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Como apostas on-line comprometem a saúde financeira de uma pessoa?

27/07/2026
Como apostas on-line comprometem a saúde financeira de uma pessoa?
Fotos: A volatilidade do mercado, aliada à tentativa de recuperar perdas, aumenta o risco de endividamento e prejuízos financeiros

A promessa de ganhos rápidos tem levado cada vez mais pessoas às plataformas de apostas on-line. Porém, o que parece uma oportunidade de lucro costuma se transformar em um problema para a saúde financeira. Alex Leite, contador e coordenador dos cursos de Gestão da UNINASSAU Maceió, explica os riscos desse hábito, como o viés comportamental da aversão à perda faz muitos apostadores continuarem jogando para tentar recuperar o dinheiro perdido e quais estratégias podem ajudar a evitar prejuízos.

As apostas on-line atuam como um dreno no fluxo de caixa operacional do indivíduo. A volatilidade desse mercado, somada ao viés comportamental de aversão à perda, ou seja, a tentativa de recuperar o capital perdido, eleva o risco de inadimplência e descapitalização. “O consumo recorrente e não planejado de liquidez compromete a alocação de capital para despesas fixas essenciais e anula a capacidade de poupança e investimento em ativos reais, deteriorando o patrimônio líquido no médio e longo prazo”, explica o especialista.

Por meio de indicadores de desequilíbrio orçamentário, é possível identificar sinais de alerta de que esse hábito deixou de ser entretenimento e passou a representar um problema. Os principais incluem desvio do dinheiro de despesas essenciais para contas de risco, pegar crédito ou endividamento para financiar o giro das apostas e a incapacidade de cumprir o teto de gastos orçado para o lazer.

“Esse hábito traz consequências diretas para o orçamento familiar. Isso se traduz na compressão da margem de manobra para gastos essenciais, como moradia, saúde e educação, e na degradação do score de crédito por causa dos atrasos em contas a pagar. Adicionalmente, há o custo de oportunidade: o capital destruído em jogos deixa de compor fundos de previdência ou investimentos de longo prazo, inviabilizando o planejamento estratégico familiar e a sucessão patrimonial”, aponta Alex Leite.

Para ele, ações imediatas de mitigação de danos são necessárias quando o indivíduo está gastando mais com apostas do que pode. “É preciso suspender imediatamente o aporte de capital nesse tipo de plataforma, mapear o passivo gerado e reestruturar o orçamento, priorizando as contas com juros mais altos e custos fixos de subsistência. Se houver endividamento, deve-se buscar a renegociação de prazos e taxas. Caso o comportamento de risco persista de forma compulsiva, o recomendado é buscar intervenção profissional e especializada na área de psicologia financeira”, aconselha.

De acordo com o arcabouço fiscal e a legislação vigente no Brasil, como o marco regulatório das apostas de quota fixa, os prêmios obtidos estão sujeitos à tributação federal. O recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) ocorre sobre o ganho líquido, seguindo alíquotas específicas definidas por lei. Na maioria das operações regulamentadas, a retenção do tributo é efetuada diretamente na fonte pela própria plataforma operadora, o agente pagador, antes da distribuição líquida do capital ao apostador.

Manter um orçamento organizado e uma reserva de emergência é essencial para enfrentar imprevistos sem comprometer a saúde financeira. Esse planejamento evita a busca por soluções de alto risco em momentos de dificuldades. “Para reduzir os impactos desse hábito na população, também é importante investir em educação financeira, fortalecer a fiscalização e restringir publicidades que associam apostas a investimentos ou fontes de renda. Além disso, medidas de proteção para pessoas superendividadas podem contribuir para prevenir prejuízos e incentivar decisões financeiras mais conscientes”, finaliza Alex Leite, coordenador dos cursos de Gestão da UNINASSAU Maceió.

Ascom Uninassau Maceió