Geral
Oficinas com alunas da rede pública promovem protagonismo de mulheres e meninas no planejamento urbano
Daniel de Oliveira
Estudantes da rede pública estadual participaram de oficinas da metodologia “Cidade Mulher”, desenvolvidas pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat). A iniciativa foi desenvolvida em escolas de Maceió e teve o objetivo de elaborar sugestões de políticas públicas voltadas para a construção de cidades mais seguras e sustentáveis para meninas e mulheres.
As atividades aconteceram entre os dias 17 e 19 e aconteceram em parceria com as Secretarias de Estado da Mulher (Semu); de Transporte e Desenvolvimento Urbano (Setrand); da Educação (Seduc); e da Governança Corporativa (Governança).
As ações aconteceram em três unidades educacionais de Maceió: as Escolas Estaduais Professora Guiomar de Almeida Peixoto (Ponta Grossa), Professor Theonilo Gama (Jacintinho) e Marcos Antônio Cavalcanti Silva (Benedito Bentes).
As oficinas buscaram desenvolver uma noção de como meninas e mulheres se sentem seguras ou inseguras em espaços urbanos. A metodologia utiliza escutas e dinâmicas para identificar os fatores que causam essas percepções e criar soluções para melhorar a vivência da população feminina.
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Com isso, a iniciativa utiliza uma abordagem que analisa a violência pelo olhar da prevenção. Ela leva em consideração as características dos territórios, entendendo como mulheres e meninas podem circular, vivenciar e realizar os trajetos do dia a dia. Assim, são analisadas e construídas medidas que propiciem o bem-estar e segurança, sem que sejam necessárias ações mais complexas e burocráticas no campo da segurança pública ou outros âmbitos institucionais.
Em todas as etapas foram promovidas uma roda de conversa geral, com meninos e meninas, abordando temáticas sobre gênero no primeiro momento. Posteriormente, as estudantes exploraram o território ao redor das escolas, conhecendo suas características e contextos a partir de um olhar mais analítico. Por fim, elas se reuniram para identificar os problemas e construir soluções de forma ampla e integrada, sugerindo melhorias no âmbito da saúde, educação, assistência e quaisquer outros que possam gerar impacto em todos os espaços urbanos.
As alunas da rede estadual foram escolhidas como público alvo das oficinas devido à sua relação com a cidade e pela visão de uma construção de futuro. “Os jovens são especialistas daquele território. É onde eles estão circulando todos os dias, em diferentes horários, sozinhos ou em grupo. Além disso, são agentes que podem provocar a mudança”, explicou a coordenadora do Visão Alagoas 2030, Paula Zacarias.
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Alagoas Lilás
As oficinas Cidade Mulher estão inseridas no contexto da política Alagoas Lilás, trazendo apoio para o desenvolvimento de ações de enfrentamento e o fortalecimento de políticas públicas já existentes a partir de um olhar territorial urbano. Assim, reforçando a prevenção da violência não só nas casas, mas, também, nos deslocamentos de mulheres e meninas pela cidade.
“A violência não acontece apenas no contexto doméstico e familiar, mas também em vários outros contextos, sejam eles também urbanos. Então, as formas de enfrentar essa violência também têm que ser múltiplas. A nossa contribuição enquanto ONU-Habitat é neste sentido”, detalhou Paula Zacarias.
A secretária de Estado da Mulher, Marília Albuquerque, afirmou que a ação é importante para construir ambientes urbanos que possibilitem esse bem-estar. “A partir da escuta de quem vive no território, nós podemos criar soluções para enfrentar a violência e trazer mais segurança no dia a dia da população feminina”.