesquisa — conforme o conceito Children’s Hospital, adotado por grandes centros pediátricos do mundo — tem transformado milhares de vidas anualmente, garantindo-lhe reconhecimento internacional.
Em 2026, o Pequeno Príncipe foi listado como um dos 63 melhores hospitais do mundo que atuam com pediatria (ou que atendem crianças) no ranking elaborado pela revista norte-americana Newsweek, o que o colocou, pelo sexto ano consecutivo, como o melhor hospital exclusivamente pediátrico da América Latina. Também é reconhecido como Hospital de Excelência pelo Ministério da Saúde por meio de certificação concedida a instituições que cumprem critérios técnicos rigorosos na assistência.
Desde 2019, o Pequeno Príncipe é participante do Pacto Global e contribui para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), iniciativa proposta pela Organização das Nações Unidas.
Fonte: Assessoria