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Docente do Campus Arapiraca vai atuar como professor visitante na Itália
O professor Oscar Boaventura Neto, docente do curso de Zootecnia do Campus Arapiraca da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), foi selecionado para atuar como professor visitante na Universidade de Turim (Università degli Studi di Torino – UniTO), na Itália, uma das mais antigas e prestigiadas instituições de ensino superior do mundo, fundada em 1404, e atualmente classificada entre as 50 melhores universidades da Europa. É a maior universidade do Piemonte, com mais de 80 mil estudantes matriculados.
A seleção foi conduzida por banca internacional composta por especialistas do Departamento de Ciências Agrárias, Florestais e Alimentares (DISAFA), setor da UniTO que é referência europeia em pesquisa sobre genética animal, qualidade de produtos de origem animal e sistemas de produção pecuária sustentável. O docente da Ufal foi aprovado para a vaga destinada ao ensino de Zootecnia e Genética Animal, com atuação no segundo semestre do ano acadêmico 2026/2027.
Com carga horária de 20 horas, ministradas integralmente em língua italiana, o professor arapiraquense integrará o corpo docente do curso de graduação em Ciências e Tecnologias Agrárias da UniTO, trabalhando sob a coordenação do professor Giustino Gaspa e em colaboração direta com o DISAFA.
O conteúdo programático aprovado que será trabalhado durante as aulas abrange os pilares da formação zootécnica de excelência: sistemas de produção e manejo de rebanhos, fisiologia digestiva e metabolismo em ruminantes, avaliação de alimentos, qualidade de produtos de origem animal e saúde animal.
“Ao longo das 20 horas de aula, integrarei a base técnica europeia com a experiência científica acumulada no Brasil, país que possui o maior rebanho comercial bovino do mundo, o maior programa de melhoramento genético de zebuínos em escala industrial, e uma fronteira de inovação em sistemas tropicais de produção animal sem paralelo no Hemisfério Sul”, informou o docente.
Estudos na Itália
O professor Oscar cursou todo o doutorado na Università degli Studi di Sassari, em Sassari, Sardenha, Itália, entre 2011 e 2014. A instituição é uma das mais tradicionais universidades italianas no campo das ciências agrárias, veterinárias e da produção animal mediterrânea. Ao longo de três anos imerso no ambiente científico e cultural italiano, desenvolveu sua tese de doutoramento, acumulando domínio da língua italiana, experiência direta com sistemas pecuários europeus e relações com pesquisadores que definiram sua formação científica.
“Esta conquista não é um ponto de chegada isolado, representa o desdobramento natural de uma trajetória de inserção internacional sólida e consistente. O professor que saiu da Sardenha com um diploma retorna à Itália como docente visitante de uma das universidades mais importantes da Europa”, comentou.
Para o pesquisador, a aprovação no processo seletivo da UniTO, mais de uma década depois, é a demonstração de que aquela formação italiana germinada em Sassari encontrou, em Arapiraca e no semiárido alagoano, o terreno fértil necessário para crescer e produzir frutos de reconhecimento internacional.
Ufal no mapa da ciência animal europeia
O docente analisa que sua aprovação no processo seletivo da UniTO não é um feito circunstancial. “Ela é o resultado de um percurso consistente de produção científica, inovação pedagógica e articulação internacional construído a partir do Agreste alagoano”, afirmou.
Uma conquista que posiciona a Ufal no mapa da ciência animal europeia. Ao lado de outros 232 professores visitantes selecionados de dezenas de países — todos vinculados a universidades estrangeiras de reconhecida excelência —, o docente do Campus Arapiraca será o único brasileiro aprovado para lecionar no DISAFA, levando para o centro do Piemonte italiano a perspectiva científica dos sistemas pecuários tropicais e semiáridos do Nordeste do Brasil.
“Trata-se de um marco histórico para o Campus Arapiraca e para o curso de Zootecnia: pela primeira vez, um professor do quadro permanente desta unidade acadêmica ocupará uma cátedra de ensino em uma universidade europeia do porte da UniTO, representando institucionalmente a Ufal diante de uma comunidade científica de nível global”, disse.
Perspectivas de cooperação internacional
A presença do pesquisador em Turim abrirá espaço concreto para o desenvolvimento de parceria institucional de longo prazo entre o Campus Arapiraca da Ufal e a UniTO.
“Estão no horizonte imediato: projetos de pesquisa conjuntos nas áreas de genética animal, nutrição de ruminantes e qualidade de produtos lácteos; intercâmbio de estudantes de pós-graduação; acordos de cooperação técnica e científica; e a participação da universidade alagoana em redes europeias de inovação agroalimentar. Essas possibilidades representam uma janela inédita de internacionalização para alunos, professores e pesquisadores do campus”, destacou.
O docente ressalta que, para além da dimensão acadêmica, a experiência também potencializa a inserção do Campus Arapiraca em redes de inovação que conectam a pecuária do semiárido nordestino a mercados e tecnologias europeus — um ativo estratégico de grande relevância para o desenvolvimento da cadeia produtiva de leite, carne e derivados no Agreste e no Sertão de Alagoas.
A aprovação do professor em um processo seletivo tão rigoroso, evidencia também a qualidade do corpo docente do campus e reforça o compromisso da unidade com a produção de conhecimento relevante, conectado às demandas do território e reconhecido além das fronteiras nacionais.
“O curso de Zootecnia, inserido o Agreste alagoano, em uma das regiões de maior potencial pecuário do Nordeste, polo em expansão das cadeias do leite, da caprinovinocultura e da bovinocultura de corte, consolida com esta conquista seu protagonismo científico e sua vocação para a internacionalização”, comentou.
Para os estudantes de Zootecnia, a expectativa é de um retorno concreto e imediato, por meio de novos referenciais pedagógicos e científicos, acesso a redes de pesquisa europeias, possibilidade de cooperações que ampliem as perspectivas de pós-graduação e internacionalização, e a certeza de que é possível — a partir de Arapiraca, do Agreste, do semiárido — contribuir com a ciência animal em escala mundial.
Ascom Ufal