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Um terço dos golpes digitais no Brasil envolve Pix: especialistas explicam como se proteger e recuperar o dinheiro

22/06/2026
Um terço dos golpes digitais no Brasil envolve Pix: especialistas explicam como se proteger e recuperar o dinheiro
Fotos: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O Pix transformou a forma como os brasileiros realizam pagamentos, transferências e compras. Mas a popularidade da ferramenta também chamou a atenção dos criminosos. Um levantamento divulgado pelo Observatório Lupa revelou que um terço dos golpes digitais aplicados no Brasil utiliza o Pix como principal meio para obtenção de dinheiro das vítimas. O estudo analisou mais de uma centena de conteúdos fraudulentos que circularam no país nos últimos dois anos e identificou que 33% dos golpes exigiam pagamentos exclusivamente via Pix. Além disso, 74% exploravam a credibilidade de empresas, marcas ou personalidades conhecidas para dar aparência de legitimidade às fraudes.

Para especialistas em segurança digital, o dado reforça uma constatação importante: o problema não está na tecnologia do Pix, mas na forma como os criminosos conseguem manipular o comportamento das vítimas. “Na prática, os criminosos exploram muito mais falhas no comportamento dos usuários do que vulnerabilidades técnicas do Pix. O sistema em si é seguro, com camadas robustas de criptografia e autenticação. O que vemos com mais frequência são golpes de engenharia social, em que a vítima é convencida a autorizar a própria transferência acreditando que está realizando uma operação legítima”, explica Géssica Ribeiro, Analista Sênior de Governança de TI da Trio Grupo Financeiro e especialista em Segurança da Informação.

Segundo ela, a sofisticação dos golpes tem aumentado porque os criminosos não se limitam mais a ataques tecnológicos, passando também a explorar fatores emocionais como urgência, medo e confiança para aumentar suas chances de sucesso.

Falsos atendentes, WhatsApp clonado e QR Codes adulterados lideram fraudes

Entre os golpes mais comuns atualmente estão falsas centrais de atendimento bancário, clonagem de contas de WhatsApp, anúncios fraudulentos em plataformas de venda, QR Codes adulterados e falsas oportunidades de investimento. O padrão costuma ser semelhante: o criminoso cria uma situação de urgência ou apresenta uma oportunidade aparentemente vantajosa para convencer a vítima a transferir recursos rapidamente.

“O objetivo é fazer com que a própria pessoa realize a transação acreditando que está resolvendo um problema ou aproveitando uma oportunidade legítima. Por isso, é fundamental confirmar a identidade da pessoa ou empresa envolvida antes de qualquer pagamento”, afirma Géssica Ribeiro. O próprio estudo do Observatório Lupa mostra que 71% dos golpes analisados prometiam algum tipo de benefício financeiro, como indenizações, promoções, brindes, vagas de emprego ou descontos inexistentes.

Como evitar cair em um golpe via Pix

Especialistas recomendam que os usuários adotem uma série de cuidados simples antes de confirmar qualquer transferência. A primeira medida é verificar atentamente o nome e o CPF ou CNPJ vinculados à chave Pix. Também é importante desconfiar de pedidos de dinheiro recebidos por mensagens ou ligações inesperadas, especialmente quando há pressão para que a transferência seja feita rapidamente.

“Em muitos casos, alguns segundos de atenção antes de concluir a operação são suficientes para evitar prejuízos. É importante utilizar apenas os canais oficiais das instituições financeiras, evitar clicar em links recebidos por aplicativos de mensagens e manter o celular protegido com senha, biometria e atualizações de segurança”, orienta Géssica.

Outro recurso que pode aumentar significativamente a proteção é a autenticação multifator. “O uso de biometria, reconhecimento facial e autenticação em múltiplas etapas adiciona camadas extras de segurança. Mesmo que um criminoso obtenha a senha do usuário, ele ainda precisará passar por outras validações para acessar a conta”, explica a especialista.

O Pix continua sendo seguro?

Apesar do crescimento das tentativas de fraude, especialistas ressaltam que o Pix continua sendo um sistema seguro. “O Pix foi desenvolvido com criptografia de ponta, autenticação mútua e tráfego exclusivo dentro da Rede do Sistema Financeiro Nacional”, afirma Andressa Lipski, Diretora de Governança da Trio Grupo Financeiro.

Segundo ela, a segurança também é reforçada pela atuação constante do Banco Central. “O Banco Central exige que bancos e instituições de pagamento implementem mecanismos antifraude, limites transacionais por horário, alertas de fraude e controles rigorosos na abertura de contas. Além disso, responsabiliza instituições que não adotam medidas adequadas de prevenção”, explica.

Caiu em um golpe? Ainda é possível recuperar o dinheiro

Uma das principais dúvidas de quem sofre uma fraude é se existe alguma chance de recuperar os valores transferidos. A resposta é sim, mas a velocidade da reação faz toda a diferença. “Atualmente existe o Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED, que permite às instituições financeiras solicitar o bloqueio e analisar valores transferidos em situações de fraude. Quanto mais rápido o caso for comunicado ao banco, maiores são as chances de recuperação”, explica Géssica.

Andressa Lipski lembra que existe um prazo relativamente amplo para registrar a ocorrência. “A vítima tem até 80 dias após a realização do Pix para registrar uma notificação de infração junto à sua instituição financeira por meio do MED”, afirma. No entanto, ela alerta que a devolução não é automática. “Quando os recursos já foram movimentados ou distribuídos para múltiplas contas, a recuperação se torna mais complexa. Por isso, agir rapidamente é fundamental”, ressalta.

O Banco Central já trabalha em novas camadas de segurança para o sistema. Entre elas está o chamado MED 2.0, que permitirá rastrear e bloquear com maior rapidez recursos transferidos para diversas contas, além de ampliar o compartilhamento de informações entre instituições financeiras. “O principal desafio da governança do Pix daqui para frente é encontrar o equilíbrio entre velocidade e segurança. Quanto mais mecanismos de proteção são adicionados, maior tende a ser o atrito na experiência do usuário. O desafio será continuar oferecendo conveniência sem comprometer a proteção dos clientes”, conclui Andressa Lipski.

Enquanto novas ferramentas são implementadas, especialistas reforçam que a principal barreira contra os golpes continua sendo a informação. “Em um cenário em que os criminosos exploram cada vez mais a confiança e o comportamento das pessoas, atenção e cautela permanecem sendo as melhores formas de proteção”, completa Géssica.

Sobre a Trio Grupo Financeiro

Criada em 2020 por Peterson Ferreira dos Santos e Manoel de Oliveira Souza, empreendedores com forte experiência em tecnologia e mercado financeiro, a Trio Grupo Financeiro foi concebida com a proposta de oferecer uma infraestrutura financeira capaz de acompanhar o crescimento das empresas. Entre seus diferenciais está a forte aposta em tecnologia proprietária e infraestrutura financeira avançada. A Trio desenvolve soluções voltadas especialmente para o ambiente corporativo, com destaque para ferramentas de gestão financeira, integração por APIs, sistemas de conciliação facilitada e soluções baseadas em Pix. Para mais informações, acesse o site www.trio.com.br ou o perfil oficial no Instagram: @trio.fin.

Fonte: Assessoria