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AI Brasil Experience reúne 10 mil pessoas em São Paulo para discutir o futuro da inteligência artificial

30/10/2026
AI Brasil Experience reúne 10 mil pessoas em São Paulo  para discutir o futuro da inteligência artificial
Fotos: Panorâmica do evento | Mateus Souza

Programação ainda contou com laboratórios práticos, futebol de robôs e debates sobre negócios, ciência, trabalho e sociedade

O AI Brasil Experience reuniu, nos dias 28 e 29 de outubro, no Distrito Anhembi, em São Paulo, mais de 10 mil pessoas para discutir o avanço da inteligência artificial e as mudanças que a tecnologia vem provocando nas empresas, no trabalho e na sociedade. Organizado pelo AI Brasil, comunidade criada para democratizar a IA no país, o evento contou com mais de 150 apresentações de especialistas, empresários e pesquisadores, distribuídas por cinco arenas, além de laboratórios práticos, demonstrações de robótica e espaços dedicados à inovação e ao relacionamento entre profissionais.

A agenda percorreu temas como produtividade, retorno sobre investimentos em tecnologia, agentes de inteligência artificial, governança, segurança, desenvolvimento de software, educação, saúde, varejo, comércio eletrônico e novas profissões. A programação aproximou o debate sobre a tecnologia de situações concretas, mostrando como ela já modifica processos de trabalho, modelos de negócio e decisões estratégicas.

Para organizar as discussões, o AI Brasil Experience propôs a lente conceitual Eu, Nós e Todos Nós, que parte do indivíduo, passa pelas organizações e chega às transformações que alcançam a sociedade. Em sua palestra de abertura, o fundador do AI Brasil, Pedro Chiamulera, explicou que o objetivo é reconhecer que o trabalho de instituições, pesquisadores e empreendedores brasileiros pode gerar resultados de alcance internacional e contribuir para o desenvolvimento da inteligência artificial no país.

“O Brasil tem motivos para se orgulhar de sua contribuição ao avanço da IA. Precisamos dar visibilidade a esse trabalho e reconhecer a qualidade da pesquisa e dos profissionais brasileiros. Temos competência para desenvolver tecnologia de ponta e participar das transformações que estão definindo o futuro da inteligência artificial”, afirmou Chiamulera.

Para Rodrigo Righetti, Head do AI Brasil, o evento é a prova que a inteligência artificial amplia a capacidade de tirar projetos do papel e acelerar iniciativas empreendedoras. “Essa é uma das grandes diferenças da era da IA: agora a gente pode pensar e usar a inteligência artificial para acelerar. O AI Brasil começou com um grupo de WhatsApp, formado por pessoas inquietas, que acreditaram em uma ideia e tiveram coragem de colocá-la em prática. Hoje, o evento também abre espaço para novas empresas e marcas ganharem relevância. A tecnologia amplia nossa capacidade de fazer, mas é preciso ter iniciativa, coragem e disposição para transformar as ideias em realidade”, afirmou.

CEIA apresenta IA voltada à indústria e aos negócios

Um dos diferenciais desta edição foi a aproximação entre ciência e aplicação. O Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA) da Universidade Federal de Goiás (UFG), maior centro de IA da América Latina, contou com uma arena própria no evento. Por meio de seus pesquisadores, comandou o Laboratório de Experiências Práticas, aproximando o público de tecnologias e projetos desenvolvidos pelo centro.

Além disso, anunciou o lançamento do CEIA Lumi, modelo de IA desenvolvido para a língua portuguesa e adaptado ao contexto brasileiro. A ferramenta é disponibilizada gratuitamente em código aberto e permite que empresas utilizem a tecnologia como base para criar soluções próprias, personalizadas de acordo com suas atividades e necessidades.


Foto: Rafaella Cavalcanti

Arlindo Galvão, Diretor de Internacionalização e Inovação Aberta do centro, chamou atenção para a distância entre a oferta crescente de modelos e agentes de IA e a capacidade de incorporá-los à operação das empresas. Para ele, infraestrutura, integração e acesso a recursos adequados ainda representam obstáculos para transformar a tecnologia em resultados.

