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Mais de 24 milhões ainda não entregaram o Imposto de Renda 2026
A pouco mais de três semanas do fim do prazo para a entrega da Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2026, a Receita Federal acende o sinal de alerta. Até as 6h42 do dia 6 de maio, foram enviadas 19.682.613 declarações, o que representa cerca de 44,7% do total esperado de 44 milhões neste ano. Ou seja, aproximadamente 24,3 milhões de contribuintes ainda não prestaram contas.
O prazo final segue mantido para 29 de maio de 2026, às 23h59min59s. “A recomendação é clara: não deixe para os últimos dias. Prepare sua declaração com antecedência, mesmo que opte por transmitir mais próximo do prazo final”, alerta Richard Domingos, diretor executivo da Confirp Contabilidade.
Malha fina dispara em 2026 e reforça urgência na entrega antecipada
Além do risco de multa por atraso, um outro fator torna ainda mais importante antecipar o envio da declaração: o aumento expressivo das retenções em malha fina. Somente por divergências de informações, mais de 250 mil contribuintes já tiveram suas declarações retidas pela Receita Federal neste início de temporada. O número chama atenção, especialmente quando comparado ao último exercício completo, que registrou cerca de 1,4 milhão de declarações retidas por diferentes motivos.
O cenário indica que 2026 tende a ser um dos anos mais rigorosos da fiscalização. “Quem entrega antes ganha tempo para corrigir eventuais problemas. Esse é um ponto estratégico neste ano, em que o número de retenções já começa elevado”, explica Richard Domingos.
O principal fator por trás desse aumento está na mudança do modelo de envio de informações ao Fisco, com o fim da DIRF. Agora, os dados são transmitidos ao longo do ano por diferentes sistemas, como eSocial e EFD-Reinf.
“Antes havia uma base única. Hoje, as informações são fragmentadas e enviadas em momentos diferentes. Isso aumenta significativamente o risco de divergências”, afirma Domingos. Segundo ele, muitos casos de malha fina não estão ligados a erro do contribuinte, mas sim à inconsistência na origem dos dados.
“Estamos vendo situações em que a empresa informa um valor ao Fisco e outro no informe de rendimentos. Quando o contribuinte declara com base nesse documento, o sistema identifica a diferença e retém automaticamente”, explica.
Um dos pontos mais críticos deste ano é que o contribuinte pode ser impactado mesmo tendo preenchido corretamente a declaração. “Esse é um cenário novo. A pessoa pode cair na malha fina por divergência entre bases de dados. Por isso, a conferência precisa ser ainda mais criteriosa”, alerta Domingos.
Erros mais comuns continuam liderando retenções
Apesar da mudança estrutural, os erros tradicionais seguem sendo os principais responsáveis pelas retenções. Entre os mais frequentes estão:
Omissão de rendimentos, inclusive de dependentes
Erros ou falta de comprovação em despesas médicas
Divergências no imposto retido na fonte
Informações inconsistentes sobre aluguel
Inclusão indevida de dependentes
Falhas na declaração de investimentos e operações em bolsa
Esses dados são facilmente cruzados pela Receita com informações de empresas, bancos, planos de saúde e outras instituições.
Outro ponto de atenção em 2026 é o uso da declaração pré-preenchida, que já representa 59,9% dos envios. “A pré-preenchida agiliza, mas não elimina riscos. Como os dados vêm de diferentes fontes, qualquer erro será importado automaticamente. Confiar sem revisar pode aumentar as chances de cair na malha fina”, destaca Domingos.
Em relação as declarações já enviadas, os dados mais recentes da Receita mostram o seguinte cenário:
69,4% das declarações resultam em imposto a restituir
17,4% dos contribuintes terão imposto a pagar
13,2% estão sem imposto devido
Quem deve declarar em 2026
Pelas regras atualizadas do IR 2026 (ano-base 2025), está obrigado a declarar quem:
Recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584,00
Recebeu rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 200 mil
Obteve ganho de capital na venda de bens
Realizou operações em bolsa acima de R$ 40 mil ou com lucro tributável
Teve receita bruta rural superior a R$ 177.920,00
Possuía bens superiores a R$ 800 mil em 31 de dezembro de 2025
Tornou-se residente no Brasil em 2025
Possui rendimentos ou investimentos no exterior, entre outras situações
Entregar agora ou esperar?
A decisão sobre o melhor momento para enviar a declaração depende do perfil do contribuinte, mas em 2026 há um novo fator relevante: o risco de retenção. “Quem entrega antes não só pode receber a restituição mais rápido, como também ganha tempo para corrigir inconsistências caso caia na malha fina”, explica Domingos.
Riscos de deixar para a última hora
Congestionamento no sistema da Receita
Falta de documentos importantes
Maior chance de erros
Menor tempo para corrigir pendências
Multa mínima de R$ 165,74 por atraso
Com mais de 24 milhões de declarações ainda pendentes e um cenário de fiscalização mais rigoroso, especialistas reforçam que antecipação e conferência são fundamentais.
“Em um ambiente com cruzamento de dados cada vez mais sofisticado, pequenos erros fazem diferença. O contribuinte precisa revisar, comparar informações e acompanhar o processamento após o envio”, conclui Richard Domingos.

Fonte: Assessoria