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Investimentos reforçam a preservação de acervos históricos da Ufal

08/07/2026
Investimentos reforçam a preservação de acervos históricos da Ufal
Fotos: Professor Danilo Marques, do Neabi Ufal, confere os novos equipamentos

Jessyka Faustino

A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) recebeu os conjuntos de arquivos deslizantes adquiridos por meio do projeto Preservação, divulgação e restauração do acervo histórico e cultural do Neabi Ufal, contemplado em edital da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). A entrega dos equipamentos representa mais uma etapa da iniciativa que busca fortalecer a infraestrutura de preservação documental da Universidade e ampliar as condições de acesso ao patrimônio histórico e cultural.

Gerenciado pela Fundação Universitária de Desenvolvimento de Extensão e Pesquisa (Fundepes), o projeto foi concebido para enfrentar desafios históricos relacionados à conservação dos acervos da Ufal, como o acondicionamento inadequado de documentos, a limitação de espaço físico, a necessidade de modernização da infraestrutura e o aprimoramento das condições de organização e preservação dos materiais.

Os arquivos deslizantes beneficiarão as atividades do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi), a Pinacoteca Universitária, o Museu Théo Brandão, o Centro de Pesquisa e Documentação Histórica (CPDHis), o Laboratório de Gestão Eletrônica de Documentos (Laged) e o Grupo de Estudo e Pesquisa História da Educação, Cultura e Literatura (Gephecl) do Centro de Educação (Cedu). A nova estrutura permitirá maior segurança no armazenamento dos documentos, melhor aproveitamento dos espaços e condições adequadas para a conservação de acervos de elevado valor histórico, científico e cultural.

Cada um desses espaços reúne coleções fundamentais para a preservação da memória alagoana e da própria Universidade. O CPDHis guarda documentação que remonta ao século XIX, além de importantes conjuntos documentais sobre a história das igrejas, o movimento estudantil, o período da ditadura militar e parte do acervo do ex-governador Teotônio Vilela.

No Cedu, o Gephecl preserva um dos principais acervos dedicados à história da educação em Alagoas, reunindo documentos que registram a trajetória das instituições escolares e das políticas educacionais no estado. Já o Museu Théo Brandão conserva um amplo patrimônio documental, composto por fotografias, manuscritos e outros registros que testemunham a história e a cultura alagoanas.

Implantação do Centro de Pesquisa e Documentação da Luta Antirracista

Além da melhoria da infraestrutura de conservação, o projeto prevê uma ação específica voltada ao acervo do Neabi. O núcleo reúne documentação produzida entre as décadas de 1980 e 2024 sobre o movimento negro em Alagoas e no Brasil, incluindo cartas, atas, cartazes, manifestos, fotografias, panfletos, fitas K7 e VHS, além de registros sobre a implementação das políticas de ações afirmativas na Ufal e documentos relacionados ao reconhecimento da Serra da Barriga como patrimônio cultural. Trata-se de um acervo raro e especializado, referência para pesquisas sobre movimentos sociais, relações étnico-raciais, ditadura, redemocratização, racismo e políticas públicas.

Atualmente, a equipe do Neabi realiza o processo de catalogação e higienização desse conjunto documental, etapa essencial para a implantação do Centro de Pesquisa e Documentação da Luta Antirracista. O espaço será um desdobramento do projeto e terá sede física no Centro de Interesse Comunitário (CIC), no Campus A.C. Simões, em Maceió, tornando-se um ambiente de referência para a preservação, pesquisa e difusão da memória negra e indígena em Alagoas.

Mais do que modernizar a infraestrutura dos acervos, a iniciativa fortalece a Rede de Acervos da Ufal e reafirma o compromisso da Universidade com a preservação da memória, a valorização do patrimônio cultural e a produção do conhecimento. Investir na conservação desses documentos é garantir melhores condições para a pesquisa, a extensão, a cultura e o acesso da sociedade a um patrimônio que registra diferentes trajetórias da história alagoana e brasileira.