Geral

Tribunal de Justiça fortalece cultura da adoção no Sertão de Alagoas

16/04/2026
Tribunal de Justiça fortalece cultura da adoção no Sertão de Alagoas
Fotos: Juiz Anderson Passos fala na abertura do evento. | Itaciara Albuquerque.

O conselheiro tutelar Denilson Silva e a servidora Liziane Bezerra têm dois filhos, mas alimentam o sonho de adotar uma criança. O casal participou, nesta quinta (16), do 1º Encontro Regional de Adoção, promovido pelo Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) em São José da Tapera, no Sertão alagoano.

"Quando se trata de crianças, a gente entende que elas devem ser acolhidas. Elas necessitam realmente de amor, de carinho, desse tipo de coisa que deveria ser dado na família onde foram concebidas, mas que não aconteceu", disse Lisiane.

Denilson contou que o desejo de adotar surgiu de seu trabalho junto à casa de acolhimento do município. "Da minha convivência com a casa surgiu esse lado de amor. É importante ter um olhar especial para essas crianças".


Denilson Silva e Liziane Bezerra estão se preparando para adotar. Foto: Itaciara Albuquerque.

Além do curso preparatório para adoção, que contou com a presença de quase 40 pessoas, houve palestras sobre desenvolvimento infantil, serviço de família acolhedora, entrega legal e apadrinhamento.

O encontro foi organizado pela Coordenadoria da Infância e Juventude do TJAL, com apoio da Prefeitura e da Casa de Acolhimento Regional Irmã Redempta.

De acordo com o juiz Anderson Passos, que está à frente da CEIJ, o objetivo é regionalizar as discussões. "Estamos aqui para debater sobre a importância do ato de adotar e também mobilizar a sociedade do Sertão para essa temática".

No encontro, foram abordados ainda mitos e verdades envolvendo o processo de adoção. "Uma coisa importante é que a adoção não é só para um casal, uma família tradicional. A pessoa sozinha pode adotar, como também os casais homoafetivos. A legislação aceita as diversas formas de família".

O desafio do Judiciário, explicou o magistrado, é aumentar a adoção de crianças maiores. "Muitos buscam apenas crianças jovens, bebês, e o nosso desafio em todos os encontros é também mostrar que crianças maiores e adolescentes também estão com vontade de serem adotados e que podem ser adotados. A gente precisa entender isso, ampliar o leque, abrir o coração para outras possibilidades".

O evento teve ainda bate-papo com estudantes sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) na era digital. O debate abordou direitos e deveres dentro do ambiente virtual, cyberbullying e saúde mental.

Para Aline Santos, coordenadora da Casa de Acolhimento Irmã Redempta, o encontro foi um marco para a região. "Atendeu não apenas São José da Tapera, mas vários municípios vizinhos. As pessoas precisam de informação e conhecimento sobre adoção, assim como os profissionais que atuam na área".


Dicom TJAL