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Emagrecer sem cuidar da massa muscular pode prejudicar sua saúde
Quando o assunto é emagrecimento, a maioria das pessoas ainda concentra sua atenção exclusivamente nos números da balança. Perder peso costuma ser o principal objetivo de quem decide mudar seus hábitos, mas especialistas alertam que existe um erro comum nesse processo: focar apenas na redução da gordura corporal e negligenciar a preservação da massa muscular.
Segundo a nutricionista Giovana Aranha, o emagrecimento saudável não deve ser medido apenas pela quantidade de quilos perdidos, mas principalmente pela qualidade da composição corporal.
“Muitas pessoas ficam focadas apenas em perder peso e esquecem que o corpo não é composto apenas por gordura. Preservar e desenvolver massa muscular é essencial para garantir saúde, funcionalidade, qualidade de vida e resultados duradouros”, explica.
Essa preocupação é respaldada por diversas evidências científicas. Pesquisas publicadas em periódicos internacionais mostram que a massa muscular exerce papel fundamental no metabolismo, no controle glicêmico, na saúde cardiovascular e na manutenção da autonomia física ao longo da vida.
Quando uma pessoa emagrece de forma inadequada — especialmente por meio de dietas muito restritivas, perda de peso acelerada ou sem acompanhamento profissional — parte significativa do peso perdido pode vir justamente da musculatura.
Na prática, isso significa que a balança pode até apresentar um número menor, mas o organismo se torna menos eficiente metabolicamente.
“Nem toda perda de peso representa uma melhora da saúde. Muitas vezes o paciente comemora a redução dos quilos sem perceber que também está perdendo músculo. O ideal é reduzir gordura preservando ao máximo a massa muscular”, afirma Giovana Aranha.
Esse cuidado tornou-se ainda mais importante com a popularização dos medicamentos utilizados no tratamento da obesidade. Embora sejam ferramentas eficazes quando bem indicadas e acompanhadas por profissionais de saúde, a perda de peso sem ingestão adequada de proteínas e sem treinamento de força pode favorecer também a perda de massa muscular.
A massa muscular é considerada um dos principais tecidos metabolicamente ativos do corpo humano. Quanto maior a quantidade de tecido muscular, maior tende a ser o gasto energético diário, inclusive em repouso. Isso contribui não apenas para o processo de emagrecimento, mas também para a manutenção dos resultados ao longo do tempo.
Além da função locomotora, os músculos influenciam diretamente a mobilidade, a força, o equilíbrio, a postura, a saúde óssea e diversos processos metabólicos do organismo. Eles também exercem papel importante na regulação da glicemia, na sensibilidade à insulina e na resposta imunológica.
A importância da musculatura torna-se ainda mais evidente com o envelhecimento. A partir dos 30 anos, homens e mulheres passam a perder massa muscular de forma gradual, em um processo conhecido como sarcopenia. Sem alimentação adequada e exercícios de força, essa perda tende a se acelerar ao longo das décadas, aumentando o risco de quedas, limitações físicas e perda de independência.
“Ganhar músculos vai muito além da estética. É uma estratégia de saúde e longevidade. Uma boa massa muscular está associada a mais qualidade de vida, melhor metabolismo, maior autonomia e menor risco de diversas doenças”, destaca a nutricionista.
Diversos estudos demonstram que a perda de massa muscular está associada a maior risco de fragilidade física, incapacidade funcional e pior qualidade de vida durante o envelhecimento. Por isso, especialistas defendem que o cuidado com a musculatura deve começar muito antes da terceira idade.
Para alcançar esse objetivo, alimentação e atividade física caminham juntas. O consumo adequado de proteínas, vitaminas, minerais e energia suficiente para sustentar a síntese muscular é fundamental para fornecer ao organismo os elementos necessários para a manutenção e construção dos músculos. Ao mesmo tempo, a musculação e outros exercícios resistidos são considerados os principais estímulos para preservar e aumentar a massa muscular.
Giovana Aranha ressalta que não existe uma fórmula única para todos os pacientes. Cada organismo possui necessidades específicas e deve ser avaliado individualmente.
“O foco não deve ser apenas emagrecer rapidamente, mas construir um organismo metabolicamente saudável, mais forte e funcional. Quando trabalhamos a composição corporal, os resultados tendem a ser mais sustentáveis e duradouros.”
A especialista, que atua com foco em saúde metabólica, educação alimentar e mudanças sustentáveis de hábitos, defende que o emagrecimento deve ser encarado como um processo de construção de saúde, e não apenas como uma redução no número da balança.
Para ela, a verdadeira transformação acontece quando o paciente entende que saúde não depende apenas de perder gordura, mas também de preservar aquilo que sustenta o funcionamento do organismo.
“A verdadeira transformação acontece quando o paciente entende que emagrecer é apenas parte do processo. O verdadeiro objetivo é construir um organismo mais forte, mais saudável e preparado para viver com qualidade, autonomia e longevidade”, conclui.
Fonte: Assessoria