Política

Dia Nacional da Luta Antimanicomial é marcado por audiência na Câmara

17/05/2016
Dia Nacional da Luta Antimanicomial é marcado por audiência na Câmara

A Câmara Municipal de Maceió realiza, nesta quarta-feira (18), às 9h, audiência pública com o tema: “Desafios e possibilidades para implantação da rede psicossocial na capital”. O debate foi proposto pelo presidente da Casa, vereador Kelmann Vieira (PSDB), e visa avaliar os avanços e identificar as dificuldades na implementação da política que desloca o foco do tratamento dos hospitais psiquiátricos para uma rede de cuidados nas comunidades.

“Pesquisas já comprovaram que o paciente psiquiátrico evolui mais quando é inserido na sociedade, recebendo tratamento multidisciplinar. A alagoana Nise da Silveira foi uma das precursoras desse pensamento. Tratar hoje em dia pessoas com distúrbios mentais isoladas é um retrocesso. Temos que garantir o acolhimento social a partir de uma rede de serviços, que engloba desde o cuidado médico até a assistência social. Por isso é importante discutir os desafios para disponibilizar esta estrutura”, explicou Kelmann Vieira.

A coordenadora da Saúde Mental do município de Maceió, Tereza Cristina Moura Tenório, afirmou que os desafios são muitos. “Hoje, Maceió conta com cinco Centros de Atenção Psicossocial, que são os Caps. Precisamos ampliar este número na rede que deve incluir, entre outros serviços, mais leitos no Hospital Geral, centros de acolhimento e atendimento 24 horas para recepcionar o usuário em situação de crise, evitando a internação nos hospitais psiquiátricos que devem ser extintos, conforme preconiza a nova política de atenção à saúde mental”, explicou ela, que também é assistente social.

De acordo com Tereza, o dia 18 de maio é o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. “Neste dia, celebramos os avanços trazidos pelo entendimento de que a pessoa com distúrbio mental deve ser tratada sem ser excluída da sociedade, como antes se fazia nos hospitais psiquiátricos. Essa lógica não faz mais sentido. Mas, para que os hospitais psiquiátricos sejam fechados, as redes precisam estar melhor estruturadas, com serviços que garantam um tratamento eficiente. Infelizmente, a rede que nós temos ainda é muito frágil”, disse ela.

A coordenadora explicou que Maceió, por exemplo, só tem um CAPs para o tratamento de dependentes químicos. “A política nacional estabelece que um CAPs seja implantado para cada 150 mil habitantes. Maceió também só tem um CAPs infantil para quase um milhão de habitantes. Além de ampliar o número de CAPs, outros recursos que compõem a rede precisam de investimentos, como a criação de residências terapêuticas e de centros de convivência”, acrescentou Tereza, contanto que gestores públicos, usuários dos serviços e profissionais da rede foram convidados para a audiência pública desta quarta-feira.

“Vamos pedir apoio aos vereadores para que esta demanda ganhe prioridade. No mundo em que vivemos hoje, muita gente desenvolve depressão, tendência ao suicídio, ansiedade, adquire a dependência química, então é um problema que precisa ser discutido com urgência e o poder público tem que estar preparado para oferecer tratamento adequado, em sintonia com a política nacional”, explicou Tereza, dizendo ainda que os movimentos sociais em defesa da saúde mental estarão realizando atividades na Praça Deodoro durante a audiência pública, com objetivo de chamar a atenção da sociedade para a luta.

Ascom Câmara de Maceió