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Projeto inspirado na Copa do Mundo promove inclusão, empatia e criatividade em escola municipal
Lua Amorim (estagiária)
Na Escola Municipal Professora Maria José Carrascosa, localizada no Vale do Reginaldo, uma simples pergunta feita por um aluno deu origem a um projeto que uniu educação, inclusão e futebol. O professor Carlos Washington, responsável pela turma do 2º Ano A, decidiu transformar o clima da Copa do Mundo em uma ferramenta pedagógica capaz de envolver os 27 estudantes da sala.
A iniciativa nasceu após um aluno de 8 anos perguntar ao professor se ele possuía um álbum de figurinhas da Copa do Mundo. Ao responder que sim, Carlos ouviu do estudante que ele não tinha condições financeiras de adquirir um. Sensibilizado com a situação, o docente decidiu criar uma versão própria do álbum, utilizando recursos de Inteligência Artificial para transformar os alunos em figurinhas personalizadas ao lado de craques da Seleção Brasileira.
Além da produção dos álbuns, o professor também mobilizou doações para garantir que todos participassem da experiência. Foram arrecadadas 32 camisas da Seleção Brasileira, assegurando que nenhuma criança ficasse de fora.
Educação transformando realidades
O secretário municipal de Educação de Maceió, João Folha, esteve na escola nesta sexta-feira (19), para conhecer o projeto e conversar com os estudantes e o professor envolvidos na ação.
“O que vimos aqui é um exemplo de como a educação pode transformar realidades por meio da criatividade e do olhar humano dos nossos educadores. O professor Carlos conseguiu unir aprendizagem, inclusão e pertencimento em uma única iniciativa. Ver o brilho nos olhos dessas crianças mostra que estamos no caminho certo quando valorizamos práticas que acolhem, motivam e fazem sentido para os nossos estudantes”, destacou o secretário.
Aprendizagem que gera pertencimento
O entusiasmo dos estudantes ficou evidente durante a apresentação do projeto. Entre as crianças, a alegria de receber a camisa da Seleção Brasileira de Futebol e participar do álbum personalizado se transformou em motivo de orgulho.
A aluna Maria Luiza, 8 anos, contou que a camisa foi o item que mais chamou sua atenção. “Eu gostei muito do álbum, mas gostei ainda mais da camisa do Brasil. Achei ela muito bonita e fiquei muito feliz quando recebi”, disse a estudante.
Agatha Vitória da Silva, 7 anos, destacou a experiência de participar da atividade junto com os colegas. “Eu gostei muito quando o professor fez o álbum para a gente. Achei muito legal ganhar a camisa e ver todo mundo junto participando”, relatou.
Para o professor Carlos Washington, a proposta foi uma forma de aproximar o conteúdo escolar da realidade e dos interesses das crianças.
“Eu fiz esse álbum da turma e as figurinhas são eles. Criei os craques e coloquei os alunos ao lado dos principais jogadores da Seleção Brasileira. Tinha Neymar, Vinícius Júnior, Paquetá e outros atletas, misturados com os nossos estudantes usando a camisa do Brasil em formato de figurinha. Eles amaram a ideia. Mais do que trabalhar a Copa do Mundo, o objetivo era fazer com que cada criança se sentisse importante, representada e parte daquele momento”, explicou.
Para ele, o álbum foi apenas o ponto de partida para uma sequência de atividades desenvolvidas em sala de aula.
“Quando percebi que o projeto estava tomando forma, resolvi transformá-lo em uma experiência completa de aprendizagem. Trabalhamos artes com a pintura das bandeiras, atividades de leitura e escrita, separação de sílabas, consoantes e vogais. Também levei para a sala uma contação de história sobre a Copa do Mundo, adaptada ao universo infantil, para que eles entendessem como surgiu essa competição”, contou.
Segundo Carlos, o projeto também permitiu que os estudantes conhecessem aspectos culturais e geográficos dos países-sede da competição e desenvolvessem conteúdos de matemática de forma lúdica.
“Levei os alunos para conhecerem, ainda que de forma lúdica, os Estados Unidos, o Canadá e o México, que serão os países da próxima Copa. Eles conheceram os estádios, entenderam como funciona a competição, descobriram como as seleções chegam até a final e também trabalharam matemática comparando o número de títulos de cada país. Quando descobriram que o Brasil é o maior campeão da história das Copas, a empolgação foi enorme. Tudo isso aconteceu de forma muito natural porque eles estavam envolvidos com o projeto”, afirmou.
Para o docente, criar expectativa também fez parte da estratégia para estimular o interesse das crianças durante todo o processo.
“Enquanto produzia o álbum, eu mostrava um pouquinho para eles. Dizia que a figurinha já estava pronta, mostrava a arte, fazia suspense. Foi um jeito de manter a turma motivada e ansiosa pelo grande dia da entrega. Eles acompanharam cada etapa e isso tornou o momento ainda mais especial”, concluiu.
Mobilização escolar
O impacto positivo da iniciativa também foi destacado pela gestão da unidade escolar. A diretora Mariluce Melo ressaltou que o projeto conseguiu transformar um tema presente no cotidiano das famílias em uma importante ferramenta de aprendizagem.
“O professor Carlos chegou muito empolgado com essa proposta e conseguiu trazer para dentro da escola um tema que está tão presente nas nossas casas e nas nossas vidas. A partir desse trabalho, as crianças aprenderam de forma concreta, participativa e significativa. A escola abraçou a ideia, ofereceu todo o suporte possível e ficamos muito felizes com os resultados alcançados. Foi uma experiência de aprendizagem que marcou nossos estudantes”, afirmou.
A vice-diretora Ana Mônica Costa Martins destacou ainda o caráter inclusivo da ação. Segundo ela, dos 27 estudantes da turma, sete são neurodivergentes, e o projeto contribuiu para ampliar o engajamento e a participação de todos.
“Quando o professor Carlos apresentou essa proposta, percebemos imediatamente o potencial que ela tinha para envolver os alunos. É uma turma que conta com sete estudantes neurodivergentes, e o projeto conseguiu atender diferentes necessidades, despertando interesse, motivação e participação. As figurinhas criaram uma conexão muito forte com as crianças, ajudando na disciplina, no engajamento e no desenvolvimento das atividades”, destacou.
Mais do que um álbum de figurinhas, a iniciativa mostrou que a educação pode ser uma poderosa ferramenta de inclusão e transformação social. Ao unir criatividade, tecnologia e empatia, o projeto fez com que cada criança se sentisse protagonista da própria história, fortalecendo a autoestima, o sentimento de pertencimento e o prazer de aprender.