Geral

Mulheres são apenas 29% dos empregadores em Alagoas, décima pior proporção do país

19/03/2026
Mulheres são apenas 29% dos empregadores em Alagoas, décima pior proporção do país

As mulheres representam 29% dos empregadores em Alagoas, segundo dados do IBGE de novembro de 2025. Em números absolutos, cerca de 11 mil mulheres estão à frente de negócios que geram empregos no estado. A proporção coloca Alagoas como a décima pior do país nesse indicador e revela uma diferença significativa entre homens e mulheres no comando de empresas: para cada mulher empregadora, existem aproximadamente 2,5 homens na mesma condição.

A presença feminina entre empregadores costuma ampliar a inserção de outras mulheres no mercado de trabalho. Levantamento do Sebrae indica que cerca de 73% dos negócios liderados por mulheres possuem força de trabalho majoritariamente feminina. “Na prática, isso significa que o empreendedorismo feminino tende a gerar oportunidades para outras mulheres, criando redes de trabalho e renda dentro das próprias comunidades e ampliando possibilidades de mobilidade social”, afirma Joana Macêdo, assessora de Desenvolvimento do Cooperativismo na Central Sicredi Nordeste.

Esse movimento aparece em diferentes setores da economia. Em Maceió, a empresária Renata Suelen, de 44 anos, dirige a Mobilize, empresa de assessoria e consultoria em negócios com impacto socioambiental, desenvolvimento sustentável e territorial. O negócio tem 36 anos de história e integra uma empresa familiar, atualmente na sua segunda sucessão.

Renata assumiu a liderança da empresa há 13 anos, quando o negócio enfrentava dificuldades financeiras e acumulava dívidas. “Pedi para recuperar o CNPJ para fundar uma nova empresa e manter o legado de impacto socioambiental que ela já promovia há anos”, conta. Ao longo dos anos, a estrutura da Mobilize foi reorganizada e a empresa voltou a crescer. Atualmente, o negócio conta com 13 funcionários, sendo oito mulheres na equipe.

A política de contratação também reflete uma preocupação com inclusão e formação profissional. “Priorizo a contratação de vagas afirmativas de base comunitária e acadêmicos, pessoas que tenham interesse em estudar, crescer e se especializar, porque acredito no potencial de quem busca oportunidades”, explica. Para Renata, empreender como mulher no estado ainda envolve desafios.

“Todos os estereótipos associados à mulher aparecem no caminho. O maior desafio é esse mesmo: ser mulher, empresária e nordestina. Até hoje observo pessoas procurando um sócio, meu esposo ou algum homem que possa estar aconselhando os nossos negócios”, relata. Para empreendedoras que buscam ampliar suas atividades e contratar novos funcionários, o acesso ao crédito é apontado como um dos fatores decisivos.

No caso de Renata, a relação com a cooperativa Sicredi Expansão começou em 2014 e inclui diferentes soluções financeiras utilizadas na rotina do negócio. “O Sicredi me deu suporte emocional e financeiro. As gerentes da época, Elania e Grazi, me ajudaram muito e acreditaram que tudo ia dar certo em um cenário totalmente incerto. Elas ofereceram serviços e acompanhamento para regularização da empresa. Hoje a Mobilize é uma empresa saudável que tem praticamente todos os serviços no Sicredi”, afirma.

Crédito e capacitação para empreendedoras

Em Alagoas, a carteira de crédito destinada a mulheres empreendedoras dentro do Sicredi apresentou crescimento acelerado nos últimos meses. Em apenas sete meses, o volume multiplicou por 3,5 vezes e alcançou, em janeiro, o montante de R$ 2,7 milhões no estado.

Em âmbito nacional, o movimento também aparece nos números da instituição financeira cooperativa. Em 2025, o Sicredi encerrou o ano com uma carteira de crédito superior a R$ 17,5 bilhões direcionada a empresas lideradas por mulheres. O valor representa um crescimento de mais de 12% em relação a 2024.

Além das linhas de financiamento, a instituição também mantém iniciativas voltadas à formação e à liderança feminina. Entre elas está o Curso Mulher Empreendedora, criado em 2023 para apoiar o desenvolvimento de pequenos negócios. Outra iniciativa é o Comitê Mulher, que reúne participantes em atividades voltadas à liderança e à participação feminina em espaços de decisão dentro das cooperativas.

Para a assessora de Desenvolvimento do Cooperativismo na Central Sicredi Nordeste, o empreendedorismo feminino possui um efeito multiplicador dentro das economias locais, especialmente quando as empresas passam a gerar empregos. “Quando uma mulher empreende e começa a contratar, ela não está apenas ampliando um negócio. Em muitos casos, está criando oportunidades para outras mulheres que, por diferentes razões, encontram mais dificuldades para acessar o mercado de trabalho”, afirma.

Diante dos dados que mostram a participação feminina ainda menor entre empregadores em Alagoas, Joana avalia que o cenário revela um desafio que exige continuidade nas iniciativas de apoio ao empreendedorismo feminino. “Os números mostram que ainda existe um caminho importante a percorrer para ampliar a presença das mulheres como empregadoras. Ao mesmo tempo, indicam o potencial de transformação que existe quando elas recebem apoio concreto para desenvolver seus projetos e expandir seus negócios”, afirma.

Ascom Central Sicredi Nordeste