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Acompanhar os estudos dos filhos é cuidado ou pode estimular a dependência?
Especialista explica como identificar quando a supervisão dos pais deixa de ser apoio
Acompanhar os estudos dos filhos costuma ser visto como uma demonstração de cuidado. Conferir a agenda, lembrar a data da prova, ajudar na lição e organizar a rotina parecem formas naturais de estar presente. Mas e quando essa ajuda começa a fazer por ele aquilo que ele deveria aprender a fazer sozinho?
A ajuda dos pais pode resolver uma dificuldade imediata, mas também atrasar o desenvolvimento da autonomia necessária para que o jovem organize os estudos e enfrente os próprios desafios. Esse processo se torna ainda mais complexo em uma rotina repleta de estímulos.
A pesquisa “Adolescência sem Filtro”, realizada pelo Instituto Alana em parceria com a KOGA, unidade de estudos comportamentais da DOJO, e divulgada em agosto de 2026, ouviu 505 adolescentes de 13 a 17 anos em todas as regiões do país. Metade afirma passar mais tempo on-line do que gostaria, 41% se sentem mais dependentes do celular e 39% dizem ter perdido tempo de estudo por causa da internet.
Os números ajudam a colocar em perspectiva um desafio que vai além do tempo de tela: crianças e adolescentes também precisam aprender a administrar a própria atenção e a fazer escolhas sobre como usar o tempo disponível, à medida que passam a ter mais responsabilidades escolares com menos supervisão dos adultos.
Para Victor Cornetta, especialista em desenvolvimento estudantil e fundador da Kaizen Mentoria, alguns comportamentos costumam anteceder a queda no desempenho escolar:
- Dependência para decisões simples, como escolher qual matéria priorizar ou acompanhar cada etapa de uma atividade
- Procrastinação recorrente de trabalhos e revisões, acumulados para a última hora
- Dificuldade para dividir uma tarefa grande em etapas menores e definir por onde começar
- Necessidade de lembretes constantes para cumprir compromissos já conhecidos
“É natural que crianças precisem de supervisão, mas, conforme avançam na vida escolar, espera-se que assumam gradualmente mais responsabilidades. Quando o filho ainda depende dos pais para pequenas decisões, pode faltar uma estrutura que o ajude a desenvolver essa autonomia”, afirma.
Segundo o especialista, a procrastinação frequente pode estar menos relacionada à falta de vontade e mais à dificuldade de planejamento: “O aluno sabe que precisa estudar, mas não sabe transformar essa necessidade em um plano. Diante de uma grande quantidade de conteúdo, não encontra um ponto de partida e acaba adiando. Nesse caso, a procrastinação pode funcionar como uma tentativa de escapar da sensação de incapacidade diante de uma tarefa que parece difícil demais. Quanto mais o estudante associa o estudo à frustração ou à possibilidade de errar, maior pode ser a tendência de evitá-lo. Por isso, antes de interpretar o comportamento como falta de disciplina, é importante entender o que está tornando aquela tarefa tão difícil de iniciar”, explica.
Para a família, o objetivo não é transformar cada dificuldade em motivo de cobrança, mas observar a frequência com que esses comportamentos aparecem. Em vez de assumir todas as decisões ou apenas verificar se a tarefa foi concluída, os pais podem ajudar o adolescente a refletir sobre o próprio processo de estudo e a assumir o controle da rotina de forma progressiva.
“O aluno também precisa aprender a lidar com os próprios erros e manter uma rotina consistente. Isso não prepara só para uma prova, mas para conduzir a própria trajetória”, conclui Cornetta.
Sobre a Kaizen
Fundada em 2020, a Kaizen é uma startup de educação com foco em mentorias personalizadas para estudantes do Ensino Fundamental ao Superior. Combinando orientação acadêmica, personalização de estudos e tecnologia, a empresa já atendeu milhares de alunos em diversas regiões do país, promovendo autonomia, estrutura e desempenho.
Fonte: Assessoria