Política

Vereador Guilherme Soares põe construtora de condomínio e líderes comunitários, frente à frente, para discutir esgotamento sanitário

07/04/2016
Vereador Guilherme Soares põe construtora de condomínio e  líderes comunitários, frente  à frente, para discutir esgotamento sanitário

Em Maceió, a implantação das tubulações de esgotamento sanitário do condomínio Bosque dos Jacarandás, que ainda está para ser entregue, e que compõe o complexo habitacional Parque das Craibeiras, em construção no Benedito Bentes, criou a maior celeuma com os moradores da região. Ao verem as tubulações sendo colocadas os moradores entenderem que a localidade seria depósito de esgotos a céu aberto, nas proximidades da Grota da Alegria, à revelia dos moradores, trazendo sujeira, mosquitos e doenças à população. A problemática foi levantada pelo vereador Silvânio Barbosa e um processo foi gerado na Câmara de Vereadores.

O vereador Guilherme Soares pediu vistas ao processo e convocou órgãos competentes como Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), a Secretaria Municipal de Proteção ao Meio Ambiente (Sempma), a Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) , o Ministério Público de Alagoas, a Construtora Uchoa e lideranças comunitárias do Benedito Bentes para uma audiência pública que aconteceu nesta terça (6), na Câmara de Vereadores de Maceió. Na audiência ficou decidido que haverá uma reunião, com data a ser ainda marcada, entre moradores, órgãos competentes envolvidos na questão, e construtora, para que possam ser tiradas todas as dúvidas e a empresa explique o projeto à comunidade.

O Assessor Especial de Gestão do Ima, Ricardo Freitas, informou que a Licença de Instalação está em ordem, e inclusive com a anuência da CASAL, e que ela foi renovada. De acordo com Ricardo, nenhum deslize legal foi cometido pela empresa no processo de construção do esgotamento. “Não está havendo nenhum dano, até porque por que não está havendo atividade”, ou seja, o esgoto não está funcionando porque o condomínio nem foi entregue.

Mas o barulho havia sido grande e o resultado é que as tubulações de esgoto sumiram. Os representantes dos moradores dizem não saber o que aconteceu, quem pegou, quem levou. O advogado Geminiano Jurema, que estava representando a Uchôa Construções Ltda, indagou se a comunidade arrancou as tubulações. "Quem arrancou os canos, quem foi? Eles estão guardados? Vamos ter eles de volta?" As tubulações compõem o esgotamento sanitário do conjunto. "As 320 famílias do conjunto estão ansiosas para receberem suas residências. A entrega será feira brevemente, assim que essa situação for superada”, afirmou Geminiano. De acordo com Mano Monteiro, líder comunitário do Salvador Lira e do Benedito Bentes, é mistério. "As tubulações foram retiradas no período da noite e não sabemos quem foi".

O encontro serviu muito mais para que as partes buscassem aparar arestas e trabalhar em consonância do que para resolver, de fato, um crime ambiental ou um problema de saúde causado por esgotamento sanitário. "Aquilo (ccondomínio) só vai existir se estiver dentro dos padrões ambientais. O projeto, a manutenção e a operação têm que seguir o processo correto, o processo ideal", afirmou Ricardo. O IMA vai pedir formalmente que a comunidade se reúna com a empresa, encontro que deve contar com a presença de todos os setores envolvidos.

"O caminho é este. Principalmente para que não haja prejuízo para a natureza, nem para a população. Se existe dúvida é para ser esclarecida. Mais uma vez esta casa mostra seu papel de promover audiências públicas de esclarecimentos visando o bem comum da sociedade. Vamos, a partir do que ficou definido, fundamentar a documentação processual", afirmou Guilherme, que vai instruir o processo e devolvê- lo à Câmara Municipal. Isto vai ter prosseguimento e ele será encaminhado para o Ministério Público. "

Um dos grandes problemas de Alagoas sempre foi a falta de saneamento básico. Maceió, que é a capital, é saneada em apenas cerca de 40%. Isso interfere desde a economia do Estado até na saúde dos mais necessitados, que são os cidadãos pobres. E o resultado é que o empresário de fora não investe; o turista que se choca com as línguas escuras não voltam; e o filho da periferia pega doença com o pé no esgoto a céu aberto que passa na sua porta. A corrupção, aliada à crise econômica, fez o brasileiro e o alagoano aprenderem a gritar, a reclamar, a ir às ruas reivindicar seus direitos; e cidadania é como preconceito; quebrou, não tem mais jeito. Mas cidadania deve ser exercida com responsabilidade, naturalmente, e sem vandalismo.

Fonte: Alexandre Camara