Geral
Mais escolarizadas, mulheres ocupam só 17,4% das presidências: para especialistas, o gargalo está na cultura das empresas
Metas de diversidade e compromissos ESG já fazem parte do discurso de muitas empresas, mas, na hora da decisão, a presença feminina não acompanha. Segundo a pesquisa Panorama Mulheres 2025, do Insper com o Instituto Talenses, a proporção de mulheres na presidência das empresas segue estagnada em 17,4% desde 2022. Para especialistas, o gargalo está na cultura das organizações, e não na formação das profissionais.
As mulheres são maioria entre quem conclui o ensino superior no Brasil, mas, segundo o IBGE, ocupam 39,3% dos cargos gerenciais. O funil se estreita conforme a posição sobe: as vice-presidências ocupadas por elas caíram de 34% para 20% entre 2022 e 2024, de acordo com a Panorama Mulheres. “Mulher qualificada não falta, nós somos maioria entre quem conclui o ensino superior no Brasil há anos. Se o gargalo fosse formação, esse número subiria junto com o número de mulheres formadas, porém não sobe”, afirma Angélica Silvino, fundadora da Signà Branding.
Para Renata Andreoni, presidente do Instituto ELAborar, que apoia organizações na implementação de agendas de saúde, equidade e proteção, é preciso observar como as práticas internas influenciam as oportunidades profissionais. “Precisamos observar também como o trabalho está organizado, como as responsabilidades são distribuídas e quais comportamentos são reconhecidos ou desvalorizados. Sobrecarga, silenciamento e necessidade constante de comprovação de competência revelam relações de poder que impactam a saúde, as oportunidades e o exercício da liderança por mulheres”, afirma.
A distância entre discurso e prática também aparece nas políticas corporativas: apenas 29,2% das empresas mencionam políticas de promoção de mulheres a cargos estratégicos, segundo os dados citados na Panorama Mulheres 2025. Além disso, a mesma pesquisa aponta que 66,3% das mulheres acreditam não ter oportunidades em cargos de liderança nem investimento em seu desenvolvimento.
Impacto que volta para a sociedade
É nesse contexto que surgem programas de apoio às organizações, como o Programa Pilar, iniciativa fruto de uma parceria entre o Instituto ELAborar e a Signà Branding. A solução propõe trabalhar o desenvolvimento das mulheres em posições de liderança sem desconsiderar os condicionamentos sociais, culturais e profissionais que influenciam sua atuação. “Um dos diferenciais do Pilar é trabalhar simultaneamente competências e condicionamentos sociais, culturais e profissionais. A proposta articula desenvolvimento individual e transformação organizacional, considerando que o exercício da liderança acontece nas relações”, explica Andreoni.
Além de contribuir para o desenvolvimento das lideranças e a transformação organizacional, o programa também tem impacto social. O lucro correspondente às contratações é integralmente revertido para projetos de transformação social do Instituto ELAborar. Para a fundadora Signà Branding, a equidade não se resolve com um evento por ano nem com uma meta bonita no relatório, mas em decisões pequenas e repetidas: quem é indicado, ouvido e reconhecido.
Por Assessoria