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Ufal participa de fórum internacional e assina acordos de cooperação
Por Layla Santana
A Universidade Federal de Alagoas (Ufal), representada pela Assessoria de Intercâmbio Internacional (ASI) e pela Vice-reitoria, esteve presente no 1º Fórum de Reitores Brasil-África, realizado no mês de maio, em Brasília. O evento, sediado no Centro Internacional de Convenções do Brasil, reuniu cerca de 130 reitores brasileiros e africanos. O objetivo foi promover parcerias e debates entre universidades, a fim de incentivar a pluralidade cultural e a internacionalização acadêmica.
A programação contou com painéis, seminários, workshops e reuniões bilaterais. Participante do evento, a vice-reitora Eliane Cavalcanti afirmou que o momento fortalece o relacionamento da universidade com os países africanos. "A Ufal participou desse cenário e traz expectativas reais de cooperação através da mobilidade estudantil e da internacionalização da educação superior. Alagoas e África, juntas, têm muito a contribuir", disse.
Eliane lembrou a tradição da Ufal em receber estudantes africanos e como eles se sentem acolhidos na instituição alagoana. "Historicamente, já recebemos diversos estudantes do programa PEC-G e PEC-PG, como o professor Wagner Bijagó. Ele veio da Guiné-Bissau e, hoje, é nosso professor no Campus do Sertão, coordenando o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas, com contribuições imensas da África para o Brasil e do Brasil para a África", falou a vice-reitora.
A professora Manuela Callou, coordenadora de projetos internacionais da ASI Ufal, também compareceu ao evento. Segundo ela, a proposta é aproximar os países africanos e o Brasil. "A Ufal já tem algumas parcerias e a intenção é ampliar ainda mais. Iniciativas como esse fórum são cruciais para estreitar e fazer novas parcerias, sempre buscando essa bilateralidade", ressaltou Callou.
Acordos de cooperação
No decorrer do encontro, a Ufal assinou quatro acordos de cooperação com as seguintes instituições: Universidade de Santiago (Cabo Verde), Universidade Amílcar Cabral (Guiné-Bissau), Universidade de Kara (Togo) e Universidade de Bangui (República Centro-africana). E deu início às tratativas para acordos com universidades de Angola, Moçambique e Gana.
"Esses quatro memorandos de intenção de cooperação que foram assinados com as universidades africanas contribuem para o fortalecimento da nossa internacionalização Sul-Sul, que é tão importante nesse cenário em que o Norte Global ainda é o protagonista. A cooperação Sul-Sul ainda tem muito a crescer e a contribuir", argumentou Callou.
A professora destacou a relevância dessas relações e a necessidade de valorizar pesquisas e cooperações internacionais em todos os continentes. "Temos muitos professores e pesquisas qualificadas importantes que trazem contribuição à sociedade, enquanto brasileiros e africanos também. Então, é fundamental caminhar juntos nesse diálogo de experiências e oportunidades acadêmicas no eixo Sul-Sul", afirmou a coordenadora.
Oportunidades
Essa foi a primeira edição do Fórum de Reitores Brasil-África e já registrou uma grande aderência de participantes. Durante o evento, foi anunciado o programa Capes Move África que, com orçamento previsto de R$ 47 milhões, visa expandir a mobilidade acadêmica e científica entre o Brasil e os países do continente africano. Com lançamento previsto para agosto de 2026, a perspectiva é de que 2.600 pós-graduandos africanos venham estudar nas universidades brasileiras.
Além disso, após três dias de deliberação entre instituições de ensino brasileiras e africanas, foi elaborada a Carta de Brasília do 1º Fórum de Reitores Brasil-África. O documento consolida os compromissos discutidos durante o evento, assim como as diretrizes para futuros movimentos de cooperação em todos os âmbitos educacionais.
"Essa troca só será completa quando os brasileiros também começarem a desembarcar na África para aprender. Até porque estamos falando de um continente com a população mais jovem do mundo e com uma riqueza enorme em ciência e tecnologia. Como dizia Paulo Freire: não é só chegar, é um sentimento de retornar. E é por isso que queremos parcerias reais de igual para igual, porque a ciência não tem fronteiras", concluiu Manuela Callou.