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Empreendedores que encontraram nas franquias de repasse uma oportunidade de negócio
Modelo permite assumir negócios em funcionamento e pode reduzir o tempo de maturação da operação; cases mostram empreendedores que recuperaram unidades, ampliaram portfólios e alcançaram resultados expressivos
Entrar no franchising nem sempre significa começar uma operação do zero. O repasse de franquias, quando uma unidade já existente é transferida para um novo empreendedor, vem ganhando espaço como alternativa para quem busca assumir um negócio em funcionamento, com estrutura, equipe, processos e, em muitos casos, uma base de clientes já formada.
Os dados mais recentes da Associação Brasileira de Franchising (ABF) reforçam esse movimento. Em 2025, o repasse de operações representou 4,0% das movimentações do franchising, acima dos 3,4% registrados em 2024. No mesmo período, o setor alcançou o maior faturamento de sua história, com R$ 301,7 bilhões, alta nominal de 10,5%, e encerrou o ano com 202.444 operações em funcionamento no país.
O repasse é uma prática consolidada, especialmente em redes mais maduras. Em encontro jurídico realizado em 2025, especialistas destacaram que o modelo pode representar uma oportunidade de negócio, desde que a negociação seja conduzida com análise criteriosa, transparência e participação da franqueadora.
Mais do que uma alternativa para quem deseja empreender, o repasse também pode abrir espaço para multifranqueados ampliarem seus negócios, investidores assumirem operações com potencial de recuperação e profissionais experientes entrarem em segmentos nos quais já possuem conhecimento. A estratégia, porém, exige uma análise detalhada da unidade, incluindo histórico financeiro, contratos, equipe, ponto comercial, passivos e motivos que levaram o antigo franqueado a deixar a operação.
Na prática, histórias de empreendedores mostram que uma unidade repassada pode representar não apenas continuidade, mas também uma oportunidade de transformação do negócio. Abaixo seguem quatro histórias de franqueados que estão operando com muito sucesso os negócios;
Da recuperação de uma loja ao crescimento de 61% nas vendas- franqueada Calçados Bibi
Há dois anos, a empresária Isis de Fátima Bandeira de Melo, 69 anos, decidiu diversificar sua atuação no varejo ao lado do sócio e sobrinho, Victor Bandeira, ao assumir por repasse uma unidade da Calçados Bibi, em Manaus (AM).
Com 15 anos de experiência no franchising e seis unidades da rede sob sua gestão, Isis encontrou uma operação que atravessava um momento desafiador. A estratégia envolveu investimentos em divulgação, parcerias com o shopping, aproximação com os consumidores e acompanhamento próximo da operação.
O resultado veio nos primeiros nove meses: crescimento de 61% nas vendas. Para a empreendedora, o desempenho mostra que assumir uma unidade por repasse exige mais do que capital. “Gostar do que você faz é fundamental, principalmente quando assume uma operação que já tem uma história e precisa iniciar um novo ciclo. Na Bibi, temos todo o suporte da franqueadora, mas isso não significa que o empreendedor pode ficar acomodado”, afirma.
Experiência na educação vira oportunidade para uma nova franquia- Franqueada Ensina Mais Turma da Mônica
Aos 68 anos, a pedagoga, mestre em Psicopedagogia e neuropsicopedagoga Sandra Maria Guimarães encontrou no repasse uma forma de ampliar sua atuação profissional. Em agosto de 2026, ela assumiu uma unidade da Ensina Mais Turma da Mônica, levando para o negócio a experiência acumulada ao longo de seis anos à frente de uma clínica multidisciplinar.
Neste início de operação, o principal desafio é adaptar sua experiência na educação à dinâmica do franchising. “Apesar da minha experiência na área da educação, assumir uma franquia traz novos aprendizados. Neste primeiro momento, quero conhecer bem o sistema e unir minha trajetória profissional às ferramentas e ao modelo da Ensina Mais Turma da Mônica”, afirma.
Franqueado transforma gestão e quase dobra resultado de unidade- Prepara IA
Com experiência na rede Prepara IA desde 2013, o empresário Thiago Souto também encontrou no repasse uma estratégia para expandir sua atuação. Das cinco unidades que administra atualmente, três foram adquiridas por meio desse modelo e duas foram abertas do zero.
