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Julho Amarelo: INTO alerta sobre sinais do câncer ósseo e reforça importância do diagnóstico precoce
Aos 15 anos, o estudante Jessé Gabriel Castanheira viu a rotina de esportes ser interrompida por uma dor intensa no joelho e um inchaço na perna. O que parecia, a princípio, uma lesão comum acabou sendo diagnosticado como osteossarcoma, o tipo mais frequente de câncer ósseo primário em crianças e adolescentes. Encaminhado ao Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), Jessé passou por cirurgia para retirada do tumor e reconstrução do osso com uma prótese. Hoje, segue em recuperação e já voltou a caminhar dentro de casa.
A mãe de Jessé, Cristina Castanheira, conta que a rapidez no diagnóstico e no início do tratamento foi decisiva para enfrentar a doença.
"A equipe nos dizia que estava correndo contra o tempo. A biópsia teve o resultado acelerado para que o tratamento começasse logo, e isso fez toda a diferença para nós", lembra.
Após a cirurgia, as dores diminuíram e Jessé voltou a dar os primeiros passos, um momento marcante para a família.
"Ver meu filho de pé depois de um ano foi uma sensação que não tem igual. Hoje vivemos a segunda fase do tratamento. Jessé já anda pela casa e está cada vez mais forte", comemora.
O caso reforça a importância do diagnóstico precoce, principal alerta do Julho Amarelo, mês de conscientização sobre o câncer ósseo. Embora raro, representando cerca de 2% dos tumores malignos, identificar a doença logo nos primeiros sinais aumenta significativamente as chances de cura e permite, em muitos casos, preservar o membro afetado.
Uma dor persistente nos ossos ou um inchaço que aumenta gradualmente não devem ser ignorados. Segundo o chefe da Oncologia Ortopédica do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), Walter Meohas, esses sintomas, muitas vezes atribuídos ao crescimento ou a lesões esportivas, podem indicar um tumor ósseo.
"O osteossarcoma acomete principalmente crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos. Geralmente, a dor surge nas regiões dos ossos que estão em crescimento, como próximo ao joelho, no fêmur ou na tíbia, e também no ombro", explica.
Segundo o especialista, é importante diferenciar a dor do crescimento da provocada por um tumor ósseo.
"A dor do crescimento costuma surgir durante o dia e no final da tarde. Já a dor causada pelo câncer tende a ser persistente e aumentar com o tempo", afirma.
Em adultos acima dos 40 anos, as lesões ósseas costumam estar mais relacionadas a metástases de outros tipos de câncer, embora também possam ocorrer tumores ósseos primários.
A causa do câncer ósseo, tanto em crianças quanto em adultos, ainda é desconhecida. Por isso, dores persistentes, especialmente quando duram semanas ou limitam as atividades do dia a dia, devem ser investigadas por um ortopedista.
O diagnóstico começa com avaliação clínica e exames de imagem, como radiografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética. Quando há suspeita da doença, a confirmação é feita por meio de biópsia.
O tratamento depende do tipo, tamanho e localização do tumor, sendo necessária, na maioria dos casos, cirurgia para retirada da lesão, além de quimioterapia e, em alguns pacientes, radioterapia. Meohas reforça que o tempo faz toda a diferença nos resultados do tratamento.
"Quanto mais cedo o câncer for diagnosticado, menor será o volume tumoral, o que melhora o prognóstico tanto em relação à sobrevida do paciente quanto à preservação do membro acometido pelo tumor", conclui o médico.
Fonte: Assessoria