Na manhã desta terça-feira (17), a Câmara Municipal de Maceió realizou uma audiência pública referente ao Dia Nacional do Conselheiro Tutelar e, logo em seguida, uma sessão solene em homenagem a seis conselheiros que estão se despedindo da função na capital, após cerca de dez anos no exercício do cargo. O Dia Nacional do Conselheiro Tutelar é comemorado no país no dia 18 de novembro. Com a presença de gestores da prefeitura, do governo do Estado e dirigentes de entidades que representam a categoria, a Câmara antecipou as comemorações e entregou nesta terça a Comenda Amiga da Criança. Receberam a honraria os conselheiros tutelares Emanuel Monteiro, Ivaldo Santana, Marcelo Alves, Cecília Oliveira, Eunice Cerqueira e Gilvanete Davino. Ex-conselheiro Tutelar na região do Benedito Bentes, propositor da audiência pública e da sessão solene, o vereador Silvânio Barbosa (PSB) conduziu a cerimônia marcada por relatos emocionados entre os homenageados. Cecília Oliveira mencionou a angústia que sentia toda vez que não conseguia resolver um caso de abuso contra crianças. “Muitas vezes eu deixava de cuidar da minha filha para defender o direito dos filhos dos outros”, contou ela, sem esconder as lágrimas dirigindo o olhar aos familiares que acompanhavam a sessão. “Foram 10 anos e 6 meses de muito amor e aprendizado”, disse ela. Eunice Cerqueira aproveitou para mandar um recado para os 50 conselheiros tutelares que tomarão posse em janeiro de 2016. “Não trabalhem com achismos. Estudem, busquem se aperfeiçoar, compreender o direito. É fundamental que o conselheiro atue conforme a lei”, frisou ela, que interrompeu a carreira de administradora para ser conselheira, função que exerceu durante 9 anos e 10 meses. No período, ela se formou em Direito e agora pensa em advogar. Emanuel Monteiro, mais conhecido como Mano, dedicou a comenda que tinha acabado de receber ao vereador Silvânio Barbosa. “O Silvânio não recebeu esta comenda quando era conselheiro, por isso estendo a homenagem a ele”, disse, agradecendo a honraria, assim como fizeram os demais agraciadosGilvanete Davino, Marcelo Alves e Ivaldo Santana. Durante vários momentos da cerimônia, o presidente do Fórum de Conselheiros Tutelares de Alagoas,Edmilson de Souza, foi saudado como a principal referência na área. Em seu discurso, ele ressaltou a exigência crescente por uma formação continuada dos conselheiros. “Temos uma escola de conselhos em Alagoas que é referência nacional. A formação profissional dos conselheiros é uma bandeira de todos nós”, frisou Edmilson. A vereadora Silvânia Barbosa (PPS) também prestigiou a audiência pública e a sessão solene na Câmara que contou com a presença também da secretária municipal de Assistência Social, Celiany Rocha; da diretora de ensino da Secretaria Municipal de Educação, Sônia Moraes; do assessor especial da Secretaria Estadual de Prevenção à Violência, Ronaldo Targino, e da superintendente da criança e do adolescente da mesma secretaria, Alba Toledo. O presidente da Associação dos Conselheiros Tutelares, Arildo Alves; a coordenadora da Escola de Conselhos de Alagoas, Adriana Oliveira; e a delegada da Delegacia Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente, Adriana Gusmão, completaram a mesa de autoridades presentes na sessão, onde foram discutidas dificuldades relacionadas ao exercício do cargo, mas também avanços conquistados nos últimos anos na capital. Entre as melhorias, as conquistas trabalhistas como férias e 13º salário foram mencionadas. A delegada Adriana Gusmão enfatizou a importância de trabalhar em regime de colaboração com os conselheiros tutelares. A secretária de Assistência Social do município, Celiany Rocha, defendeu o fortalecimento da atuação em rede, com o permanente envolvimento de secretarias como Saúde e Educação, para melhor atuação dos conselhos. O vereador Silvânio Barbosa, emocionado ao lembrar de quando atuou como conselheiro no Benedito Bentes, mencionou o risco de morte que enfrentam os conselheiros, já que muitas vezes precisam lidar com criminosos. “Ser conselheiro é uma missão. Há quem critique e diga que muitos estão interessados em dinheiro, mas o salário sempre será pouco para quem arrisca a vida em defesa dos direitos do próximo, 24 horas por dia. Na verdade, quem já foi conselheiro nunca deixará de ser, está no sangue”, frisou o vereador.