Na experiência mais recente, ao assumir uma escola em Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes (PE), encontrou problemas como alta inadimplência, pendências na entrega de materiais didáticos, baixo investimento em mídia e dificuldades comerciais.
Em vez de substituir a equipe, Souto manteve praticamente todos os colaboradores e reorganizou processos, desde a captação de alunos até cobrança e retenção. Também realizou pequenas melhorias na estrutura e investiu em equipamentos e materiais didáticos.
Em pouco mais de dois meses, a unidade passou a superar as expectativas e chegou a registrar resultado quase duas vezes superior ao do mês anterior.
“Eu acredito muito no potencial de uma operação de repasse, mas é preciso chegar disposto a fazer diferente. Se você repetir as mesmas ações e os mesmos processos, o resultado tende a continuar igual”, afirma.
Duas unidades, mais de 800 alunos e R$ 120 mil de faturamento mensal- franqueada da Rockfeller Language Center
A administradora Rosi Fernandes, 46 anos, encontrou no repasse uma oportunidade para entrar no franchising durante a pandemia. Ela assumiu duas unidades da Rockfeller Language Center em Santa Catarina, em Estreito e Centro, que já estavam estruturadas e tinham uma carteira de alunos formada.
Atualmente, as duas escolas somam mais de 800 alunos e faturam cerca de R$ 120 mil por mês. Segundo Rosi, assumir operações já conhecidas pelo mercado facilitou o processo e permitiu concentrar esforços na gestão, no relacionamento com alunos e no desenvolvimento da equipe. “O repasse te dá a liberdade e a oportunidade de ser mais assertivo. Mas, com ou sem repasse, é preciso querer fazer acontecer. Ninguém pode querer mais que você”, afirma.
Casal assume loja da Mundo Verde por repasse e aposta na recuperação do negócio
Em agosto de 2024, a administradora Estefany Brandão da Silva, de 32 anos, e o marido, o engenheiro Luís Gustavo Araújo Pereira, de 33, encontraram no repasse uma oportunidade para realizar o sonho de empreender juntos. Após conhecerem a Mundo Verde pelo site da Associação Brasileira de Franchising (ABF), descobriram que uma unidade da rede no Shopping Imperial estava disponível e decidiram avaliar o negócio.
Ao conhecerem a operação, encontraram uma loja com pouco estoque, equipe desmotivada e baixo fluxo de clientes. Em vez de enxergar apenas os desafios, o casal identificou potencial para recuperar a unidade e investiu na transformação da operação.
“Percebemos que o problema não era a falta de potencial da loja, mas a forma como a operação estava sendo conduzida. Vimos uma oportunidade de transformar aquela realidade, recuperar a confiança dos clientes e construir uma loja muito mais forte”, conta Estefany.
A escolha pelo repasse permitiu ao casal assumir uma estrutura já existente e direcionar seus esforços à recuperação do negócio. Mais do que entrar no franchising, os dois encontraram a oportunidade de colocar suas ideias em prática, superar desafios e construir juntos uma trajetória empreendedora.
De colaboradora a franqueada: trajetória na Royal Face abre caminho para expansão
Dalila Kuster construiu sua trajetória na Royal Face a partir da experiência adquirida dentro da própria rede. Formada em Radiologia, começou como consultora e avaliadora, avançou para a gerência e participou da implantação da unidade de Arujá (SP). Posteriormente, como assessora, passou a acompanhar 36 clínicas pelo país, ampliando sua experiência em gestão e estratégia.
O conhecimento acumulado abriu caminho para seu primeiro passo como franqueada: a aquisição da unidade de Arujá, onde já atuava como gestora. Com a experiência positiva, Dalila expandiu sua atuação ao adquirir, por meio de repasse, a unidade de Mogi das Cruzes (SP). No novo negócio, implementou uma estratégia de gestão que transformou a operação.
Sua trajetória mostra como a experiência no dia a dia de uma rede pode se tornar um diferencial na hora de assumir uma franquia. Ao conhecer os processos, a cultura da marca e os desafios da operação, Dalila transformou sua vivência profissional em uma oportunidade de crescimento e ampliação de seu portfólio de negócios.
Fonte: Assessoria