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Por que tanta gente abandona o planejamento financeiro depois de gastar além do previsto?

22/07/2026
Por que tanta gente abandona o planejamento financeiro depois de gastar além do previsto?

Uma viagem, uma sequência de comemorações ou algumas compras fora do planejamento podem ser suficientes para despertar um pensamento bastante comum: "já gastei demais mesmo". A partir daí, muitas pessoas deixam de acompanhar o orçamento, passam a consumir ainda mais e adiam qualquer tentativa de reorganizar as finanças. Embora esse comportamento costume ser associado à falta de disciplina, ele também tem explicação na economia comportamental.

Quando alguém ultrapassa o valor que havia planejado gastar, é comum interpretar esse desvio como a perda total do controle. Em vez de recalcular a rota, a tendência é abandonar o planejamento de vez, como se um erro anulasse todas as decisões anteriores.

"O brasileiro enxerga oplanejamento de maneira muito rígida: ou segue tudo à risca ou chuta o balde achando que nada funciona. Mas um deslize financeiro não significa que todo o orçamento foi perdido. O problema é transformar uma exceção em carta brancao para continuar gastando", explica o economista e criador de conteúdo Presley Vasconcellos.

Outro comportamento frequente é o consumo como recompensa. Depois de períodos estressantes ou emocionalmente desgastantes, frases como "eu mereço" ou "trabalhei muito para isso" acabam justificando compras que não estavam previstas. O prazer é imediato, mas costuma ser seguido por culpa, ansiedade e pelo afastamento das próprias finanças.

"Comprar algo para comemorar ou se presentear não é necessariamente um problema. Se torna um problema quando vira uma muleta para qualquer emoção. Se toda semana difícil termina em uma compra, talvez o orçamento esteja tentando resolver uma questão mais emocional do que financeira", afirma Presley.

Segundo o economista, as redes sociais também reforçam esse comportamento ao estimular comparações constantes e a sensação de que todos estão consumindo mais ou vivendo melhor. O resultado é uma pressão silenciosa para gastar, mesmo quando isso não faz sentido para a realidade financeira da pessoa.

Para Presley, a solução também passa longe dos extremos. Após um período de gastos elevados, muita gente tenta compensar cortando completamente o lazer ou impondo metas impossíveis de cumprir, estratégia que costuma alimentar um novo ciclo de frustração e consumo.

"Planejamento financeiro não é sobre privação, muito pelo contrário. A educação financeira possibilita encontrar mecanismos para criar formas de lidar com a realidade de maneira sustentável através de ajustes possíveis. Organização financeira não é nunca sair do plano, mas saber voltar para ele", orienta.

Em vez da culpa, Presley recomenda fazer um diagnóstico da situação: entender quanto foi gasto, rever despesas que podem ser adiadas, estabelecer metas realistas e, quando necessário, distribuir a recuperação financeira ao longo dos próximos meses. Em caso de endividamento, o primeiro passo é entender a origem da dívida e agir nele para não se endividar novamente. Segundo um levantamento da Serasa, cerca de 40% a 50% das pessoas que limpam seus nomes ficam endividados novamente em até 12 meses.

"Uma emergência ou um gasto acima do previsto é normal. O que fazemos com isso é que dita o saldo da conta nos próximos meses. Observar a situação com cautela para minimizar os danos e tentar não fugir tanto do orçamento mensal pode livrar as pessoas do endividamento. Quanto mais cedo a pessoa entender suas finanças, menor será o impacto dos efeitos negativos sobre ela", conclui.

Sobre Presley Vasconcellos:

Economista e mestre em Economia pela Universidade Estadual de Maringá, Presley Vasconcellos produz conteúdos sobre economia e educação financeira voltados ao cotidiano dos brasileiros. Com uma abordagem acessível e bem-humorada, traduz temas econômicos complexos para uma linguagem simples nas redes sociais, onde reúne mais de 800 mil seguidores. Seus projetos de educação financeira - que incluem cursos, palestras e mentorias - já alcançaram milhares de alunos no Brasil e no exterior.

Sobre a Pop Creator:

Com o conceito de “One Stop Shop”, a Pop Creator traz para os seus agenciados soluções completas em influência e monetização, desde afiliados até a produção de Live Shops. Com foco na profissionalização, capacitação e monetização desses criadores, a empresa, que faz parte do grupo Mynd, oferece mentorias, suporte criativo e diversas oportunidades comerciais. A Pop Creator chega ao mercado com o propósito de democratizar o acesso ao marketing de influência e impulsionar novas vozes na internet.

Fonte: Assessoria