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Mulheres na Engenharia: presença feminina cresce, mas espaço ainda precisa avançar

23/06/2026
Mulheres na Engenharia: presença feminina cresce, mas espaço ainda precisa avançar
Fotos: O dia 23 de junho tem como intuito dar visibilidade à atuação dessas profissionais e celebrar suas conquistas

Muitas áreas do mercado de trabalho ainda são predominantemente ocupadas por homens, caso da Engenharia. Mas o dia 23 de junho chama atenção para a presença feminina nesse campo, dando visibilidade à atuação das engenheiras e celebrando suas conquistas. A data também reforça a importância de avançar na construção de um ambiente mais inclusivo e que valorize cada vez mais a participação das mulheres nesse ramo.

Para Juliana Martins, coordenadora dos cursos de Engenharias Civil e Mecânica da UNINASSAU Maceió, a data faz as jovens verem a área como um lugar delas, desmistificando a ideia de que exatas é um lugar apenas para homens. “A evolução vem sendo gradual. Com o passar dos anos, saímos de um cenário de pioneirismo isolado para salas de aula, fábricas, grandes empresas e canteiros de obras, onde a liderança feminina vem se tornando cada vez mais comum. Há uma presença muito mais forte de mulheres em cargos de gerência, diretoria e pesquisa acadêmica. Também houve um aumento na procura para cursar o vasto ramo da engenharia, mas ainda tem muito espaço para desbravar”.

As mulheres vêm conquistando avanços importantes, assumindo protagonismo em grandes projetos de infraestrutura, liderando startups de tecnologia e ocupando cargos de direção industrial. Esse movimento também é fortalecido pela criação de mentorias e comitês femininos dentro de conselhos profissionais, como o Sistema Confea/Crea no Brasil, e em empresas do setor. Além disso, cresce o reconhecimento técnico das profissionais, consolidando a percepção de que competência, raciocínio lógico e capacidade de gestão de riscos são qualidades sem gênero.

Porém, algumas áreas específicas ainda possuem baixa representatividade. “Algumas delas são os cursos voltados à ‘indústria pesada’ e tecnologia pura, como as Engenharias Mecânica, Elétrica, de Computação, Controle e Automação, possuindo percentuais de participação feminina historicamente baixos. Muitas vezes, não ultrapassam 10% das turmas, pois esses cursos ainda enfrentam forte resistência. Já áreas como Engenharias Química, de Alimentos, Ambiental e Civil costumam registrar uma presença feminina mais equilibrada e crescente”, exemplifica Juliana.

Grupos diversos trazem perspectivas diferentes, enriquecem as ideias e a criatividade e evitam vieses de desenvolvimento. “Um dos desafios enfrentados pelas profissionais nesse ramo é a síndrome da impostora. Ou seja, as pressões interna e externa para provar o próprio valor o tempo todo, precisando entregar o dobro para receber o mesmo reconhecimento. Ainda é preciso equilibrar a carreira com a maternidade e enfrentar a escassez de mulheres em cargos de altíssima liderança para servir de inspiração”.

De acordo com Juliana, embora o preconceito de gênero escancarado tenha diminuído devido ao compliance das empresas e à evolução cultural, ele ainda se manifesta de forma sutil em formato de piadas. “Aparece também quando a opinião técnica de uma profissional é colocada à prova com mais rigor do que a de um colega homem. Outra situação é quando ela é automaticamente direcionada para tarefas administrativas ou de organização e os homens ficam com a execução estritamente técnica de campo”.

O segredo para despertar o interesse de meninas pelas áreas de ciência, tecnologia e engenharia está na desmistificação dessas profissões. Levar engenheiras e cientistas às escolas para compartilhar suas trajetórias e realizar visitas de campo permite que elas vejam na prática mulheres atuando e ocupando esses espaços.

“É essencial promover oficinas de robótica, desafios estruturais de pontes de palito, olimpíadas de matemática e dinâmicas de resolução de problemas reais de forma lúdica, sem separar meninos e meninas por afinidades generalistas. Outras medidas são desconstruir brinquedos de gênero e incentivar desde a infância meninas a jogarem jogos de montar, como blocos de construção e lógica, estimulando a visão espacial e o interesse pelas ciências exatas”, finaliza Juliana Martins, coordenadora dos cursos de Engenharias Civil e Mecânica da UNINASSAU Maceió.

Ascom Uninassau Maceió