Política

Audiência Pública na CMM debate os 84 anos da conquista do voto feminino

29/02/2016
Audiência Pública na CMM debate os 84 anos da conquista do voto feminino
Os 84 anos da conquista do voto feminino no Brasil foram lembrados, na manhã desta segunda-feira (29), durante audiência pública na Câmara Municipal de Maceió. A propositora do debate, vereadora Tereza Nelma (PSDB), mencionou passagens históricas da participação da mulher na política e ressaltou que a representação feminina no poder ainda não é tão expressiva como deveria. A vereadora Silvânia Barbosa (PPS) acompanhou as discussões em plenário. Uma das palestrantes da audiência, a professora da Universidade Federal de Alagoas, Aparecida Batista Oliveira apresentou um panorama da atuação das mulheres na política brasileira e disse que o sistema patriarcal penaliza aquelas que buscam disputar o poder com os homens. “A mulher foi restringida ao espaço privado, para cuidar da casa e dos filhos. Enquanto que os homens sempre tiveram o espaço público para dominar”, explicou. Entre as conquistas da mulher no processo eleitoral, a professora elencou a criação do Partido Republicano Feminino, em 1889; a fundação da Liga para o Progresso Feminino, em 1920; a formação da Federação Brasileira para o Progresso Feminino, em 1922; e a criação da Aliança Nacional das Mulheres, em 1931. Aparecida Batista citou Celina Guimarães, do Rio Grande do Norte, como a primeira mulher a exercer o direito de voto no Brasil. Ela criticou o fato de as mulheres formarem mais de 50% do eleitorado, mas, apesar disso, continuarem sem representação expressiva no Congresso Nacional. “Atualmente, temos uma presidenta, uma governadora, 7 vice-governadoras e cinco senadoras. É muito pouco”, afirmou, considerando um dos avanços da luta feminista, a política de cotas na lei eleitoral de 1995 que reservou 20% das candidaturas para as mulheres, embora defenda cota maior. A secretária municipal do Trabalho, Abastecimento e Economia Solidária, Solange Jurema, também se pronunciou e reforçou o convite para que mais mulheres ingressem na carreira política. Ela, que é ex-ministra da Secretaria Nacional de Políticas Públicas para Mulheres no governo de Fernando Henrique Cardoso, explicou que conquistas como as Delegacias da Mulher, só foram asseguradas por causa da participação feminina nas esferas públicas. “É na política onde a vida de todos é decidida. Nós, mulheres, temos menos tempo para debater o espaço público devido às tarefas domésticas que continuam delegadas às donas de casa e às mães. Precisamos nos unir para defender as políticas de nosso interesse”, disse ela, criticando ainda os partidos que não cumprem a legislação que obriga a aplicação de 5% do fundo partidário nas candidaturas femininas. A secretária Executiva do Gabinete do Prefeito Rui Palmeira, Adriana Toledo também incentivou que mais mulheres se candidatem nas próximas eleições. “Sou pré-candidata e é impressionante como sou desestimulada, inclusive por outras mulheres, a seguir em frente na disputa pelo voto. A política é associada à corrupção e, por isso, muita gente pensa que não é coisa para mulher”, revelou, contando que a Câmara de Maceió é uma exceção. “Temos aqui quase 30% de participação feminina no Parlamento, mas no Congresso Nacional são só 15%”. Ex-deputada federal, a secretária estadual da Mulher e dos Direitos Humanos, Rosinha Cavalcante fez questão de mencionar que iniciou sua carreira política na Câmara Municipal de Maceió. “O que faz a diferença é a nossa participação, mas, com poder de decisão”, disse, ao comentar requerimento da vereadora Tereza Nelma, que estabeleceu cota para participação da mulher na Mesa Diretora da Casa. “Somos maioria entre os alfabetizados, entre os universitários, entre os eleitores, mas continuamos elegendo mais homens. O poder está na nossa mão, é só a gente querer mudar esta realidade”, frisou.