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Mercado de pets exóticos cresce em Alagoas e impulsiona negócios especializados
Por Lilian Santos
O mercado de pets não convencionais tem crescido no Brasil, impulsionado por consumidores em busca de experiências diferentes e pelo interesse em espécies alternativas aos tradicionais cães e gatos, como répteis, entre eles cobras, lagartos, jabutis e quelônios. Em Alagoas, o segmento também apresenta resultados positivos, como demonstra o Fauna Criadouro, que registrou aumento de 30% no faturamento nos últimos anos, resultado de investimentos em manejo especializado, marketing digital e profissionalização da gestão.
O Brasil possui uma das maiores populações de animais de estimação do mundo, com cerca de 160 milhões de pets, entre cães, gatos, aves e peixes, de acordo com levantamento da Abinpet e do Instituto Pet Brasil. Dentro desse universo, espécies exóticas e não convencionais também avançam, apresentando 2,9 milhões de répteis e pequenos mamíferos, reforçando o potencial econômico do segmento.
A criação e comercialização desses animais depende de licenciamento ambiental específico. Alagoas se destaca por possuir legislação que permite a criação e venda legalizada desses animais licenciados. Atualmente, o estado conta com 12 empreendimentos que atuam no segmento de forma responsável, seguindo normas ambientais e de bem-estar animal.
Fauna Criadouro
Localizado no litoral norte de Alagoas, o Fauna Criadouro é um dos empreendimentos do estado voltados à criação de répteis, tendo como pilares o controle genético, a qualidade e o bem-estar animal. Com mais de sete anos de atuação, o negócio tem se consolidado como referência nacional pelo cuidado com os animais e pelo processo estruturado de pré e pós-venda, que oferece mais segurança ao cliente e ao pet.
O Fauna nasceu de forma despretensiosa. Apaixonado por geckos, Andrey Farias decidiu formalizar a atividade para manter os animais dentro da legalidade. O que começou como hobby ganhou escala com o aumento da procura. O lote inicial de sete animais deu origem a uma estrutura que hoje soma cerca de 160 matrizes, com meta de alcançar 200 no próximo ciclo e atendimento para todo o Brasil.
A praticidade de manejo de alguns animais e a singularidade dessas espécies também contribuem para a expansão do interesse. “É crucial que ter um pet exótico seja uma escolha consciente. Cada espécie tem necessidades específicas, e o tutor precisa estar preparado para atendê-las. Antes de adquirir um pet não convencional, é fundamental buscar informações confiáveis, entender as responsabilidades e avaliar se é possível oferecer as condições adequadas ao longo da vida do animal. Ter um animal exótico vai além da estética, exige compromisso, responsabilidade e preparo”, destaca Débora Medeiros, analista de Relacionamento Empresarial do Sebrae Alagoas.

De hobby a negócio: Andrey Farias transformou a paixão por geckos em um empreendimento em expansão
Diferenciais competitivos
Desde o início, houve uma preocupação genuína com a genética dos animais criados e comercializados pelo Fauna, fator que se tornou um dos principais diferenciais competitivos do negócio. Cada filhote possui histórico genético rastreado, com identificação de linhagem, pais e data de nascimento.
A nutrição também é tratada como base do negócio e da reprodução, com processos controlados e balanceados, considerados essenciais para o desenvolvimento saudável dos animais. A criação de um biotério próprio garantiu padrão nutricional e maior previsibilidade operacional.
Com equipe dedicada, que inclui o trabalho da bióloga e técnica veterinária Priscila Barbosa, o Fauna passou a produzir internamente grande parte da alimentação, o que elevou a produtividade e permitiu manter estoque próprio. “Para nós, a reprodução não começa na cópula. Começa na alimentação. Um animal bem nutrido reproduz melhor, cresce melhor e chega melhor ao cliente final”, reforça Andrey.
Além do cuidado com genética e reprodução, o criadouro mantém um processo estruturado de pré e pós-venda para garantir o bem-estar do animal em seu novo lar. Antes da compra, o cliente recebe orientações sobre manejo, rotina e compatibilidade com a espécie escolhida. Após a venda, conta com acompanhamento por 30 dias, além de indicação de fornecedores de alimentação, parceiros especializados e uma rede de assistência em diferentes estados.

Referência no segmento, o Fauna Criadouro une manejo técnico, genética e bem-estar animal
Gestão e marketing como motores do crescimento
O crescimento do Fauna também foi impulsionado pelo uso estratégico das redes sociais. O criadouro foi um dos primeiros do segmento a investir em marketing digital de forma estruturada, desenvolvendo um e-commerce funcional no qual o cliente pode realizar a compra diretamente.
Mesmo com um perfil menor nas redes sociais, nossas vendas acompanham grandes players do mercado. Isso acontece porque trabalhamos conteúdo estratégico e construímos uma relação de confiança com o cliente”, explica Karlla Lima, sócia-fundadora do Fauna Criadouro.
Atualmente, o empreendimento trabalha com 33 espécies, distribuídas entre serpentes, lagartos e quelônios. Os animais comercializados variam de R$1.499,00 a R$45.000,00, a depender da espécie e da genética. O aumento de 30% no faturamento nos últimos dois anos tem sido revertido em investimentos na própria empresa, como ampliação da equipe, hoje composta por sete pessoas, e melhorias na infraestrutura do criadouro.

Com apoio do Sebrae, o negócio ganhou gestão profissional e acelerou seu crescimento
Com o crescimento acelerado, os empresários também investiram em profissionalização da gestão por meio de soluções do Sebrae. “O ALI foi um divisor de águas para estruturar processos. Agora buscamos novos passos, como o Empretec, para sustentar essa expansão”, afirma Andrey.
O crescimento não apenas consolida o Fauna Criadouro como um potencial no mercado, mas também o potencial de um mercado ainda em expansão em Alagoas, que une nicho especializado, inovação e novas oportunidades de negócio.