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Instituto João José Pereira: cultura, identidade e preservação dos saberes tradicionais de Alagoas

08/10/2026
Instituto João José Pereira: cultura, identidade e preservação dos saberes tradicionais de Alagoas

Em Alagoas, a cultura não está apenas nos livros, nos museus ou nos registros históricos. Ela está nas mãos das mestras e dos mestres, nos terreiros das comunidades, nas aldeias indígenas, nos folguedos, nas músicas, nas danças, no artesanato, na oralidade e nos modos de fazer transmitidos de geração em geração.

É nesse território de memórias, identidades e saberes que o Instituto João José Pereira vem construindo sua trajetória como importante agente de valorização, preservação e salvaguarda do patrimônio cultural alagoano.
Essa atuação faz da instituição um verdadeiro celeiro de cultura popular, reunindo experiências que ultrapassam a realização de eventos e apresentações. São ações que buscam fortalecer os vínculos das comunidades com suas próprias histórias e criar caminhos para que crianças, jovens e adultos reconheçam a cultura como parte fundamental de sua identidade.

No terceiro setor, essa perspectiva assume uma dimensão ainda mais significativa. Preservar uma manifestação cultural não significa simplesmente mantê-la em atividade. Significa proteger os conhecimentos que a sustentam, valorizar aqueles que os carregam e garantir que esses saberes possam continuar sendo transmitidos às próximas gerações.

Pastoril Nossa Senhora Divina Pastora: 46 anos de tradição

Entre os principais patrimônios culturais vinculados ao Instituto está o Pastoril Nossa Senhora Divina Pastora, coordenado por Maria Auxiliadora, conhecida como Tia Dora, que está à frente dessa manifestação há 46 anos.

As apresentações acontecem durante todo o ano, participando de quermesses, festas de padroeiras, festivais, feiras e eventos religiosos. O grupo percorre diferentes localidades, levando ao público uma manifestação que reúne música, dança, expressão corporal, memória e tradição.

Nesse contexto, o Pastoril deixa de ser apenas uma apresentação artística. Torna-se um espaço de transmissão de conhecimento, formação de novos brincantes e continuidade de uma tradição que integra a memória cultural de Alagoas.

Artesanato: quando o saber das mãos preserva a memória

O artesanato ocupa igualmente lugar estratégico nas ações desenvolvidas pelo Instituto João José Pereira.
Cada técnica representa um conjunto de conhecimentos. Há uma maneira própria de selecionar materiais, utilizar ferramentas, executar pontos, construir formas e transmitir o conhecimento.

O artesanato também produz efeitos sociais e econômicos. A atividade promove convivência, estimula a criatividade, fortalece vínculos e possibilita que os participantes reconheçam o valor cultural e produtivo de suas próprias habilidades.

Corte e costura: conhecimento que gera autonomia

No curso de corte e costura, coordenado por Amalrisa, já foram capacitadas 130 mulheres do município de Junqueiro.

No espaço de formação, as participantes aprendem a utilizar materiais, ferramentas e técnicas de costura, ampliando suas capacidades e conhecimentos. Ao mesmo tempo, encontram um ambiente de convivência, troca de experiências e fortalecimento comunitário.

Assim, o curso de corte e costura transforma uma habilidade técnica em instrumento de formação social, cultural e produtiva.

Desenho e pintura: novas linguagens para novos olhares

Ensinar um jovem a desenhar e pintar não significa apenas desenvolver uma habilidade artística. Significa oferecer ferramentas para a comunicação, a criatividade, a percepção e a construção de identidade.

O contato com a produção artística amplia repertórios e permite que esses jovens compreendam a arte não apenas como expressão estética, mas também como instrumento de transformação.

A cultura indígena como território de identidade e pertencimento

Uma das dimensões mais significativas da atuação do Instituto João José Pereira está na realização de ações voltadas às comunidades indígenas de Alagoas.

Nessas comunidades, o Instituto desenvolve projetos direcionados ao fortalecimento da identidade cultural e artística, reconhecendo que a salvaguarda do patrimônio indígena passa necessariamente pela valorização dos saberes, dos símbolos, dos modos de fazer, da memória coletiva e das formas próprias de expressão de cada povo.

Entre essas experiências está o projeto “Eu Kariri-Xocó”, desenvolvido em Porto Real do Colégio.

A iniciativa estabelece uma relação direta com a identidade do povo Kariri-Xocó, valorizando suas referências culturais e artísticas e criando espaços para que os próprios conhecimentos da comunidade sejam reconhecidos como patrimônio vivo.

Outra experiência é o projeto “A Identidade do Povo Karapotó-Plaki-ô”, desenvolvido no município de São Sebastião.

A iniciativa atua diretamente na valorização das expressões culturais do povo Karapotó-Plaki-ô, contemplando ações relacionadas ao artesanato, à cerâmica e aos elementos simbólicos que integram sua identidade.

Entre as ações desenvolvidas está a implantação de forno destinado à queima da cerâmica, criando condições para que o conhecimento tradicional associado à produção cerâmica possa ser praticado, aperfeiçoado e transmitido dentro da própria comunidade.

Fonte: Assessoria