No dia 25 de novembro de 2015 um fato marcou a história do Congresso: o senador Delcídio Amaral (PT-MS), líder do governo Senado, foi preso por força de mandado expedido pelo Supremo Tribunal Federal. Mas, uma outra prisão foi amplamente divulgada pela imprensa, a do banqueiro André Esteves, principal sócio e CEO do banco de investimentos BTG-Pactual. Atento e curioso para entender todos os detalhes que cercam a prisão do banqueiro, bem como as acusações que pesam sobre André Esteves, o deputado federal JHC (PSB/AL) está colhendo assinaturas para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para trazer ao Congresso mais informações sobre o caso. No momento do seu encarceramento, o banqueiro figurava como o 12º homem mais rico do Brasil, segundo a revista Forbes. Várias reportagens noticiaram sua rápida ascensão profissional e material, desde seu início como estagiário no banco Pactual, onde passou a ser sócio em apenas em apenas seis anos, até a recompra do banco pelo ex-trainee, em 2009, ocasião em que adicionou ao nome original da empresa a sigla BTG, que quer dizer “back to the game” – ou “de volta ao jogo”, em inglês. “Interessante observar que todas as reportagens que noticiavam a prisão do banqueiro e ressaltavam sua escalada profissional chamavam a atenção para dois pontos principais: o arrojo de André Esteves e sua relação íntima com o Estado. Ponto fragoroso dessa jornada foi a compra do banco PAN-Americano, outrora de propriedade do empresário Silvio Santos, que foi comprado pelo BTG com garantias que a Caixa Econômica Federal concedeu em um intervalo curtíssimo de tempo. É urgente que o povo brasileiro saiba como se deram essas transações, e o Congresso terá papel fundamental com a instalação da CPI”, analisa JHC. Em seu texto de justificativa JHC aponta ainda que, mais recentemente, em agosto de 2015, o BTG foi escolhido pela Caixa para assumir sua carteira de inadimplência, carteira essa de R$ 3,8 bilhões de reais, valor apontado como inferior a 3% do preço de mercado. O BTG e André Esteves também foram envolvidos pela Operação Lava Jato, que investiga corrupção na Petrobras, já que o doleiro Alberto Youssef informou que a empresa pagara propina para que a BR Distribuidora, da Petrobras passasse a estampar, em 2012, a sua marca na rede de postos de gasolina DVBR, adquirida por André Esteves em 2008. “Durante o episódio da prisão do senador Delcídio do Amaral, precisamente à gravação em áudio que a provocou, relata-se que o banqueiro André Esteves possuía acesso aos termos de delações premiadas não homologadas pela Justiça, e que isso decorreria de vazamentos na operação. A esses fatos, há que se somar as volumosas doações partidárias feitas pelo BTG, sem qualquer indicação de vinculação ideológica, pois que doou para partidos das mais diversas matizes de pensamento”, aponta JHC. Ainda segundo o texto de justificativa: “O fato determinado da CPI que ora se busca criar é, portanto, a prisão do senhor André Esteves, os motivos de sua prisão – acesso à investigação sigilosa – e a ascensão da sua empresa, o BTG-Pactual, sempre em atividades relacionadas a favorecimentos do Estado.”