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Crédito para renovação de frota recoloca transporte no centro da agenda econômica

22/04/2026
Crédito para renovação de frota recoloca transporte no centro da agenda econômica
Fotos: José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, presidente do Sinaceg | Divulgação

A ampliação do programa Move Brasil, com nova rodada de crédito que pode alcançar R$ 20 bilhões, indica uma mudança relevante na forma como o transporte volta a ser tratado dentro da política econômica do país. O tema deixa de aparecer apenas como resposta pontual e passa a ganhar contorno mais estrutural, associado à produtividade e à capacidade de operação do setor.

Após o esgotamento dos R$ 10 bilhões da primeira fase, o governo avalia expandir a linha mantendo o modelo de funding híbrido entre Tesouro Nacional e BNDES, com possibilidade de incluir ônibus e implementos rodoviários no pacote de financiamento. A sinalização amplia o alcance da medida e reforça a leitura de que o desempenho logístico depende de um conjunto de fatores, não apenas da renovação dos veículos.

O Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), que reúne mais de 5 mil profissionais especializados no transporte de veículos zero quilômetro em todo o país, avalia que o avanço do programa tem potencial de reorganizar a dinâmica da operação, desde que o crédito chegue com condições compatíveis com a realidade do setor.

“A renovação da frota impacta diretamente a estabilidade da operação. Veículos mais antigos aumentam o custo, reduzem a confiabilidade e ampliam os riscos. Quando há acesso a financiamento com previsibilidade, o transportador consegue planejar melhor, reduzir perdas e operar com mais consistência”, afirma José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, presidente do Sinaceg.

Alcance ampliado muda dinâmica da cadeia

A possível inclusão de ônibus e implementos rodoviários amplia o efeito da política sobre diferentes etapas do transporte. No caso dos implementos, a atualização interfere no rendimento logístico, na redução de avarias e na qualidade das entregas, especialmente em operações que exigem maior regularidade.

“A modernização precisa alcançar a operação como um todo. Equipamento defasado gera perda de eficiência, pressiona custo e compromete o resultado. Quando o investimento alcança o conjunto da frota, o ganho aparece no dia a dia, com mais previsibilidade e melhor padrão de serviço”, diz Márcio Galdino, diretor regional do Sinaceg.

A nova etapa do Move Brasil também se insere no movimento do governo de direcionar crédito para segmentos com capacidade de reagir mais rapidamente à atividade econômica. Nesse cenário, o transporte aparece como elo central, tanto pela capilaridade quanto pelo impacto direto sobre cadeias produtivas.

Para o Sinaceg, o ponto decisivo está na execução. O efeito da medida depende do alcance real do crédito e da capacidade de atender quem está na ponta da operação. Em um setor pressionado por custo, risco e margem, a renovação da frota tende a influenciar diretamente o nível de eficiência e a competitividade logística do país.

Ascom Sinaceg