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Mulheres em AL protagonizam o Dia Nacional do Artesão com 80% de representatividade no setor
Edmilson Teixeira
Nesta quinta-feira, 19 de março, o Dia Nacional do Artesão ganha cores e texturas especiais em Alagoas. Mais do que uma celebração de técnicas ancestrais, a data marca a consolidação do artesanato como um pilar econômico movido, majoritariamente, por mãos femininas. Das mais de 18 mil pessoas formalizadas no estado, quase 15 mil são mulheres — um exército de criatividade que sustenta famílias e preserva a identidade cultural das Alagoas.
Às margens da Lagoa Manguaba, em Marechal Deodoro, o som do bater dos bilros e o entrelaçar das linhas ditam o ritmo da Cooperativa dos Artesãos da Barra Nova (Coorperartban). Com 21 anos de estrada, a cooperativa hoje é composta exclusivamente por mulheres que exportam o talento alagoano para o mundo.
"Avançamos muito e já temos até uma sede. Nós criamos uma escala de trabalho, vendemos tudo o que é produzido aqui e também exportamos", orgulha-se Lindinalva Camargos, presidente da cooperativa.
Para essas mulheres, o artesanato é sinônimo de superação. Vera Lúcia Ribeiro encontrou na arte o refúgio para obstáculos pessoais, enquanto Maria Cavalcante celebra a liberdade financeira: "Foi a partir do artesanato que comecei a ganhar meu próprio dinheiro, a comprar as minhas coisas e ajudar em casa".
O brilho do artesanato local não fica restrito às bordas das lagoas Mundaú e Manguaba. Através do programa Alagoas Feita à Mão, gerido pela Secretaria de Estado de Relações Federativas e Internacionais (Serfi), a produção rústica e sofisticada de Alagoas alcançou vitrines globais, como a Paris Design Week 2025.
O impacto financeiro é real e crescente: R$ 1,1 milhão em vendas diretas apenas em 2025. Fenearte (Recife): R$ 568 mil em comercialização. Fenacce (Fortaleza): R$ 347 mil. Feira Nacional (Belo Horizonte): R$ 193 mil.
O Governo de Alagoas, sob a gestão de Paulo Dantas, prepara um salto ainda maior para 2026. A grande aposta é a criação do Fundo de Fomento ao Artesanato Alagoano (FFAL), um instrumento que garantirá financiamento permanente para a cadeia produtiva.
Além disso, parcerias modernas, como o treinamento realizado com a plataforma Shopee, mostram que a tradição do Filé, do Tenerife e do Macramê agora também domina o e-commerce.
Agenda de 2026: O secretário Júlio Cezar (Serfi) confirmou a presença de artesãos alagoanos nos principais eventos do país este ano:
1. Salão do Artesanato (Brasília e São Paulo)
2. Fenearte (Recife)
3. Fenacce (Fortaleza)
4. Arpoarte (Rio de Janeiro)
Para Adriana Gomes, artesã do Pontal da Barra, o apoio governamental é o que mantém o legado vivo. "O bordado de filé vem de geração em geração. Manter essa arte é difícil, mas o Alagoas Feita à Mão leva nossa cultura a outros estados. Sinto-me honrada", afirma.
“Neste 19 de março, Alagoas não celebra apenas o objeto feito à mão, mas a autonomia de milhares de "Marias", "Cíceras" e "Josinetes" que, fio a fio, tecem o orgulho de ser alagoano” disse Júlio Cezar