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Profissionais do Hospital Regional de Palmeira dos Índios orientam sobre diagnóstico e tratamento da incontinência urinária

13/03/2026
Profissionais do Hospital Regional de Palmeira dos Índios orientam sobre diagnóstico e tratamento da incontinência urinária
Fotos: Cláudia Valéria de Oliveira / Ascom HRPI

Cláudia Valéria de Oliveira

A perda involuntária de urina ainda é cercada por tabus e, muitas vezes, aceita erroneamente como algo “normal” do envelhecimento, especialmente entre mulheres e idosos. No entanto, especialistas do Hospital Regional de Palmeira dos Índios alertam: a incontinência urinária não deve ser ignorada e, na maioria dos casos, possui tratamento eficaz.

O objetivo do alerta é ampliar a informação e incentivar a busca por diagnóstico precoce. Isso porque, a incontinência urinária pode afetar pessoas em diversas fases da vida, impactando diretamente a qualidade de vida e o bem-estar social.

Para a clínica geral do HRPI, Rayanne Cavalcante, o problema é mais comum com o avanço da idade, mas também pode aparecer em adultos jovens e em mulheres após a gravidez. “Entre os sintomas mais frequentes estão a perda de urina ao tossir, espirrar ou rir, a dificuldade de segurar a urina até chegar ao banheiro e a vontade urgente de urinar”, explica a médica.

Segundo a profissional, existem diferentes tipos de incontinência urinária. A chamada incontinência de esforço ocorre quando há perda de urina durante atividades que aumentam a pressão abdominal, como exercícios físicos, tossir ou rir. Já a incontinência de urgência acontece quando a pessoa sente uma vontade súbita de urinar e não consegue segurar até chegar ao banheiro.

Há ainda casos de incontinência mista, quando os dois tipos aparecem ao mesmo tempo. Apesar de ser uma condição relativamente comum, a médica reforça que a perda frequente de urina não deve ser considerada normal e precisa ser investigada. “Quando o paciente começa a apresentar episódios repetidos de perda urinária, é importante procurar avaliação médica para identificar a causa e iniciar o tratamento adequado”, aconselha a médica.

Rayanne Cavalcante orienta ainda que, especialmente em pacientes mais jovens, é fundamental investigar possíveis fatores associados, como alterações hormonais, infecções urinárias, enfraquecimento da musculatura pélvica ou outras condições de saúde. “Cada caso precisa ser avaliado de forma individual, para que possamos identificar a origem do problema e indicar o tratamento mais adequado para aquele paciente”, salienta. Alimentação Saudável

Outro ponto importante destacado pelos profissionais de saúde é o papel da alimentação e dos hábitos de vida na prevenção e no controle da incontinência urinária. Manter uma dieta equilibrada, reduzir o consumo excessivo de cafeína, bebidas alcoólicas, refrigerantes e alimentos muito ácidos ou condimentados pode contribuir para diminuir a irritação da bexiga.

A hidratação adequada também é fundamental. Por isso, a nutricionista do HRPI, Maria Luana, destaca que cada pessoa precisa ser avaliada de forma individual para que as orientações alimentares sejam adequadas à sua realidade.

“É necessário identificar as necessidades de cada paciente, avaliar o histórico de saúde, o exame físico, o uso de medicamentos e os antecedentes clínicos. A partir disso, conseguimos definir o plano alimentar e o quantitativo adequado para aquele paciente”, explica.




A nutricionista enfatiza, ainda, que a construção de hábitos saudáveis deve começar cedo. “A alimentação equilibrada e os bons hábitos não são importantes apenas para idosos. Eles devem ser estimulados desde a infância e mantidos ao longo da vida, envolvendo crianças, jovens e adolescentes”, destaca.

Maria Luana diz que o cuidado com pacientes que apresentam incontinência urinária também envolve uma abordagem multidisciplinar, com a participação de diferentes profissionais da saúde. “É fundamental que o trabalho seja feito em equipe, para que cada profissional contribua com sua conduta e, juntos, possamos promover mais saúde e qualidade de vida para o paciente”, sentencia.

A prática de atividades físicas também contribui para a prevenção e o controle da condição, especialmente exercícios que fortalecem a musculatura do assoalho pélvico. Isso porque, eles são responsáveis por sustentar órgãos como a bexiga, o útero e o intestino.

Tratamento que dá certo

Nesse contexto, a fisioterapia pélvica tem se destacado como uma importante aliada na prevenção e no tratamento da incontinência urinária. A abordagem utiliza exercícios específicos voltados para o fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico, responsável por sustentar órgãos como a bexiga, o útero e o intestino, além de desempenhar papel essencial no controle da urina.

A fisioterapeuta Cláudia Marques destaca que a fisioterapia pélvica exerce um papel fundamental tanto na prevenção quanto no tratamento da condição. “Por meio de uma avaliação individualizada, o fisioterapeuta identifica as necessidades de cada paciente e elabora um plano de exercícios adequado. Além do fortalecimento muscular, o tratamento também envolve orientações sobre consciência corporal, postura, respiração e hábitos saudáveis, fatores que contribuem para prevenir ou reduzir os episódios de perda de urina”, afirma.

Entre os exercícios utilizados estão movimentos como a ponte (ou elevação pélvica) e outras técnicas que estimulam a contração e o fortalecimento dessa musculatura. Quando realizados com orientação de um profissional especializado, esses exercícios ajudam a melhorar o controle da bexiga, reduzir os episódios de perda urinária e proporcionar mais segurança nas atividades do dia a dia.

Caso

Um exemplo é o caso do paciente M.S., de 68 anos, que está em recuperação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HRPI e vem respondendo bem aos estímulos da fisioterapia. De acordo com a fisioterapeuta Karlla Nunes, a prática tem contribuído para fortalecer a musculatura do assoalho pélvico e proporcionar mais estabilidade ao paciente durante o processo de recuperação.

“É muito gratificante quando aplicamos uma técnica e conseguimos observar a resposta positiva dos pacientes. Isso mostra como a fisioterapia pode fazer diferença na recuperação e na qualidade de vida deles”, enfatiza Karlla Nunes.

A especialista ressalta, ainda, que o impacto da incontinência urinária vai além da saúde física. Muitas pessoas passam a evitar sair de casa, praticar esportes ou participar de eventos sociais por medo de episódios de perda de urina, o que pode comprometer a autoestima, o convívio social e a qualidade de vida.

Entre as medidas de prevenção, os profissionais de saúde recomendam manter o peso adequado, evitar o tabagismo, praticar atividades físicas regularmente e procurar orientação médica ao perceber qualquer alteração no funcionamento da bexiga. A informação e o diagnóstico precoce são fundamentais para garantir um tratamento adequado e mais qualidade de vida aos pacientes.