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Novo Parque Linear impulsiona sonhos do futebol feminino em Riacho Doce
Mica Pereira
Às terças à noite, dezenas de moradores de Riacho Doce e região já têm um compromisso marcado: acompanhar os treinos do Garça Futebol Clube Feminino. O time reúne mulheres de todas as idades, que buscam no esporte um refúgio da rotina corrida e a esperança de um futuro melhor.
O cenário para os jogos é a areninha esportiva, que integra o novo Parque Linear de Riacho Doce, entregue em março de 2026. A estrutura conta com 4.850 m² de área e foi pensada para atender todos os públicos e aproximar os moradores de seu território. Com um investimento superior a R$1,8 milhão, o parque também possui academia 60+, playground, ciclovia e quiosques.
A ideia do time surgiu a partir do projeto Elas Jogam, fundado em 2023 pela professora Israelita Azevedo e Briar Leith. Segundo Israelita, o principal objetivo da iniciativa era inserir o futebol na vida das mulheres da região, não apenas como uma forma de lazer, mas também como um espaço de acolhimento, fortalecimento e construção de uma rede de apoio entre elas.
No início, sem um lugar apropriado para os jogos, a opção era treinar na areia da praia ou campos sem grama sintética. “Em épocas de chuva o campo ficava todo esburacado, com valas mesmo, em que várias meninas se machucaram”, relembra.
A chegada da nova estrutura representa também um incentivo para que Israelita continue à frente do projeto, apesar das dificuldades. Diagnosticada com fibromialgia há quatro anos, ela convive diariamente com dores, mas afirma que a paixão pelo esporte e o impacto do projeto em outras mulheres a motivam a seguir. “É uma luta diária estar aqui, mas eu amo jogar bola e sei que é importante para as outras mulheres”, conta.
Atualmente, o Elas Jogam conta com mais de 30 mulheres moradoras de Riacho Doce e bairros próximos, como Guaxuma, Garça Torta e Ipioca. Entre elas, está Sophia Alves, de 13 anos, que sonha em um dia estrear nos gramados profissionais.
Ela conta que começou a gostar de futebol aos 10 anos, influenciada pelo pai e pelo irmão mais velho. Foi também nessa época que conheceu o projeto, ainda nos primeiros passos. “Quando entrei tinha apenas quatro pessoas. Tá tudo muito diferente, jogávamos em um campo de barro, hoje tá bem melhor”, lembra.
Entre as experiências que mais gosta no time, Sophia destaca as viagens e o convívio com as outras jogadoras. Para ela, o futebol se tornou também um espaço de amizade e pertencimento.
Mais do que formar atletas, o projeto vem fortalecendo vínculos e criando oportunidades para mulheres que, por muito tempo, não tiveram espaço no esporte. Em Riacho Doce, cada treino é também uma demonstração de resistência, união e transformação social, dentro e fora de campo.
Confira aqui um pouco deste projeto. Vídeo: Caio Fleming/Secom Maceió