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Empresas precisam rever processos para transformar tecnologia em resultados
A transformação digital vai muito além da compra de sistemas, plataformas e ferramentas de inteligência artificial. Para Rodrigo de Castro Cavalcante, conselheiro da Associação TrendsInnovation, o principal desafio das empresas está na capacidade de rever processos, preparar equipes e adaptar modelos de gestão para transformar a tecnologia em resultados concretos.
Segundo o especialista, muitas organizações investem em inovação sem enfrentar problemas internos, como processos burocráticos, departamentos pouco integrados e decisões excessivamente centralizadas. O resultado pode ser a automação de rotinas ineficientes, sem ganhos reais de produtividade ou competitividade.
“A tecnologia precisa ser um instrumento de transformação organizacional, e não apenas uma aquisição”, é a ideia central defendida por Cavalcante. Para ele, antes de implementar novas ferramentas, as empresas precisam identificar quais problemas desejam resolver, como o trabalho será reorganizado e quais indicadores permitirão avaliar os resultados.
Nesse cenário, a governança corporativa ganha importância estratégica. Os conselhos de administração precisam acompanhar não apenas os investimentos em tecnologia, mas também o nível de adoção das ferramentas pelas equipes, a evolução dos processos e os impactos sobre a experiência dos clientes. Indicadores como redução do tempo de lançamento de produtos, grau de automação e desenvolvimento das competências digitais ajudam a medir se a transformação está, de fato, acontecendo.
A preparação dos profissionais também é um fator decisivo. Com a inteligência artificial e a automação assumindo tarefas repetitivas, cresce a necessidade de qualificação em áreas como análise de dados, gestão de processos e experiência do cliente. Sem treinamento adequado, a tecnologia corre o risco de gerar frustração e ampliar as dificuldades de adaptação dentro das organizações.
Outro ponto de atenção é modernizar a operação sem comprometer as atividades que sustentam o negócio. A recomendação é avançar de forma gradual, mapeando processos, eliminando gargalos e documentando conhecimentos que muitas vezes permanecem concentrados em determinados profissionais. Só depois dessa organização faz sentido automatizar as etapas que realmente podem gerar ganhos.
Para Cavalcante, o desafio das empresas é equilibrar inovação, eficiência e controle, sem perder de vista aspectos como transparência, ética e identidade organizacional. Em vez de concentrar as discussões estratégicas na próxima ferramenta a ser adquirida, os gestores devem priorizar os problemas que precisam ser resolvidos e as mudanças necessárias para alcançar os resultados esperados.
O diferencial competitivo, nesse contexto, não estará necessariamente no acesso às tecnologias mais avançadas, mas na capacidade de integrar pessoas, processos, inovação e governança para aprender, adaptar-se e gerar valor continuamente.
Rodrigo de Castro Cavalcante é conselheiro da Associação TrendsInnovation, bacharel em Análise de Sistemas e especialista em Fintech e Embedded Finance pela Universidade Harvard.
Fonte: Assessoria