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Perda de audição pode começar antes dos 60 anos e comprometer a qualidade de vida na terceira idade

22/07/2026
Perda de audição pode começar antes dos 60 anos e comprometer a qualidade de vida na terceira idade
Fotos: No Dia dos Avós, especialista orienta a identificar os primeiros sinais e destaca que a reabilitação ajuda a preservar a autonomia e a convivência familiar | Freepik

O Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, vai muito além das homenagens e demonstrações de carinho. A data convida famílias a retribuírem todo o cuidado recebido ao longo da vida, incentivando um olhar mais atento à saúde de quem tanto fez pelos filhos e netos. Entre os aspectos que merecem esse carinho está a audição, essencial para preservar a comunicação, a autonomia e a convivência social durante o envelhecimento. Embora a perda auditiva faça parte desse processo natural, ela não deve ser encarada como algo que precisa ser aceito sem investigação ou tratamento.

De acordo com a Dra. Raquel Rodrigues, otorrinolaringologista do HOPE, o envelhecimento do sistema auditivo é a principal causa da perda da audição entre os idosos, mas alguns fatores podem acelerar esse processo. "Com o passar dos anos, o órgão da audição também envelhece. A partir dos 60 ou 65 anos, já é esperado que muitas pessoas apresentem algum grau de perda auditiva. Inclusive, alterações podem começar a surgir por volta dos 40 anos, mesmo sem provocar sintomas naquele momento", diz. A especialista explica que doenças como hipertensão, diabetes e colesterol elevado quando não estão bem controladas, além do tabagismo, da predisposição genética, da exposição frequente a ruídos intensos e de infecções de ouvido não tratadas adequadamente contribuem para que esse comprometimento aconteça mais cedo.

A prevenção, segundo a médica, começa muito antes da terceira idade. "Controlar corretamente as comorbidades, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, abandonar o cigarro e proteger os ouvidos da exposição prolongada a sons intensos fazem diferença ao longo da vida. Muitas pessoas pensam apenas no ambiente de trabalho, mas a exposição recreativa também merece atenção. Permanecer próximo às caixas de som em shows, por exemplo, ou trabalhar com música sem os cuidados necessários pode favorecer o desgaste da audição", comenta.

Uma dúvida frequente é se os homens realmente sofrem mais com esse problema do que as mulheres. A Dra. Raquel Rodrigues explica que ainda não existe consenso entre os estudos científicos. "Existem pesquisas que mostram uma perda auditiva mais precoce e mais intensa entre os homens, enquanto outras apontam que essa diferença não é tão relevante. Há hipóteses de que o estrogênio, hormônio feminino, exerça um efeito protetor sobre o sistema auditivo, mas também existe uma questão cultural, já que muitos homens da geração idosa atual foram mais expostos ao ruído durante a juventude", esclarece.

Identificar os primeiros sinais também é essencial para evitar que a perda avance sem tratamento. Segundo a otorrinolaringologista, a principal queixa costuma ser diferente do que muitos imaginam. "O paciente normalmente diz: 'eu escuto, mas não entendo'. A dificuldade está na compreensão da fala. Aos poucos, ele aumenta o volume da televisão e do telefone, evita ambientes com muito barulho, passa a observar os movimentos da boca do interlocutor e, muitas vezes, acredita que as outras pessoas começaram a falar baixo ou 'para dentro'. Esses são sinais importantes e merecem investigação", alerta. Ela destaca que, diante de qualquer suspeita, o ideal é procurar avaliação especializada para realização da audiometria, exame capaz de identificar o tipo e o grau da alteração.

Quando não diagnosticada e reabilitada, a perda auditiva pode trazer consequências que vão muito além da dificuldade para conversar. "Muitas pessoas deixam de participar de encontros familiares, celebrações religiosas e momentos de lazer porque têm receio de não conseguir acompanhar as conversas. Esse isolamento favorece alterações de humor, depressão e aumenta o risco de declínio cognitivo e demências, algo que já está bem estabelecido pela literatura científica", afirma.

Além dos impactos emocionais, a especialista lembra que a audição também está relacionada à segurança e à autonomia. "Quem não escuta bem pode deixar de perceber alarmes, buzinas e outros avisos sonoros importantes. Felizmente, houve um avanço muito grande nas tecnologias de reabilitação. Os aparelhos auditivos estão menores, mais discretos e oferecem uma qualidade sonora muito superior à de anos atrás. E é importante lembrar que nem toda perda exige esse recurso, mas toda suspeita precisa ser investigada. Assim como ninguém deixa de tratar uma catarata apenas porque ela é comum no envelhecimento, também não devemos ignorar a perda auditiva. Cuidar da audição é cuidar da qualidade de vida", finaliza a Dra. Raquel Rodrigues.

Fonte: Assessoria