Em discurso na abertura do ano legislativo, o presidente do Senado, Renan Calheiros, pediu um "compromisso com a nação" para lidar com a crise e proteger a qualidade de vida do brasileiro. Ele garantiu que manterá a atuação pautada pela austeridade, independência, isenção e transparência. Renan ressaltou, no entanto, que o Senado não fugirá de temas polêmicos, como o fim da participação obrigatória de 30% da Petrobras nos campos do pré-sal e a garantia forma de independência ao Banco Central. — Mais do que um Banco Central, precisamos de um banco centrado, focado na política monetária e infenso às interferências, sejam quais forem. O presidente e os diretores do Banco Central, quando de sua instituição, tinham mandatos. A extinção do mandato foi o primeiro ato da ditadura militar. Entre os países que adotam o modelo de meta inflacionária, o Brasil é o único que não possui Banco Central formalmente independente — disse Renan, defendendo ainda a aprovação da Instituição Fiscal Independente e a Lei de Responsabilidade das Estatais. Renan lembrou que, no ano passado, o Parlamento apresentou um conjunto de propostas para lidar com a situação econômica, que ficou conhecido como Agenda Brasil. — O objetivo da Agenda Brasil é o de melhorar o ambiente de negócios, conferir previsibilidade jurídica, recuperar os níveis de produtividade e a confiança dos agentes econômicos e retomar os níveis de investimento. Renan destacou a presença da presidente Dilma Rousseff na abertura do ano legislativo — o que havia acontecido apenas em 2011 — como "uma demonstração de quem busca o diálogo e procura soluções”. Ele pediu que as instituições atuem com responsabilidade, equilíbrio, bom senso e legalidade, para não "condenar a sociedade brasileira à desesperança". — Não somos e não seremos habitantes da fracassolândia. Os novos tempos pedem, exigem, que esqueçamos projetos pessoais e nos unamos em torno de um Brasil melhor, aquele que todos os brasileiros merecem — disse. Renan reafirmou o compromisso do Senado com austeridade, independência, isenção e transparência. Ele também defendeu a manutenção da independência do Poder Legislativo na busca de um novo pacto federativo, e cobrou da Câmara a convalidação dos incentivos fiscais aprovados no Senado, bem como o exame de outras pautas da agenda federativa em tramitação no Congresso. O presidente do Senado disse também que pretende deliberar com máxima urgência sobre uma agenda de ações emergenciais para estados e municípios. Renan explicou que após o carnaval será promulgada a proposta que estabelece janela para a migração partidária por tempo limitado. A medida, em sua avaliação, irá minimizar a “deterioração” da política brasileira, cuja facilidade para criar legendas dificulta a formação de maioria e provoca crises.