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Financiamento imobiliário cresce 6,6%, mas comprador ainda precisa de entrada superior a 35%, afirma especialista

03/09/2026
Financiamento imobiliário cresce 6,6%, mas comprador ainda precisa de entrada superior a 35%, afirma especialista
Fotos: Mais de 507 mil imóveis foram financiados no primeiro semestre; consultor alerta que aprovação do crédito é apenas uma parte da decisão de compra | Divulgação

O número de imóveis residenciais financiados voltou a crescer no Brasil, mas o acesso ao crédito ainda exige um esforço financeiro significativo das famílias. No primeiro semestre de 2026, 507.299 casas e apartamentos foram adquiridos por meio de financiamento, alta de 6,6% em relação às 475.748 operações registradas no mesmo período de 2025. Apesar do avanço, os compradores precisaram desembolsar, em média, mais de 35% do valor do imóvel como entrada.

Os dados foram divulgados pela Trillia, linha de negócios da B3 voltada a dados, analytics e inteligência artificial. Entre janeiro e junho, o financiamento cobriu, em média, 64,8% do valor dos apartamentos e 62,8% do preço das casas. Na prática, para um imóvel de R$ 500 mil, por exemplo, uma entrada de 35% representaria R$ 175 mil antes mesmo de considerar os demais custos envolvidos na aquisição.

Para o consultor em investimentos imobiliários e fundador da Jarvis Inteligência Imobiliária, Lauro Braga, o crescimento das operações é um sinal importante para o mercado, mas não significa, isoladamente, que a compra da casa própria tenha se tornado mais acessível.

“Existe uma diferença entre conseguir crédito e estar financeiramente preparado para comprar um imóvel. A aprovação do banco mostra que aquela pessoa atende aos critérios da instituição para assumir a dívida, mas a decisão precisa considerar o impacto que esse financiamento terá no orçamento durante muitos anos. A parcela é apenas uma parte dessa conta”, explica.

O levantamento também mostra que o crescimento não ocorreu de maneira uniforme. As casas puxaram a alta dos financiamentos, passando de 255.776 unidades no primeiro semestre de 2025 para 285.900 em 2026, avanço de 11,8%. Entre os apartamentos, o crescimento foi de apenas 0,6%, de 219.972 para 221.329 unidades.

PARCELAS - Um dos principais cuidados, segundo Lauro, é não escolher o imóvel considerando apenas o valor da prestação apresentada durante a simulação do financiamento. Além da entrada e das parcelas mensais, a aquisição envolve despesas como impostos, registro, escritura, seguros e, dependendo do imóvel, condomínio, manutenção e outros custos recorrentes.

O prazo também interfere diretamente na decisão. Financiamentos imobiliários podem acompanhar uma família durante décadas e, por isso, precisam ser analisados considerando não apenas a renda atual, mas a capacidade de manter o compromisso financeiro ao longo dos anos.

“Quando alguém pergunta se consegue comprar determinado imóvel, a primeira resposta não deveria vir apenas de uma simulação bancária. É preciso olhar quanto essa pessoa possui para a entrada, quanto da renda ficará comprometido, quais reservas permanecerão depois da compra e quais outros objetivos financeiros ela possui. Comprar um imóvel sem margem para imprevistos pode transformar uma conquista em uma fonte permanente de pressão sobre o orçamento”, afirma Lauro.

O cenário atual também exige atenção às condições do crédito. Dados do Banco Central referentes a julho mostram diferenças relevantes entre as taxas praticadas pelas instituições financeiras no financiamento imobiliário com taxas de mercado referenciadas pela TR, reforçando a importância de comparar propostas antes de fechar o contrato.

Para Lauro, o crescimento dos financiamentos mostra que o crédito continua sendo uma ferramenta fundamental para o acesso à moradia, mas a decisão de compra precisa começar antes da aprovação bancária. “Financiamento não deve ser analisado apenas pela pergunta ‘a parcela cabe no meu salário?’. A questão mais importante é entender se a compra cabe no planejamento financeiro da família. Quanto maior o prazo do compromisso, mais importante é tomar essa decisão olhando para o conjunto e não apenas para a prestação do mês seguinte”, conclui.

Fonte: Tríade Comunicação