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Bom Jesus dos Navegantes: Festa realizada em Penedo é Patrimônio Imaterial de Alagoas
São 142 anos de muita fé e tradição. A maior manifestação cultural e religiosa de Alagoas atrai milhares de pessoas a cada ano, evento com programação religiosa, cultural, artística e esportiva que acontece durante uma semana, sempre no início de janeiro. A festa, diante de sua grandeza, agora é Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado.
O reconhecimento aconteceu nesta quarta-feira (11), na Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), por meio do Projeto de Lei nº 1217/2024, de autoria do deputado delegado Leonan Pinheiro. O parlamentar possui raízes em Penedo, tendo seu pai e sua mãe nascidos no município. O projeto destaca a importância histórica, religiosa e cultural da maior celebração realizada no Baixo São Francisco, reconhecida pelos penedenses, romeiros e turistas.
“A conquista do reconhecimento da Festa de Bom Jesus dos Navegantes como Patrimônio Imaterial de Alagoas representa um marco histórico para Penedo. Mais do que uma celebração religiosa e cultural, essa tradição carrega a memória, a fé e a identidade do nosso povo. Esse reconhecimento fortalece a preservação dessa manifestação tão importante e reafirma o compromisso da gestão municipal com a valorização da nossa cultura e das tradições que atravessam gerações”, pontuou a secretária municipal de Cultura, Lazer e Juventude (SEMCLEJ), Teresa Machado.

A expressão cultural é celebrada por várias cidades e povoados que margeiam o Rio São Francisco, em Alagoas e Sergipe. O Bom Jesus dos Navegantes é o protetor dos pescadores, remeiros e beiradeiros. A celebração de Penedo é a maior e mais tradicional, tanto pelo tempo (142 anos), quanto pela atração que a cidade exerce, devido ao seu rico patrimônio cultural e arquitetônico.
“Ao longo da nossa gestão, desde o primeiro dia, temos trabalhado com muito respeito e dedicação para realizar uma das maiores festas de Bom Jesus dos Navegantes da história de Penedo, sempre preservando a força dessa tradição secular que faz parte da fé, da cultura e da identidade do nosso povo. Ver esse reconhecimento como Patrimônio Imaterial de Alagoas é motivo de orgulho e também a confirmação de que estamos no caminho certo, valorizando aquilo que é mais precioso para a nossa gente”, destacou o prefeito Ronaldo Lopes.

Reconhecimento de uma tradição secular
As festividades em homenagem ao Bom Jesus dos Navegantes acontecem sempre na segunda semana de janeiro, divididas em quatro programações. A religiosa conta com missas, adorações e procissões, que ocorrem na Praça da Fé, ao lado da Capela do Bom Jesus, localizada na comunidade de Santa Cruz, igreja que abriga a imagem do santo.
O ponto alto acontece no domingo, com a procissão fluvial e terrestre, reunindo um público que ultrapassa 50 mil pessoas ao longo de todo o dia.
Existe ainda a programação artística, com shows nacionais e locais, que acontecem na Arena Sinimbu, na orla da cidade. A terceira programação é a cultural, com a valorização das manifestações culturais e artísticas da cidade, dando espaço aos artesãos e artistas, com exposições ao ar livre e apresentações de folguedos populares.

A última programação inserida nas festividades do Bom Jesus dos Navegantes é a esportiva, com diversas atividades ao longo da semana, com destaque para a corrida rústica e a competição de canoas de pano, além de outros torneios esportivos.
“O patrimônio imaterial é aquilo que não é concreto, que não é palpável. Ser reconhecido como patrimônio imaterial é reconhecer o valor da tradição, da manifestação cultural e a importância do festejo para a comunidade penedense, garantindo que essa tradição se perpetue. Assim, uma vez reconhecida como patrimônio imaterial, a festividade ganha ainda mais valorização na sociedade”, acrescentou a secretária Teresa Machado.
Museóloga, historiadora e professora universitária, Carmen Lúcia Dantas também é penedense e tem bastante conhecimento sobre a importância do título:
“O reconhecimento concedido à Procissão de Bom Jesus dos Navegantes como Patrimônio Imaterial, representa muito mais que um registro oficial. É a celebração de uma identidade coletiva que ocorre às margens do São Francisco, por dezenas de anos. Celebrada com devoção genuína, a procissão fluvial transcende os limites do religioso e se torna patrimônio de todos, uma vez que carrega em si a alma de uma comunidade inteira. É expressão viva de fé, de memória e de resistência do povo ribeirinho. Reconhecida como a Capital do Baixo São Francisco, Penedo é uma cidade que respira diversidade em sua História. Guarda, não apenas igrejas em suas ruas centenárias, mas também terreiros onde rezam, cantam e resistem tradições de matriz africana, igualmente fundamentais para a compreensão de quem somos como povo. Que esse reconhecimento tão importante para a fé e a cultura alagoana abra caminhos a uma preservação cada vez mais justa, inclusiva e representativa de todas as vozes que constroem esta cidade”, ressalta Carmen Lúcia Dantas.
Secom Penedo