“A indústria vive hoje um momento decisivo. De um lado, temos uma grande oferta de modelos, agentes e informações; de outro, existe uma cobrança cada vez maior por dados e ainda há muita fricção para transformar esses recursos em soluções aplicáveis ao negócio. Precisamos superar essa barreira e colocar o Brasil na posição de produtor de tecnologia, e não apenas de consumidor de soluções estrangeiras”, disse.

O lançamento do novo modelo de linguagem vem para solucionar esse gargalo. A proposta é oferecer uma arquitetura que possa ser utilizada em infraestrutura própria, sem exigir estruturas gigantescas ou dependência de recursos de nuvem que muitas empresas não conseguem manter.

A arena do CEIA também abordou aplicações de inteligência artificial em saúde, energia, governo e mobilidade, além de agentes conversacionais, sistemas físicos, pesquisa e desenvolvimento. Os debates trataram ainda de segurança, políticas públicas e oportunidades para empresas e pesquisadores brasileiros.

Foto: Michele Barbalho


De agentes de IA a robôs humanoides

A experiência prática teve espaço próprio. A Arena Adapta reuniu atividades com ferramentas de inteligência artificial, enquanto o Impacta AI 360, no Future Labs, ofereceu laboratórios sobre criação audiovisual, desenvolvimento de aplicativos, agentes, integração de ferramentas e segurança de sistemas. As atividades aproximaram o público de aplicações que podem ser incorporadas a projetos e rotinas profissionais.

Outro destaque foi a Arena de Robôs, com partidas de futebol disputadas por robôs humanoides que utilizam visão computacional e tomada de decisão em tempo real. A demonstração mostrou aplicações da IA combinadas à robótica e aos sistemas autônomos.

O evento também contou com a Vila Confi, que reuniu discussões sobre comércio eletrônico, varejo, logística reversa, venture capital e Black Friday. Outros espaços foram dedicados à comunidade, ao networking e a temas de cultura organizacional, liderança e desenvolvimento de pessoas.

Tecnologia, escolhas e impacto humano

A programação reuniu nomes de diferentes áreas, entre eles o professor e escritor Clóvis de Barros Filho; a empresária Cris Arcangeli; Alex Szapiro, do SoftBank; Guilherme Horn, do WhatsApp; Roberto Shinyashiki, Solange Srour, Luciano Telo, Nicholas Santos, Beto Pandiani e João Appolinário.

A presença de pensadores e profissionais de áreas distintas ampliou a discussão sobre as consequências da inteligência artificial para a vida cotidiana. Em sua palestra, que encerrou o primeiro dia de evento, o professor Clóvis defendeu que a tecnologia deve ser avaliada também pelo que permite às pessoas realizarem e experimentarem.


Foto: Rafaella Cavalcanti 

“A técnica que nos interessa é aquela que permite a satisfação do desejo, que é alegradora, potencializadora, amorosa e portadora de excelência. É essa técnica que importa: aquela que tem relação com a nossa vida, com a nossa natureza e com aquilo que nos traz potência e felicidade”, disse o professor.

Clóvis também refletiu sobre os elementos que são insubstituíveis nos seres humanos. “O que não perderemos para a IA é sempre da esfera das emoções, dos afetos, dos amores, dos desejos, das esperanças, mas também das ansiedades, das angústias, das dores, das devastações e do luto. O luto de um ente querido. Robôs em sucata não despertam em seus ancestrais o sentimento que os nossos mortos despertam em nós. Assim também o nascimento de uma criança, que desperta no coração de seus pais aquilo que possivelmente uma máquina ainda tarde muito para vir a sentir”, concluiu.

A agenda também incluiu o AI Shark Race, competição de negócios apresentada por João Appolinário, que premiou a Kalidash com uma mentoria estratégica com o professor Anderson Soares, oferecida pelo AI Brasil, e uma jornada completa do método Pole Position, da LIAHUB.ai, no valor de R$ 150 mil.Ao reunir discussões estratégicas, pesquisa, demonstrações e atividades práticas, o AI Brasil Experience buscou colocar em perspectiva os desafios da adoção da inteligência artificial no Brasil, desde a criação de tecnologia nacional até sua aplicação no cotidiano das empresas e o impacto das mudanças sobre as pessoas.


Foto: Michele Barbalho



Fonte: Assessoria