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Documentário produzido na Ufal é destaque em Festival Internacional em Milão
Juliana Gomes
Um documentário desenvolvido a partir de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) no Campus Arapiraca da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), foi selecionado para o Duemila30, festival internacional realizado em Milão, na Itália, voltado para jovens cineastas comprometidos com impactos sociais e com a Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).
Intitulado “Amyá ay Barae”, expressão indígena que significa “Alimentando o Futuro”, a obra nasceu da proposta de transformar temas científicos em uma linguagem mais acessível ao público. O trabalho foi produzido pela egressa do curso de Ciências Biológicas da Ufal em Arapiraca e contou com a orientação da professora Larissa Sátiro, docente do curso.
Segundo a agora egressa da Ufal e produtora do filme, Maria Júlia Batalha, a ideia surgiu da necessidade de ampliar a divulgação científica para diferentes públicos, utilizando o audiovisual como ferramenta de aproximação entre ciência, arte e sociedade. Além disso, o projeto também carrega um significado afetivo, funcionando como uma homenagem à avó da pesquisadora.

“O filme fala sobre as possibilidades que já existem atreladas ao Nordeste, mais especificamente em Alagoas, relacionadas a soluções por possíveis para que a gente consiga manter níveis razoáveis de nutrição”, explica a professora e orientadora do projeto Larissa Sátiro.
O documentário aborda os impactos das mudanças climáticas na alimentação, relacionando o tema às hortas urbanas e às Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs). A proposta busca mostrar que as mudanças climáticas não estão distantes da realidade cotidiana, mas afetam diretamente questões essenciais para a sobrevivência humana: “Nosso trabalho revela que esse problema está diretamente ligado ao nosso bem mais precioso para a sobrevivência: a alimentação”, destaca a pesquisadora.
A produção do filme trouxe desafios técnicos e acadêmicos, especialmente pela necessidade de conciliar as demandas da graduação com as etapas de gravação, edição e organização da defesa do TCC. A pesquisadora também organizou uma exposição artística durante a apresentação do trabalho, reunindo obras relacionadas ao tema em parceria com artistas locais.
De acordo com Larissa Sátiro, projetos como esse são extremamente relevantes, tendo em vista que a ciência produzida na universidade pode promover mudanças efetivas, porque alcança um público que realmente pode lançar mão dessas técnicas para ter uma qualidade de vida melhor.
Festival em Milão
A seleção para o festival em Milão foi recebida com surpresa pela autora e sua orientadora. O filme havia sido enviado anteriormente em uma plataforma de submissão de filmes, e, meses depois, recebeu não apenas a confirmação de participação, mas também um convite oficial para integrar o evento. Atualmente, a obra concorre ao prêmio de Melhor Curta.

Antes da seleção para o Duemila30, o documentário já havia sido exibido em festivais nacionais e internacionais. A estreia internacional aconteceu no Festival de Jovens Cineastas do Kosovo (Kyff). Posteriormente, o filme participou de mostras e festivais em Portugal, Inglaterra, Estados Unidos e diferentes regiões do Brasil, consolidando o reconhecimento da produção no circuito cinematográfico.
Além do reconhecimento artístico, o projeto também influencia os próximos passos acadêmicos da pesquisadora, Maria Júlia, que pretende aprofundar os estudos sobre os impactos do aquecimento global nas populações de Pancs durante o mestrado: “Essa conquista demonstra que valeram a pena todas as noites mal dormidas, os inúmeros artigos lidos sobre o tema e os dois anos dedicados à criação de algo que fosse científico, mas que também apresentasse uma linguagem mais acessível”, afirma.
A conquista também evidencia o papel da Universidade Federal de Alagoas no incentivo à pesquisa, à produção científica e às iniciativas interdisciplinares que aproximam conhecimento acadêmico e sociedade. Ao alcançar festivais internacionais, o documentário leva o nome da Ufal para diferentes espaços culturais e científicos, reafirmando a relevância da universidade pública na formação de pesquisadores e na produção de conteúdos comprometidos com questões sociais, ambientais e culturais.
