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Projeto Labium Imagem expõe memórias da pandemia em Alagoas

02/06/2026
Projeto Labium Imagem expõe memórias da pandemia em Alagoas
Fotos: Labium Imagem na Quarentena segue em exposição em Brasília/DF | Dayvisson Thiago

Juliana Gomes

O projeto de extensão “Labium Imagem na Quarentena”, coordenado pela professora do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Janayna Ávila, está presente na exposição itinerante do Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS). O projeto teve como ponto de partida a colaboração dos estudantes e servidores da Ufal que produziram por meio da fotografia, registros do cotidiano da pandemia em Alagoas.

A exposição foi aberta no dia 26 de maio, no shopping Conjunto Nacional, em Brasília. A entrada é gratuita e a mostra reúne dez estações imersivas que transformam registros digitais em experiência sensorial e coletiva.

Mais de 60 registros que integram a coleção, os quais foram produzidos entre junho e setembro de 2020, publicados originalmente no blog do Projeto Labium Imagem. As fotografias são acompanhadas de pequenos textos, elaborados pela coordenadora do projeto, Janyna Ávila, sobre as experiências vivenciadas pelos participantes durante a quarentena e sobre o próprio ato de fotografar, a partir de depoimentos enviados por eles ao projeto.

São narrativas visuais que compuseram um mosaico poético que reflete o olhar dos autores sobre as novas configurações do cotidiano impostas pela covid-19.

Segundo Janayna, a inserção do acervo de Alagoas à mostra e ao memorial só foi possível através da parceria com o Centro de Humanidades Digitais da Unicamp.

“São registros tristes, solitários, mas essenciais à construção da memória. Momentos que não devem se repetir devem ser lembrados. E a fotografia é testemunha ocular, tem papel essencial nesse processo”, declara a coordenadora do projeto.

Projeto Labium Imagem

De acordo com a professora, o projeto Labium Imagem na Quarentena foi concebido no curso de Jornalismo da Ufal, na disciplina Fotografia e Fotojornalismo. A iniciativa teve como ponto de partida o entendimento de que a imagem constitui um importante registro histórico, capaz de garantir a circulação de memórias com potencial de alcançar um amplo público. No contexto da pandemia, as fotografias produzidas durante o isolamento puderam ser compreendidas como elementos expressivos de compartilhamento de experiências entre pessoas que, naquele momento, não podiam se encontrar fisicamente.

“Ao utilizar a fotografia para retratar a vida durante a pandemia, os participantes elaboraram reflexões sobre as novas configurações do cotidiano, imprimindo nas imagens muitos dos sentimentos evocados no período, como solidão, medo, tristeza, vazio, afeto, alívio, angústia, nostalgia, isolamento, demonstrando atenção aos pequenos detalhes da vida”, explicou a coordenadora.

A mostra nasce de um acervo construído colaborativamente: o Memorial Digital da Pandemia de covid-19, desenvolvido pelo Ministério da Saúde em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme) e o Centro de Humanidades Digitais da Unicamp.

Com projeto expográfico assinado pelo Estúdio Bijari, a exposição adota uma abordagem multimídia e interativa, reunindo relatos, fotografias, vídeos, cartas, diários, mensagens e testemunhos de pessoas de diferentes regiões, classes sociais, culturas e realidades do país.

Após a mostra itinerante, o acervo de Alagoas passa a compor o Memorial Digital da Pandemia de covid-19, no Rio de Janeiro/RJ. Concebida em formato modular e itinerante, a exposição pode ser visitada gratuitamente em Brasília até 28 de junho. Na sequência, seguirá para São Paulo, Fortaleza, Manaus e Porto Alegre, antes de se tornar parte permanente do CCMS na cidade carioca.