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Processos de violência doméstica crescem 370% em Alagoas

14/09/2026
Processos de violência doméstica crescem 370% em Alagoas
Fotos: Estado recebeu 5.230 novas ações até julho, média de 25 por dia; especialista alerta para a subnotificação | Adobe Stock

O número de novos processos relacionados à violência doméstica contra a mulher cresceu 369,84% em cinco anos em Alagoas. Foram 1.535 ações em 2020 e 7.212 em 2025, segundo levantamento baseado no Painel de Violência contra a Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Entre janeiro e julho de 2026, a Justiça alagoana recebeu outros 5.230 processos, média de 24,67 por dia. O resultado de 2025 também representou um aumento de 9,46% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 6.589 novas ações.

Em todo o Brasil, foram registrados 742.279 novos processos até julho deste ano, média de 3.501 por dia. O total anual passou de 599.472, em 2020, para 1.133.556, em 2025, alta de 89,09%.

Para o advogado criminalista Fábio Tavolassi, o avanço dos processos pode refletir uma maior procura pelos canais de denúncia e proteção.

“O aumento pode indicar que mais mulheres estão reconhecendo a violência, procurando ajuda e denunciando os agressores. Hoje há maior divulgação da Lei Maria da Penha, das medidas protetivas e dos canais de atendimento. Com isso, situações que antes permaneciam escondidas começam a chegar à polícia e à Justiça”, explica.

O crescimento de quase 370% em Alagoas, portanto, não permite concluir que as ocorrências tenham aumentado na mesma proporção. Os dados mostram quantas situações chegaram ao Judiciário, mas não abrangem os episódios que permanecem sem denúncia.

“Os dados do CNJ mostram apenas as situações que chegaram ao Judiciário. Muitos episódios não são denunciados e, por isso, ficam fora das estatísticas processuais”, afirma Tavolassi.

O medo de novas agressões e ameaças, a dependência financeira ou emocional, a vergonha e a falta de apoio podem dificultar a procura por ajuda. Também existem vítimas que demoram a reconhecer a violência quando ela não envolve agressões físicas.

“Por isso, o número real de vítimas pode ser muito maior”, ressalta.

Sinais não devem ser ignorados

A violência doméstica pode envolver comportamentos que controlam, intimidam ou restringem a liberdade da mulher.

“A violência doméstica não começa somente com uma agressão física. Ameaças, humilhações, perseguição, controle do dinheiro, isolamento de amigos e familiares, invasão do celular, destruição de objetos e coerção sexual também precisam ser considerados”, alerta o advogado.

Essas condutas podem se tornar mais frequentes e graves com o tempo. A Lei Maria da Penha também pode ser aplicada a situações envolvendo ex-companheiros, mesmo quando o casal não vive mais na mesma residência.

Em caso de risco imediato, a mulher deve procurar um local seguro e ligar para a Polícia Militar pelo número 190. O Ligue 180 funciona 24 horas por dia e orienta sobre os serviços disponíveis.

“Se for possível, é importante guardar mensagens, áudios, fotografias, relatórios médicos e contatos de testemunhas. Esses materiais podem ajudar na investigação. No entanto, a mulher não deve adiar o pedido de ajuda por achar que ainda não possui provas suficientes”, orienta Tavolassi.

Fonte: Assessoria