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Eficiência pública enfrenta entraves técnicos e políticos
Um levantamento realizado pelo Conselho Regional de Administração de São Paulo - CRA-SP revela como os profissionais da área avaliam os principais desafios e prioridades da gestão pública, em meio a um cenário marcado por transformações tecnológicas e tensões ideológicas. Os dados apontam para a necessidade de maior eficiência, planejamento e continuidade nas políticas públicas.
Entre as questões que deveriam ser as prioridades para a próxima gestão estadual, a governança e o combate à corrupção aparecem na liderança, mencionados por mais da metade dos respondentes (52%). Em seguida, destacam-se o equilíbrio fiscal e a gestão de gastos (40,1%) e a reforma administrativa (27,4%).
A percepção dos profissionais indica que o fortalecimento de mecanismos de controle, aliado à modernização da estrutura administrativa, é visto como caminho central para melhorar a eficiência do setor público. Também são citados o fortalecimento de parcerias com a iniciativa privada (19,9%) e a regionalização de investimentos (18,5%).
Já a transformação digital e o uso de inteligência artificial, embora relevantes no debate atual, aparecem com menor destaque, sendo apontados por 12,3% dos participantes.
Polarização afeta critérios técnicos na gestão
O levantamento também evidencia os impactos da atual polarização política na gestão pública. Para 49,9% dos profissionais de Administração ouvidos, o principal efeito negativo deste cenário é o apadrinhamento político, com a ocupação de cargos por critérios ideológicos e não técnicos.
Outros fatores apontados incluem a ineficiência na alocação de recursos, com a destinação de verbas baseadas em afinidade política (16,9%) e a desinformação aliada à crise de confiança, que dificultam a comunicação das políticas públicas (10,2%). A interrupção de projetos a cada mudança de governo (9,7%) e a dificuldade de diálogo entre diferentes esferas de poder (7,4%) também aparecem como obstáculos relevantes.
Os dados mostram a percepção dos profissionais de Administração de que a instabilidade política pode comprometer a continuidade de ações estratégicas e a qualidade da gestão.
Para o Adm. Daniel Sguerra, gerente de Relacionamento do CRA-SP, ao ouvir os seus registrados, o Conselho contribui para o debate qualificado sobre o setor público. “A Administração traz uma visão técnica, orientada por planejamento, indicadores e resultados. Quando esses profissionais manifestam suas percepções, é possível identificar com mais clareza onde estão os gargalos e quais caminhos podem gerar mais eficiência para a gestão pública. Incorporar essa perspectiva ao debate contribui para decisões mais consistentes e sustentáveis”, afirma.
O levantamento do CRA-SP ouviu 569 profissionais, de forma voluntária, entre os dias 28 de janeiro e 19 de fevereiro de 2026. Os resultados gerais do estudo estão disponíveis no site do Conselho.
Sobre o CRA-SP: O Conselho Regional de Administração de São Paulo – CRA-SP é uma autarquia federal, criada em 1968 (três anos após a regulamentação da profissão de Administrador) que atualmente reúne cerca de 8 mil empresas e 60 mil profissionais registrados. Embora suas principais funções sejam o registro e a fiscalização do exercício profissional nas áreas da Administração, o CRA-SP tornou-se referência na qualificação de profissionais, ao disponibilizar, de forma gratuita, palestras e eventos em um ambiente onde o conhecimento é tratado como uma poderosa ferramenta, capaz de promover profundas mudanças sociais. Atualmente, o CRA-SP é presidido pelo Adm. Alberto Whitaker.
Ascom CRA-SP