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Especialista do Centro de Patologia da Uncisal reforça importância de exames no combate à hipertensão
Keila Nascimento
No dia 26 de abril, quando é celebrado o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, o Centro de Patologia e Medicina Laboratorial (CPML), unidade de apoio assistencial da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), faz um alerta sobre os riscos da chamada “doença silenciosa” e destaca a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento contínuo.
Em Alagoas, os impactos da hipertensão são considerados preocupantes. O infarto agudo do miocárdio, uma das principais consequências da pressão alta, provoca em média quatro mortes por dia no estado. Apenas nos três primeiros meses de 2024, foram registrados 371 óbitos por essa causa.
Dados da Pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, apontam que 26% da população de Maceió é hipertensa. Outro fator que agrava o cenário, segundo a Secretaria Estadual de Saúde, é a baixa adesão ao tratamento: somente 30% dos pacientes mantêm o controle adequado da doença.
De acordo com o bioquímico Marden Ferraz, do CPML/Uncisal, o acompanhamento da hipertensão vai além da medição da pressão arterial. “Exames laboratoriais são fundamentais para identificar se a doença já está causando danos em órgãos-alvo, como rins e vasos sanguíneos”, explica.
Entre os principais exames indicados, estão a creatinina e a ureia, que avaliam a função renal e indicam possíveis comprometimentos causados pela pressão alta. O perfil lipídico também é essencial, pois monitora níveis de colesterol e triglicerídeos, diretamente relacionados ao risco de infarto.
Já a dosagem de sódio e potássio é importante, especialmente para pacientes que fazem uso de medicamentos diuréticos, enquanto a glicemia auxilia na detecção do diabetes, condição frequentemente associada à hipertensão. O exame de urina, por sua vez, pode identificar a presença de proteínas, sinal precoce de lesão renal.

O CPML tem papel estratégico na rede pública de saúde em Alagoas. A unidade realiza diariamente entre 80 e 100 atendimentos ambulatoriais, além de processar amostras provenientes de hospitais da rede Uncisal, do sistema prisional e de outras unidades estaduais.
Marden Ferraz reforça que a prevenção é o caminho mais eficaz para evitar complicações graves. “A prevenção e o acompanhamento regular são as únicas formas de evitar problemas como o AVC e o infarto. A periodicidade dos exames deve ser definida pelo médico, de acordo com o risco de cada paciente”, destaca.
Além do monitoramento laboratorial, especialistas ressaltam que mudanças no estilo de vida são essenciais para o controle da hipertensão. A prática de atividades físicas, a redução do consumo de sal, o abandono do tabagismo e a alimentação equilibrada continuam sendo as principais recomendações para reduzir os índices de mortalidade no estado.