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Eventos fortalecem economias locais e ampliam oportunidades no Norte e Nordeste

03/06/2026
Eventos fortalecem economias locais e ampliam oportunidades no Norte e Nordeste

Doreni Caramori Júnior é empresário e presidente da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE)

O setor de eventos possui uma característica que o diferencia de diversas outras atividades econômicas: sua capacidade de gerar desenvolvimento de forma descentralizada. Ao mobilizar visitantes, investimentos e serviços em municípios de diferentes portes, distribuem renda, estimulam o empreendedorismo e criam oportunidades em regiões muitas vezes distantes dos principais centros econômicos do país. No Norte e Nordeste, essa dinâmica se manifesta de forma consistente por meio de festivais, festejos juninos, celebrações religiosas e manifestações tradicionais que movimentam economias locais e fortalecem identidades.

Essas regiões concentram alguns dos eventos mais relevantes do calendário brasileiro. Além de preservarem patrimônios, essas iniciativas impulsionam setores como hospedagem, alimentação, transporte, comércio e entretenimento, ampliando a circulação de recursos e beneficiando milhares de trabalhadores e empresas.

Na Região Norte, o Festival Folclórico de Parintins, no Amazonas, exemplifica com clareza essa capacidade de transformação econômica. Reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil, ultrapassa a dimensão artística ao se consolidar como um importante vetor de geração de renda para o município e para toda a região. Estimativa da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur) aponta que a edição de 2025 movimentou cerca de R$ 180 milhões na economia local em apenas três dias.

Os reflexos chegam diretamente à população. Pesquisa realizada pela Serasa em parceria com o instituto Opinion Box revelou que 46% dos entrevistados pretendem trabalhar durante o Festival de Parintins deste ano para complementar a renda e reorganizar as finanças. Entre aqueles que pretendem atuar durante o período, 56% estimam ganhos superiores a R$ 1 mil, enquanto 53% acreditam que terão aumento acima de 40% na renda mensal. Os números demonstram como os eventos funcionam como instrumentos de dinamização econômica, ampliando oportunidades temporárias de trabalho e fortalecendo pequenos negócios.

A agenda também inclui iniciativas com impactos relevantes em diferentes municípios. A Ecotrilha de Ananindeua, no Pará, estimula o turismo de natureza e valoriza os ativos ambientais da região. Em Rondônia, o Arraiá Ariquemes reúne milhares de participantes em torno da cultura popular, da gastronomia e das quadrilhas juninas. Já as festividades em homenagem a Santo Antônio, em Nhamundá, reforçam a importância das manifestações religiosas para a movimentação econômica e turística local.

Fortalecimento da identidade

No Nordeste, os festejos juninos representam uma das maiores expressões dessa força descentralizadora. O São João de Campina Grande, na Paraíba, consolidou-se como um dos principais eventos culturais do país, atraindo visitantes durante mais de um mês de programação e impulsionando uma ampla cadeia de serviços. O impacto econômico alcança hotéis, restaurantes, transportadoras, comerciantes, trabalhadores autônomos e prestadores de serviços de diversos segmentos.

O mesmo movimento pode ser observado em eventos como o Forró Caju, em Aracaju, que fortalece o turismo regional e amplia o fluxo de visitantes em Sergipe. Na Bahia, o São João de Lençóis e a tradicional Cavalgada preservam manifestações ligadas à identidade do interior nordestino, enquanto a Festa do Cacau, em Piraí do Norte, conecta cultura, turismo e valorização da produção regional.

Mais do que promover entretenimento, os eventos funcionam como plataformas de desenvolvimento econômico distribuído. Ao contrário de investimentos concentrados em grandes capitais, seus benefícios alcançam cidades de diferentes portes, ativando cadeias produtivas locais e criando condições para que empresas e trabalhadores participem diretamente da geração de riqueza.

Impactos em todo o país

Os dados mais recentes do Radar Econômico da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE) confirmam esse papel em âmbito nacional. No primeiro trimestre de 2026, o core business do setor registrou saldo positivo superior a 3,1 mil empregos formais. Quando analisado o hub setorial, formado por 52 atividades impactadas indiretamente pelos eventos, o saldo ultrapassou 50 mil postos de trabalho no mesmo período.

Os números revelam que, para cada oportunidade gerada diretamente pelo setor, as atividades associadas avançaram em cerca de 16 postos de trabalho, demonstrando a capacidade dos eventos de impulsionar diferentes áreas da economia. Esse movimento alcança desde bares, restaurantes, hospedagem e operadores turísticos até segmentos como infraestrutura, segurança privada, publicidade, logística e serviços especializados.

O ambiente empreendedor também apresenta expansão. Apenas no primeiro trimestre deste ano, o core business registrou saldo positivo superior a 11 mil novos CNPJs, enquanto o hub setorial contabilizou abertura líquida de mais de 87 mil empresas. O consumo ligado ao segmento atingiu R$ 38,1 bilhões no período, crescimento de 9,7% na comparação anual.

Esses resultados reforçam o papel estratégico dos eventos para o desenvolvimento do país. No Norte e Nordeste, onde cultura, turismo e economia caminham de forma integrada, os impactos são percebidos diretamente nos municípios, fortalecendo cadeias produtivas, ampliando oportunidades e promovendo uma distribuição mais ampla dos benefícios econômicos. Trata-se de uma atividade que gera valor onde ela acontece, contribuindo para o crescimento regional e para o fortalecimento da economia nacional.

Doreni Caramori Júnior é empresário e presidente da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE)


Sobre a ABRAPE

Criada em 1992 com o propósito de promover o desenvolvimento e a valorização das empresas produtoras e promotoras de eventos culturais e de entretenimento no Brasil, a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos - ABRAPE, tem, atualmente, mais de 850 associados, sediados em todos os Estados da Federação, que representam o PIB dos eventos do Brasil. Foi a entidade que liderou o setor na pandemia, protagonizando a criação e a manutenção do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos PERSE: o maior programa de transação fiscal da história do Brasil e o principal Programa de desoneração fiscal após do Simples Nacional. Com importante representatividade, é referência em associativismo de classe.

Fonte: Assessoria