Política

Assembleia debate aplicações do Iprev e deputados alertam para risco de colapso previdenciário

11/06/2026
Assembleia debate aplicações do Iprev e deputados alertam para risco de colapso previdenciário

A aplicação de recursos do Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió (Iprev) em instituições financeiras consideradas temerárias, como o Banco Master, foi tema de debate e duras críticas entre os parlamentares durante a sessão ordinária desta quarta-feira, 10. Os deputados alertaram para o risco de aposentados e pensionistas de Maceió ficarem desamparados em um futuro próximo, situação que, segundo eles, seria reconhecida pela própria Prefeitura da capital na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027.

O deputado Ronaldo Medeiros (PT) afirmou ter estudado a LDO encaminhada pelo Executivo municipal à Câmara de Vereadores e destacou o item que trata dos riscos previdenciários. “O regime próprio de previdência do município de Maceió representa risco fiscal estrutural de longo prazo”, disse, citando o documento.

O parlamentar explicou que a própria Prefeitura reconhece problemas no Iprev. “Os aposentados e aposentadas têm que ter cuidado. Se não houver contribuição no futuro próximo, esse fundo quebra. Não haverá aposentadoria nem pensão depois”, afirmou. Ronaldo Medeiros também criticou a aplicação dos recursos. “Fala-se muito do Iprev ligado ao Banco Master, essa operação insana que o município fez ao colocar recursos em uma instituição temerária. Há também mais R$ 56 milhões aplicados em um fundo chamado Nest Eagle, que ninguém conhece, ninguém sabe de onde veio nem para onde vão esses recursos”, declarou.

Por fim, Medeiros mencionou reportagens que associaram parte do dinheiro a festas e luxo. “O dinheiro do servidor foi para um playboy fazer festas pelo mundo afora”, criticou. O deputado concluiu cobrando vigilância da sociedade. “O servidor que sonha um dia se aposentar precisa acompanhar e cobrar”, finalizou.

O deputado Cabo Bebeto (PL) afirmou que “quem errou tem que pagar” e pediu atuação do Ministério Público. “Esse fundo está caminhando para entrar em colapso”, alertou. Já o deputado Alexandre Ayres (MDB) afirmou que a Prefeitura de Maceió tem a obrigação de esclarecer os critérios para a destinação de cerca de R$ 100 milhões ao Banco Master. “A gente não quer procurar culpados; quer uma apuração rigorosa e transparente”, declarou. O parlamentar também manifestou preocupação com os ataques sofridos pelo senador Renan Calheiros no Senado Federal.

O deputado Doutor Wanderley (MDB) prestou solidariedade ao senador e estranhou o fato de o prefeito João Henrique Caldas ainda não ter se pronunciado sobre o caso. “O prefeito é o responsável por isso. Quem teve essa ideia estúpida de colocar dinheiro em um banco sabidamente falido?”, questionou.

Ronaldo Medeiros acrescentou que a Polícia Federal já solicitou ao Supremo Tribunal Federal a investigação do caso e afirmou que ainda existem R$ 56 milhões aplicados em um fundo cujo destino seria incerto.

O presidente da Casa, Marcelo Victor (MDB), defendeu a legislação aprovada pela Assembleia Legislativa para o sistema previdenciário estadual, classificando-a como “rígida e séria”. “O Banco Master, por exemplo, não entra lá. Essa virtude é da Assembleia Legislativa”, afirmou, destacando a contribuição do Parlamento para a criação de critérios rigorosos de governança.

Ascom ALE