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Pandemia da Inadimplência já atinge 81,3 milhões de brasileiros

11/03/2026
Pandemia da Inadimplência já atinge 81,3 milhões de brasileiros

O Brasil atingiu em janeiro de 2026 a marca de 81,3 milhões de inadimplentes, segundo dados mais recentes do Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa. O número representa 49,66% da população adulta do país, praticamente metade dos brasileiros em idade economicamente ativa.

O valor médio devido por pessoa chega a R$ 6.453,29, enquanto cada dívida soma, em média, R$ 1.603,70. No total, o estoque de débitos no país alcança R$ 524 bilhões, mantendo trajetória de crescimento contínuo. Apenas nos últimos meses, os indicadores registraram novas altas tanto no número de inadimplentes quanto no volume financeiro das dívidas.

A evolução dos dados confirma uma tendência que já vinha sendo observada desde 2023, com avanço progressivo do número de brasileiros com restrições no CPF. Para especialistas, o movimento não é pontual, mas estrutural, e pode levar o país a atingir a marca de 100 milhões de inadimplentes nos próximos três anos, caso não haja mudança significativa no comportamento financeiro da população e no ambiente econômico.

“Está instaurada no Brasil a Pandemia da Inadimplência”

Para Reinaldo Domingos, PhD em Educação Financeira, presidente da ABEFIN e criador do conceito, o país vive hoje uma verdadeira “Pandemia da Inadimplência”.

“Estamos diante de um fenômeno nacional. Não se trata apenas de endividamento pontual, mas de um processo contínuo de perda de poder de compra, impulsionado por uma inflação silenciosa e oculta que corrói a renda das famílias. O previsível aconteceu, e se nada for feito, poderemos chegar a 100 milhões de inadimplentes em poucos anos”, alerta.

Segundo Domingos, o problema vai além do uso excessivo de crédito. Ele aponta que a chamada inflação silenciosa, aquela percebida no aumento gradual de preços de itens essenciais, serviços e crédito, sem necessariamente ser plenamente absorvida nos reajustes salariais, tem provocado um descompasso crescente entre renda e custo de vida.

“O brasileiro tem a sensação de que está ganhando o mesmo, mas pagando cada vez mais por tudo. Quando a renda não acompanha o custo real da vida, a saída imediata costuma ser o crédito. E o crédito caro, como cartão e cheque especial, rapidamente se transforma em inadimplência”, explica.

Crédito caro e efeito bola de neve

O levantamento mostra que o crescimento das dívidas está diretamente relacionado ao uso recorrente de linhas de crédito com juros elevados. Cartão de crédito rotativo, parcelamentos extensos, financiamentos e empréstimos pessoais acabam comprometendo parcela significativa da renda mensal.

Com isso, muitos consumidores passam a pagar apenas os juros, sem conseguir reduzir o valor principal da dívida, criando um ciclo difícil de romper. O resultado é o aumento contínuo do número de débitos, que já somam mais de 327 milhões em todo o país.

Para o presidente da ABEFIN, a inadimplência não surge de forma repentina. “A inadimplência é construída ao longo do tempo, por decisões financeiras tomadas sem planejamento e, muitas vezes, por necessidade. Quando não há educação financeira estruturada, a pessoa não percebe o impacto acumulado de pequenas decisões diárias. O desmoronamento do poder aquisitivo acontece de forma gradual, até que a conta não fecha mais”, afirma.

Caminhos para enfrentar a crise

Diante do cenário, especialistas defendem que a saída passa por método, disciplina e educação financeira prática. O primeiro passo é o diagnóstico completo da situação financeira, com o levantamento detalhado de todas as dívidas, valores, taxas de juros e prazos. Em seguida, é necessário priorizar os débitos com juros mais altos e preservar despesas essenciais, como moradia, alimentação e serviços básicos.

Outro ponto central é o controle rigoroso dos gastos. Registrar todas as despesas por pelo menos 30 dias permite identificar excessos e criar espaço no orçamento para iniciar um plano de quitação consistente.

A negociação com credores deve ser feita apenas após esse diagnóstico, com propostas que caibam efetivamente no orçamento. Em alguns casos, consolidar dívidas em linhas de crédito com juros menores pode reduzir a pressão financeira.

Para Reinaldo Domingos, no entanto, a solução estrutural passa por um movimento mais amplo de conscientização. “Sem educação financeira, continuaremos enxugando gelo. Precisamos tratar a inadimplência como um problema coletivo, que impacta a sustentabilidade das famílias, das empresas e da economia nacional. A pandemia da inadimplência exige prevenção, e prevenção se faz com educação”, conclui.

Com quase metade da população adulta negativada e o volume total de dívidas em patamar recorde, o Brasil enfrenta um desafio que vai além dos números. A questão agora é se o país conseguirá reagir antes que a projeção dos 100 milhões de inadimplentes se torne realidade.

Fonte: Assessoria