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Sinais nas pálpebras que parecem inofensivos, mas exigem atenção médica

07/08/2026
Sinais nas pálpebras que parecem inofensivos, mas exigem atenção médica
Fotos: ptose palpebral / Gerada por IA

É comum darmos atenção à saúde dos olhos apenas quando a visão é afetada ou surge uma dor intensa. No entanto, embora sejam muitas vezes negligenciadas na rotina de cuidados, as pálpebras desempenham um papel fundamental na proteção do globo ocular e na distribuição do filme lacrimal, camada de líquido que reveste a superfície externa do olho. Quando algo vai mal com elas, a saúde dos olhos como um todo pode estar em risco. Sintomas aparentemente estéticos ou pequenos desconfortos podem ser o primeiro sinal de condições que demandam tratamento médico especializado ou até mesmo procedimento cirúrgico.

“As pálpebras bloqueiam corpos estranhos, poeira e luz excessiva de forma instantânea, através do reflexo de piscar. Também possuem as glândulas de Meibomius , responsáveis por secretar substância oleosa que compõe a lágrima e a impede de evaporar rapidamente, mantendo a superfície do olho lubrificada e protegida. No entanto, a pele nessa região é extremamente fina e vulnerável a infecções, alergias e ao envelhecimento natural,” explica Dra. Olga Maria Calou, médica oftalmologista que atua na área de Cirurgia Plástica Ocular do HOPE – Hospital de Olhos de Pernambuco.

Um caso inesperado que chamou a atenção foi o do apresentador Felipe Pereira, da TV Conecta Piauí, na Paraíba. Ele fez um procedimento com botox e a substância atingiu o músculo na região das pálpebras. Como consequência, seu olho direito começou a se fechar progressivamente, prejudicando a visão. Embora essa seja uma complicação temporária, ela reforça a importância de sempre preferir um profissional especializado para realizar aplicações ao redor dos olhos ou na região das pálpebras.

O jornalista sofreu uma ptose palpebral induzida pelo botox, condição em que a pálpebra cai sobre o olho e que geralmente ocorre por outros motivos. Como não existe uma substância liberada capaz de reverter a ação da toxina de forma imediata no músculo afetado, ele precisa aguardar a regressão natural do produto e manter o monitoramento clínico. “Essa situação pode desencadear complicações oculares secundárias, por isso é essencial que seja acompanhada pelo oftalmologista”, alerta a médica.

Dra. Olga diz quais são as alterações mais frequentes que acometem as pálpebras:


- Ptose Palpebral (Pálpebra Caída): Ocorre quando a pálpebra superior cai sobre o olho. Além do aspecto estético, a ptose pode cobrir parcialmente a pupila, reduzindo o campo de visão. Em adultos, costuma surgir pelo envelhecimento ou traumas; em crianças, pode ser congênita e comprometer o desenvolvimento da visão se não for corrigida cirurgicamente;

- Ectrópio e Entrópio: São alterações no posicionamento da margem palpebral. No entrópio, a pálpebra se vira para dentro, fazendo com que os cílios raspem na córnea, o que causa dor intensa e risco de úlceras. No ectrópio, a pálpebra se dobra para fora, deixando o olho exposto, seco e suscetível a infecções frequentes. Ambos os casos frequentemente necessitam de correção cirúrgica;

- Blefarite e Terçol Recorrentes: A blefarite é uma inflamação crônica na borda das pálpebras que pode obstruir as glândulas de gordura locais, formando nódulos (calázios). Quando o tratamento clínico com compressas e pomadas não resolve, a remoção cirúrgica do nódulo pode ser necessária;

- Lesões e Tumores Palpebrais: A pele das pálpebras é extremamente fina e exposta ao sol, sendo um local comum para o surgimento de lesões benignas ou malignas (como o carcinoma basocelular). Feridas que não cicatrizam, pintas que mudam de formato ou nódulos suspeitos devem ser avaliados e biopsiados sem demora.

Outra situação que muitas pessoas desconhecem ou deixam de dar importância, sem saber dos riscos para a visão, é um problema palpebral relatado pela apresentadora Xuxa Meneghel. A “Rainha dos Baixinhos” contou que sofre de lagoftalmia noturna, condição em que as pálpebras não se fecham totalmente durante o sono, deixando os olhos parcialmente abertos. O tratamento pode envolver o uso de colírios lubrificantes e géis oculares antes de dormir para proteger a córnea contra o ressecamento, ou a correção cirúrgica em casos mais severos.

“É muito importante nunca tentar resolver o problema com soluções caseiras ou automedicação. O uso inadequado de colírios com corticoides, por exemplo, pode trazer complicações graves, como o aumento da pressão ocular”, recomenda a oftalmologista. Ao notar qualquer assimetria repentina, caroços persistentes, alteração na visão ou desconforto contínuo, busque a avaliação de um oftalmologista. Diagnosticar a condição precocemente é o caminho mais seguro para evitar complicações maiores e garantir a preservação da visão.

Fonte: Assessoria