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Falta de saneamento amplia desigualdade e impacta mais a vida das mulheres no Brasil
A falta de saneamento básico no Brasil impacta de forma mais intensa a vida das mulheres, especialmente em regiões com infraestrutura precária de água e esgoto. Além da exposição a riscos sanitários, elas frequentemente assumem a maior parte do cuidado com a saúde da família e das tarefas domésticas, o que amplia a sobrecarga e reforça desigualdades sociais.
No Brasil, cerca de 35 milhões de pessoas ainda não têm acesso à água tratada e aproximadamente 90 milhões vivem sem coleta de esgoto, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).
“A ausência de infraestrutura adequada contribui para o aumento de doenças de veiculação hídrica e amplia a responsabilidade feminina no cuidado com crianças e familiares doentes. Em áreas sem acesso regular à água tratada, atividades domésticas básicas, como cozinhar, lavar roupas e garantir a higiene da casa, tornam-se mais difíceis e demandam mais tempo, reduzindo oportunidades de estudo e trabalho”, diz Adriana Albanese, diretora de Relacionamento com Investidores e Sustentabilidade.
O impacto também se reflete na saúde infantil. Crianças expostas à água contaminada apresentam maior incidência de doenças gastrointestinais, o que na maioria das vezes leva mães a se ausentarem do trabalho para prestar cuidados. Esse cenário contribui para perpetuar desigualdades econômicas e sociais, sobretudo em comunidades mais vulneráveis, complementa o presidente.
A realidade descrita pelos especialistas fez parte da rotina de Rúbia Silva Cardoso, moradora há 11 anos de Venda Velha, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense (RJ). Antes da chegada da concessionária Águas do Rio à região, ela precisava buscar água para o consumo diário da família.
“Eu carregava 16 galões e baldes de água na cadeira de rodas do meu marido e guardava tudo dentro de casa para os dias de escassez”, conta. Segundo Rúbia, a situação era comum entre os moradores da comunidade. “Isso não era só rotina minha, era de todos os meus vizinhos também. O que era um absurdo.”
Com obras de melhoria no abastecimento realizadas pela concessionária, a realidade mudou. “Agora quando abro a torneira, eu tenho água tratada. Isso é qualidade de vida, isso é dignidade, não é?”, afirma.
Para Rúbia, a mudança trouxe um alívio para a rotina doméstica e para o cuidado com a família. “Esse corpo aqui é água”, diz, apontando para si mesma. “Se a gente não tiver água, a gente não vive.”
Ampliar o acesso ao saneamento básico é uma das medidas mais eficazes para reduzir essas desigualdades. O Novo Marco Legal do Saneamento, aprovado em 2020, estabeleceu metas para que 99% da população brasileira tenha acesso à água potável e 90% à coleta e tratamento de esgoto até 2033. O avanço dessas metas pode transformar a realidade de milhões de brasileiros — especialmente de mulheres que vivem em áreas com déficit de infraestrutura.
“Quando falamos em saneamento, estamos falando de dignidade, saúde e oportunidade. A ampliação do acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário tem impacto direto na vida das mulheres, que muitas vezes estão na linha de frente do cuidado com a família e com o lar”, afirma Albanese.
Segundo ela, o avanço das metas estabelecidas pelo Marco Legal é fundamental para acelerar essa transformação social. “Alcançar a universalização do saneamento é essencial para o desenvolvimento do país. O Marco Legal trouxe a ambição da universalização e criou condições para ampliar os investimentos necessários. Quanto mais avançarmos nessa agenda, maior será o impacto positivo na saúde pública, na preservação dos recursos hídricos e na redução das desigualdades que ainda afetam milhões de mulheres brasileiras”, completa.
O tema ganha ainda mais relevância no Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março. Criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), a data busca reforçar a importância da gestão sustentável dos recursos hídricos e do acesso universal à água potável.
No Brasil, onde milhões de pessoas ainda vivem sem acesso pleno a serviços de saneamento, ampliar os investimentos no setor significa não apenas proteger os recursos hídricos, mas também promover inclusão social, melhorar indicadores de saúde e ampliar oportunidades para populações em situação de vulnerabilidade.
Fonte: Assessoria