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Ufal reúne comunidade científica durante diplomação de novos membros da ABC
Juliana Gomes
A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) foi palco, na última terça-feira (1º) do "Simpósio e Diplomação de novos membros afiliados – Regional Nordeste e Espírito Santo 2026-2030". O evento aconteceu no auditório Professor Nabuco Lopes, localizado na Reitoria da Ufal, contando com diversas personalidades da Academia Brasileira de Ciências (ABC).
A cerimônia contou com uma mesa de abertura, composta pelo reitor Josealdo Tonholo, o vice-presidente regional da ABC, Anderson Gomes; o vice-reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Moacyr Araujo; a secretária de estado da ciência, da tecnologia e inovação de Alagoas, Meirejane Ataíde e a pró-reitora de Pesquisa e Pós-graduação, Iraildes Pereira.
Para dar início às falas de abertura, a presidente da ABC, Helena Nader, participou virtualmente do evento e desejou boas-vindas aos novos membros. "Ao assumirem esse posto, vocês se tornam guardiões da ética em nossas universidades e institutos. A palavra de um cientista na ABC precisa ser sinônimo de confiança e retidão. Além disso, a responsabilidade é uma contribuição. Fazer científico não pode ser dissociado do fazer humano", destacou.
Dando continuidade a programação, o vice-reitor da UFPE, Moacyr Araujo, destacando a importância desse momento para ciência brasileira, disse se sentir "muito honrado e muito feliz e contente de estar aqui hoje nessa cerimônia de afiliação dos novos membros da Academia Brasileira de Ciência".
Em seguida a pró-reitora de pós-graduação, Iraildes Pereira ressaltou a importância do ingresso da professora Aline Cavalcanti como um dos membros da academia. "Esse reconhecimento muito me orgulha, muito orgulha a nossa Academia, com certeza Aline ainda tem muito o que oferecer, o que trazer de novidade e de novos metas para resolução de problemas urgentes da sociedade alagoana e a nível nacional e internacional", ressaltou.
Já durante a fala de boas-vindas do reitor da Ufal, Josealdo Tonholo, ele destacou os avanços na educação da região Nordeste e a sua potência: "A região Nordeste tem abraçado essa causa e tem feito diferença nos últimos anos. Ainda temos essas desigualdades, patamares muito sérios para ser atingidos, para dizer que está numa posição de igualdade com o resto do Brasil, mas a gente vem diminuindo, diminuindo sistematicamente as nossas diferenças", frisou.
Debates COP30
Dando continuidade à solenidade, a programação contou também com um momento de debates com uma sessão intitulada "Oceanos e Zona Costeira: Conexões Invisíveis na agenda climática". A sessão contou com a coordenação do professor e pesquisador, Luiz Drude e como debatedores: a professora e pesquisadora da UFPE, Beatrice Padovani; o professor e pesquisador, Mário Luiz; a professora e pesquisadora, Margareth Copertino; o vice-reitor da UFPE, Moacyr Araujo e como relatora, a professora Enelise Katia.
Ao longo da série, o professor Luiz Drude explicou a escolha do tema e a urgência em debater sobre a temática. "Coisa mais importante é a necessidade urgente de políticas públicas do oceano, tentando diminuir, mitigar os impactos das mudanças climáticas globais sobre o oceano", explica.
Durante sua participação, Moacyr Araújo abordou as conexões entre os oceanos e a crise climática, destacando a necessidade de ampliar a presença dos ambientes marinhos nas discussões sobre políticas climáticas. O pesquisador também chamou atenção para o potencial da região Nordeste na geração de energia oceânica, considerando características como as diferenças de temperatura e a intensidade das correntes marítimas.
Araújo defendeu ainda uma revisão sobre a forma como os oceanos são considerados nas discussões internacionais relacionadas às responsabilidades climáticas. Segundo ele, é necessário reconhecer a contribuição dos ecossistemas marinhos, assim como das florestas, para o equilíbrio climático e para a absorção de carbono.
A professora Beatrice Padovani apresentou reflexões sobre a saúde dos recifes de coral e os impactos provocados pelo aumento da temperatura dos oceanos. Segundo ela, os recifes são ecossistemas extremamente sensíveis às mudanças climáticas e podem funcionar como importantes indicadores das transformações ambientais.
“Os recifes de coral são chamados de ‘canário da mina’”, explicou a pesquisadora, ao destacar que esses ecossistemas podem servir como um sinal de alerta diante das alterações climáticas. O aumento da temperatura da água pode provocar o branqueamento dos corais e, consequentemente, comprometer a biodiversidade e os diversos serviços ecossistêmicos oferecidos por esses ambientes.
