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Telessaúde muda o acesso à medicina no Brasil

03/11/2026
Telessaúde muda o acesso à medicina no Brasil
Fotos: Expansão do atendimento a distância permite conectar pacientes e especialistas, principalmente em regiões com menor acesso médico. | FG Trade / Stock

A tecnologia vem mudando a forma como a medicina chega aos pacientes no Brasil. Embora o atendimento presencial continue sendo parte central do cuidado, a telessaúde tem ampliado o contato com profissionais e serviços por meio de recursos digitais, especialmente em locais onde a distância e a falta de especialistas dificultam o acesso. Além disso, também é uma opção mais prática e complementar que cabe no dia a dia durante rotinas mais extenuantes.

A modalidade ganhou força durante a pandemia de Covid-19 e passou a fazer parte de forma mais estruturada da assistência em saúde. A Lei nº 14.510, de 2022, regulamentou a telessaúde no país, enquanto o Ministério da Saúde define a prática como uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) que complementa o atendimento presencial.

O avanço também aparece no interesse da população. Uma pesquisa do Serviço Social da Indústria (SESI), realizada em 2025 com mais de 2 mil pessoas de todos os estados brasileiros, apontou que 78% dos entrevistados tinham interesse em utilizar serviços de saúde digital. No mesmo levantamento, 20% disseram já ter usado algum serviço do tipo naquele ano.

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), a telemedicina pode ampliar a cobertura dos serviços de saúde, principalmente para pessoas que vivem em regiões remotas ou pouco atendidas. A entidade, no entanto, ressalta que a tecnologia deve complementar, e não substituir integralmente, o cuidado presencial.

Ampliação de acesso conecta pacientes e especialistas

Esse cenário de expansão, porém, ainda convive com diferenças na oferta de atendimento digital entre os municípios. Um levantamento da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), divulgado em 2025, apontou que apenas 10% dos municípios brasileiros ofereciam consultas médicas online. A falta de equipamentos e de internet de alta velocidade estava entre os obstáculos identificados para ampliar esse tipo de atendimento.

O Ministério da Saúde considera a telessaúde uma ferramenta para ampliar a oferta de atenção especializada, especialmente em regiões onde há menor disponibilidade de profissionais. A estratégia inclui diferentes modalidades de atendimento e suporte entre equipes:

- Teleconsulta: atendimento realizado a distância entre paciente e profissional;

- Teleinterconsulta: discussão de um caso entre profissionais de saúde;

- Teleconsultoria: suporte técnico entre profissionais;

- Telediagnóstico: transmissão de exames e informações para avaliação e emissão de laudos a distância.

A estrutura pode ser utilizada em diferentes especialidades, como oftalmologia, dermatologia e cardiologia, entre outras, além de apoiar profissionais que atuam presencialmente na avaliação e no acompanhamento de pacientes.

Um exemplo da aplicação em áreas isoladas aparece no Conexão Saúde, projeto realizado em comunidades indígenas da região de Tabatinga, no Amazonas. Até abril de 2026, a iniciativa havia contabilizado 1.038 telelaudos, 197 teleconsultas clínicas e especializadas e 211 aferições investigativas. Em alguns casos, exames realizados nas próprias aldeias são enviados por conexão via satélite para avaliação de especialistas a distância.

A experiência mostra que a telessaúde pode diminuir deslocamentos que, em determinados territórios, envolvem horas de barco ou viagens aéreas. Ao mesmo tempo, é importante destacar que a expansão ainda depende de conectividade, equipamentos e capacitação para que o recurso alcance diferentes grupos da população.

Em quais contextos a telemedicina pode ser útil dentro da medicina?

A telemedicina pode ser utilizada em situações nas quais a avaliação a distância seja adequada ao quadro apresentado. Ela pode contribuir, por exemplo, para acompanhamentos, orientações, avaliações de exames, teleinterconsultas entre profissionais e determinadas consultas que não dependam de um exame físico presencial.

Os dados da pesquisa Saúde Digital no Brasil, realizada pelo Instituto de Pesquisa Nexus a pedido do Serviço Social da Indústria (SESI), também ajudam a dimensionar quais serviços despertam maior interesse entre os brasileiros. O agendamento online aparece em primeiro lugar, citado por 57% dos entrevistados, seguido pela teleconsulta, com 49%. Já os exames integrados digitalmente foram mencionados por 33% do público.

No entanto, o atendimento remoto não deve ser tratado como solução para todos os casos. Há situações que exigem avaliação física, procedimentos, exames presenciais ou atendimento de urgência. A própria OMS destaca que a telemedicina deve funcionar como complemento às interações presenciais e que sua utilização precisa considerar a adequação clínica de cada serviço.

Assim, a medicina a distância pode funcionar em conjunto com a assistência presencial. Um profissional que atende em uma unidade de saúde, por exemplo, pode recorrer à teleinterconsulta para discutir um caso com um especialista que não está disponível naquela região. Ou, em casos de retorno com o médico após a realização de exames, uma teleconsulta pode auxiliar a discussão com o paciente sobre os resultados obtidos.

O avanço da telessaúde, portanto, ainda está em construção. Os dados mostram que existe interesse da população e que a tecnologia já é capaz de conectar diferentes pontos da rede de saúde, mas a consolidação desse modelo depende de sua incorporação à rotina dos serviços e de condições que permitam seu funcionamento de forma consistente. A tendência é que a medicina continue incorporando essas ferramentas à medida que a saúde digital deixe de ser uma alternativa pontual e passe a fazer parte da organização do cuidado, com acesso para toda a população.

Fonte: Assessoria