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Popularização das canetas emagrecedoras acende alerta entre especialistas
Por Tríade Comunicação
O uso das chamadas canetas emagrecedoras tem ganhado espaço entre pessoas que buscam reduzir peso de forma rápida, impulsionado principalmente por conteúdos nas redes sociais e pela promessa de resultados acelerados. Apesar da eficácia dessas medicações no tratamento da obesidade, especialistas alertam que a utilização sem avaliação clínica e monitoramento adequado pode trazer prejuízos à saúde. A indicação correta do fármaco, a definição da dosagem e o acompanhamento ao longo do tratamento são etapas consideradas fundamentais para garantir segurança e eficácia no processo de emagrecimento.
Os medicamentos injetáveis, conhecidos como canetas, surgiram inicialmente como alternativa terapêutica para o controle do diabetes. Com o avanço das pesquisas científicas, algumas dessas substâncias passaram a ser indicadas também no manejo da obesidade. Entre os princípios ativos mais conhecidos estão a liraglutida, a semaglutida e a tirzepatida, utilizados em contextos clínicos específicos.
Segundo a nutróloga e especialista em emagrecimento, Eline Soriano, o aumento da procura por esse tipo de tratamento tem levado ao consumo indiscriminado das medicações, muitas vezes sem orientação profissional. A prática representa um risco, uma vez que cada paciente apresenta características metabólicas diferentes. A avaliação médica é necessária para identificar o quadro clínico, definir a indicação adequada, estabelecer a dosagem correta e acompanhar possíveis reações adversas.
A popularização dessas terapias também tem impactado o cenário do tratamento da obesidade. Durante muitos anos, a cirurgia bariátrica foi considerada uma das principais estratégias para casos mais graves da doença. Segundo a especialista, com a evolução das alternativas farmacológicas, muitos pacientes passaram a contar com um recurso menos invasivo, capaz de contribuir para a redução do peso quando utilizado dentro de protocolos médicos.
“Ainda assim, o medicamento não substitui mudanças de comportamento. A ausência de acompanhamento pode resultar em efeitos indesejados, como perda significativa de massa muscular, deficiência nutricional e o chamado efeito rebote, quando há recuperação do peso após a interrupção do tratamento”, afirma.
De acordo com a nutróloga, outro fator de preocupação envolve a procedência dos produtos. A aquisição em canais informais, como plataformas digitais ou grupos de mensagens, representa risco à saúde, já que essas substâncias exigem armazenamento adequado e controle rigoroso de qualidade. A recomendação é que a compra seja realizada apenas em farmácias regularizadas, mediante prescrição médica e com registro nos órgãos sanitários.