Padovani também ressaltou a importância do monitoramento de longo prazo para acompanhar as mudanças nos recifes e compreender os efeitos da intensificação das ondas de calor marinhas. Para a pesquisadora, além da continuidade das pesquisas, é fundamental ampliar a participação das comunidades e incorporar os saberes locais à produção científica.
Na sequência, Mário Luiz abordou os impactos da emergência climática sobre os manguezais e defendeu uma aproximação maior entre a produção científica e os processos de formulação de políticas públicas. O pesquisador apresentou experiências de monitoramento realizadas ao longo de décadas, que permitiram acompanhar processos de adaptação desses ecossistemas diante da elevação do nível do mar.
Segundo ele, o conhecimento produzido pela ciência precisa ultrapassar os espaços acadêmicos e contribuir de forma mais direta para a tomada de decisões. “Não adianta a gente gerar o conhecimento” se ele não for incorporado aos processos de gestão, defendeu. Para o pesquisador, cientistas também precisam atuar de forma mais próxima dos gestores e formuladores de políticas públicas.
Mário Luiz destacou ainda a importância de integrar os conhecimentos científicos aos saberes tradicionais e populares, além de considerar a dimensão socioambiental na análise da vulnerabilidade dos manguezais. Ao final, defendeu o fortalecimento das estratégias de conservação como forma de ampliar a resiliência e a capacidade de adaptação desses ecossistemas.
Encerrando as apresentações, Margareth Copertino apresentou uma síntese de estudos produzidos por pesquisadores brasileiros sobre os impactos das mudanças climáticas nos ecossistemas marinhos e costeiros. A pesquisadora destacou que esses ambientes enfrentam, simultaneamente, os efeitos das alterações climáticas e diferentes pressões provocadas pelas atividades humanas, como urbanização, poluição, pesca e exploração de recursos naturais.
Conferência Magna
Além dos debates, a solenidade também contou com a Conferência Magna, reunindo pesquisadores de diferentes instituições para apresentar estudos e trajetórias científicas desenvolvidas em diversas áreas do conhecimento.
A programação contou com a participação da professora do Instituto de Química e Biotecnologia (IQB) da Ufal e membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Marília Goulart, que ministrou a aula intitulada “Transformando passivos ambientais em ativos de conhecimento e desenvolvimento”.
A professora de Ciências da Saúde da Ufal e nova membro afiliada da ABC, Aline Cavalcanti, apresentou sua trajetória de pesquisa por meio da palestra “Inovações farmacológicas e diagnósticas no combate à leishmaniose e ao glioblastoma: uma trajetória científica”.
Também participaram da Conferência Magna o professor de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Cariri (UFCA), Claudener Teixeira, com a apresentação “Lectinas: ferramentas moleculares de reconhecimento de carboidratos e suas aplicações biotecnológicas”; e o professor de Ciências Biológicas da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Sandeep Tiwari, que apresentou o tema “Do genoma à interação patógeno-hospedeiro: abordagens bioinformáticas para a descoberta de alvos terapêuticos e vacinais”.
As apresentações evidenciaram a diversidade das pesquisas desenvolvidas pelos cientistas e a contribuição da produção científica para o enfrentamento de desafios ambientais, sociais e relacionados à saúde, além do desenvolvimento de novas tecnologias e soluções para a sociedade.
Diplomação dos novos membros da ABC
Finalizando a cerimônia, aconteceu a saudação dos novos membros afiliados com o professor da Ufal, Marcio Henrique e a saudação em nome dos novos membros afiliados da professora e nova membro, Aline Cavalcanti.
Durante o momento, a professora Aline Cavalcanti afirmou que a afiliação significa um marco em sua carreira, "Como docente cuja formação acadêmica foi construída integralmente na Universidade Federal de Alagoas, da graduação ao doutorado, ser diplomada no auditório da Reitoria da Ufal traz um sentimento indescritível de pertencimento, orgulho e profunda gratidão", disse Aline.
Em seu discurso, a docente também destacou sua trajetória acadêmica e científica, marcada pela formação e atuação na Ufal, além da importância do reconhecimento concedido pela ABC. Para Aline, a diplomação representa não apenas uma conquista individual, mas também o resultado de uma caminhada construída coletivamente, com a contribuição de professores, pesquisadores, estudantes e instituições que fizeram parte de sua formação e de sua trajetória profissional.
O momento encerrou a cerimônia de diplomação dos novos membros afiliados da ABC, celebrando o reconhecimento de jovens pesquisadores e pesquisadoras e reforçando a importância da ciência e da produção de conhecimento desenvolvida nas instituições de ensino e pesquisa do país.