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Filho sem motivação para estudar? E se a solução estiver no videogame que ele tanto ama?

15/10/2026
Filho sem motivação para estudar? E se a solução estiver no videogame que ele tanto ama?

A diferença entre persistir e desistir pode estar na forma como o desafio é apresentado, afirma especialista

Pais, eu sei que você vê seu filho jogando por horas sem parar e sem desistir, mas, quando o assunto são os estudos, ele nem sempre demonstra a mesma persistência, né? Se o seu filho ama videogame, a boa notícia é que dá para você usar as estratégias do videogame a favor do aprendizado dele.

Nos jogos, o objetivo é claro, o jogador recebe indicações sobre seus erros, acompanha a própria evolução e tenta novamente. No aprendizado, esses mesmos mecanismos tornam as dificuldades visíveis, ajudam a reconhecer pequenos avanços e mostram o que precisa ser ajustado no desempenho.

O potencial desses recursos também é investigado pela ciência. Uma meta-análise de 22 estudos experimentais, publicada em 2024 no British Journal of Educational Technology, apontou um efeito moderadamente positivo da gamificação no desempenho dos alunos em testes, embora seus resultados ainda sejam debatidos na literatura. Isso não significa que os jogos substituam o professor, mas que alguns de seus recursos podem funcionar como ferramentas complementares de aprendizagem.

Essa discussão ganha relevância neste período do ano, quando muitos estudantes entram em recuperação ou se preparam para as provas finais. A forma como os jogos apresentam os desafios ajuda a compreender por que alguns jovens se envolvem por horas em atividades difíceis, mas encontram resistência diante dos livros.

“Nos games, o erro raramente é uma sentença final. Ele indica que a estratégia precisa mudar e, em geral, oferece uma nova oportunidade. No estudo, muitos alunos veem a nota e passam direto para a próxima atividade. Sem entender o que aconteceu, uma dificuldade pontual pode ser lida como prova de incapacidade”, afirma Victor Cornetta, especialista em desenvolvimento estudantil e fundador da Kaizen Mentoria.

Um dos principais diferenciais está na percepção do progresso, que nos games é visual e imediata. Nos estudos, como os resultados podem demorar a aparecer, reconhecer pequenas conquistas ao longo do caminho é fundamental. “Se o aluno passa de cinco para oito acertos em determinado tipo de questão ou reduz uma falha recorrente, já há avanço. Tornar isso visível ajuda o estudante a perceber que está evoluindo e dá sentido ao próximo passo”, reforça Cornetta.

Por isso, o foco do reforço escolar deve estar menos no tempo dedicado aos livros e mais na compreensão do que precisa ser corrigido. Uma questão errada pode revelar se o jovem não entendeu o conteúdo, confundiu um conceito ou não soube aplicar o que já sabia.

"Antes de perguntar 'quantas horas preciso estudar?', é preciso perguntar 'o que me fez errar?'. Quando identifica a origem do problema, o estudante consegue escolher uma estratégia mais adequada", explica Cornetta.

É preciso considerar, no entanto, a realidade dos jovens: jogar sempre será uma atividade mais confortável e divertida do que estudar, e o lazer é a escolha natural para qualquer adolescente. Contudo, adaptar a lógica dos games para o aprendizado facilita essa jornada e, com o tempo, ajuda o aluno a tomar gosto pelo estudo ao perceber sua própria evolução. A lição não é fingir que estudar é tão prazeroso quanto um game, mas aproveitar os mecanismos que tornam o processo mais claro e engajador.

Para pais e responsáveis, isso também muda a conversa durante a recuperação. Em vez de perguntar apenas quanto o filho estudou ou qual foi a nota, vale saber o que ele descobriu sobre a própria dificuldade e qual será o próximo passo.

"Estudar não é permanecer diante de um livro por certo número de horas. O aluno precisa saber o que quer aprender, perceber onde erra e avaliar se a estratégia está funcionando. Assim, recuperar uma nota vira uma oportunidade de aprender a estudar com mais consciência", conclui.

Fonte: Assessoria