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Conasa Águas do Sertão apoia 7ª Expedição Científica do Baixo São Francisco
Aline Angeli
A Conasa Águas do Sertão é apoiadora da 7ª Expedição Científica do Baixo São Francisco, iniciativa da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) que percorre o rio entre a foz e a Usina Hidrelétrica de Xingó, levando pesquisa, saúde e cidadania às comunidades ribeirinhas. O lançamento oficial da edição 2026 aconteceu nesta segunda-feira (1º), durante o evento de celebração dos 4 anos da concessionária, na Estação de Tratamento de Esgoto de Santana do Ipanema.
Considerada a maior expedição científica do Brasil, o programa reúne cerca de 90 pesquisadores de diversas instituições, que trabalham em mais de 35 linhas de pesquisa ao longo de dez dias. Entre as áreas estudadas estão qualidade da água, contaminantes, pesca, ictiofauna, biodiversidade, saúde pública, arqueologia subaquática, mata ciliar, microplásticos e agrotóxicos.
"Levaremos saúde, ciência, conhecimento e cidadania ao povo ribeirinho. Esse é o papel da Universidade: buscar melhorar a vida do cidadão", afirmou Eliane Cavalcanti, vice-reitora da Ufal, durante o lançamento.
Ciência a serviço do rio e das pessoas
A Expedição Científica do Baixo São Francisco nasceu em 2018 e já realizou seis edições, consolidando-se como o mais completo diagnóstico ambiental e social do rio. O trabalho já produziu livros, cartilhas e artigos científicos, além de mapear áreas de desmatamento, assoreamento, contaminação por agrotóxicos e metais pesados, e identificar 20 sítios arqueológicos submersos.

"Não existe no São Francisco, atualmente, trabalho que tenha o nível de detalhamento que nós temos. As ações do Ministério Público no Alto São Francisco estão sendo norteadas pelo nosso trabalho aqui no Baixo", destacou o professor Emerson Carlos Soares, coordenador da expedição. "Nós mapeamos todo o Baixo São Francisco. Sabemos quais são as áreas mais desmatadas, as que têm problemas com assoreamento, onde está o agrotóxico. A informação está disponibilizada — basta que se leia e se busque a parceria."
Entre os achados mais recentes estão a presença de microplásticos em camarões pescados no rio, a identificação de agrotóxicos proibidos pela legislação em pontos de captação de água para abastecimento urbano, e o mapeamento de regiões endêmicas de parasitoses como giardíase e amebíase — doenças que, segundo o professor Emerson, "não eram para mais existir".
Saneamento e ciência caminham juntos
A presença da Conasa Águas do Sertão como apoiadora reforça a conexão entre saneamento básico e saúde ambiental. Muitos dos problemas identificados pelos pesquisadores — contaminação por esgoto não tratado, microplásticos, falta de infraestrutura sanitária nas comunidades ribeirinhas — estão diretamente relacionados à ausência de sistemas adequados de coleta e tratamento de esgoto.
"A gente vê a necessidade do saneamento básico. Doenças de quarto mundo estão ali porque não há tratamento de esgoto eficiente", afirmou o professor Emerson, ao apresentar os dados de parasitoses na região entre Igreja Nova e São Brás.

A concessionária, que atua em 40 municípios do Baixo São Francisco, Agreste e Sertão de Alagoas, já investiu R$ 169 milhões em esgotamento sanitário desde 2022, com 180 quilômetros de rede coletora implantados e mais de 18 mil novas ligações de esgoto. Sete municípios tiveram expansão da infraestrutura de esgotamento, incluindo Santana do Ipanema, onde está localizada a ETE que sediou o evento.
"Apoiar a Expedição Científica é apoiar o conhecimento que fundamenta nosso trabalho. Os dados produzidos pelos pesquisadores mostram exatamente onde o saneamento precisa chegar e por que ele transforma vidas. É ciência e infraestrutura trabalhando juntas pelo mesmo objetivo: saúde e dignidade para as comunidades do São Francisco", afirma Akira Kuriyama, diretor operacional da Conasa Águas do Sertão.
Parceria que se renova
A Expedição Científica do Baixo São Francisco é realizada pela Ufal em parceria com o Comitê de Bacia Hidrográfica do São Francisco (CBHSF), Fapeal, Embrapa, Codevasf, UFS, Emater, UFPB, Unir, Semarh-AL, UFRPE, MCTI e Inpi, entre outras instituições. A Conasa Águas do Sertão se junta ao grupo de apoiadores na edição 2026.
"Quem comemora não é só a empresa, é o cidadão, são as instituições", afirmou a vice-reitora da Ufal.
A 7ª Expedição Científica do Baixo São Francisco será realizada em novembro de 2026, percorrendo os municípios ribeirinhos de Alagoas e Sergipe. Os resultados serão compilados em relatório técnico e publicações científicas, disponibilizados gratuitamente no site da Ufal.